FÉRIAS

Temporada de praias movimenta comércio, turismo e gera renda em Goiás

Da indústria da confecção ao turismo no Araguaia, férias de julho movimentam uma cadeia econômica que beneficia diferentes regiões do Estado.

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Turistas aproveitam a temporada de praias de água doce em Goiás, período que impulsiona o turismo e movimenta diferentes setores da economia estadual. Saulo Veiga / Goiás Turismo

Antes mesmo da chegada de julho, a temporada de praias já movimentava diferentes setores da economia goiana. Enquanto lojistas da Região da 44, em Goiânia, registravam aumento na procura por moda praia desde maio, proprietários de imóveis em Aruanã já estavam com as casas alugadas para praticamente todo o mês de férias desde fevereiro. O cenário evidencia como o período de férias escolares impulsiona uma cadeia econômica que beneficia comércio, turismo e serviços em diversas regiões do Estado.

Na Região da 44, um dos maiores polos atacadistas de confecção do país, o aumento da demanda começou semanas antes da alta temporada. A empresária Simone Andrade, que atua no segmento de moda praia, afirma que julho representa um dos períodos mais importantes do ano para o setor.

“Nós vendemos moda praia durante o ano inteiro para todo o Brasil. Aqui em Goiás temos uma procura constante por causa de Caldas Novas e Rio Quente, mas nessa época as vendas aumentam bastante por conta da temporada. Vendemos muito no atacado para o Pará, Tocantins, Mato Grosso e para o interior de Goiás. As pessoas começam a comprar antes para abastecer as lojas durante julho, pontua.

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Segundo Simone, a antecipação das compras é feita principalmente por lojistas, que reforçam os estoques para atender consumidores que viajam durante as férias escolares.

O presidente da Associação Empresarial da Região da Rua 44 (AER44), Sérgio Naves, explica que o calendário turístico influencia diretamente o desempenho do comércio confeccionista. “As férias escolares de julho também contribuem diretamente para essa expectativa. Famílias de diversos estados utilizam este período para viajar e muitos turistas que seguem em direção aos principais destinos turísticos goianos, como Pirenópolis, Caldas Novas e Rio Quente, passam por Goiânia, aproveitando a oportunidade para realizar compras na Região da 44, referência nacional em moda atacadista e varejista. O segmento de moda praia está entre os mais procurados nesta época”, detalha. 

Além dos turistas, compradores de diferentes estados viajam até Goiânia para abastecer lojas antes do início da temporada, consolidando a Região da 44 como um importante centro distribuidor de confecções para o Centro-Oeste e Norte do país.

Casas ficaram reservadas meses antes das férias

Se o comércio sente os reflexos da temporada, o mercado de hospedagem vive realidade semelhante.

Em Aruanã, às margens do Rio Araguaia, o proprietário de imóveis para temporadaCarlos Eduardo Assis afirma que a procura começou logo após o Carnaval e praticamente esgotou as reservas para julho ainda no primeiro trimestre.”As pessoas terminaram o Carnaval e já começaram a procurar as casas para julho. Desde fevereiro praticamente fechamos toda a temporada”, revela.

Segundo ele, o aluguel de imóveis se tornou uma importante fonte de renda para moradores da cidade. “É uma renda extra importante. Não ganha só quem aluga a casa. O turista compra no supermercado, abastece o carro, vai aos restaurantes, compra bebidas, contrata passeios e movimenta praticamente toda a economia da cidade”, justifica.

Turistas movimentam serviços locais

O planejamento antecipado também faz parte da rotina de quem frequenta o Rio Araguaia todos os anos.

O empresárioRamiro Diaz, que há dez anos passa as férias de julho com a família em São Miguel do Araguaia, afirma que a organização da viagem começa meses antes justamente pela grande procura. “Este ano também começamos a organizar tudo com antecedência. Contratamos cozinheiros, barqueiro e diversas pessoas no local para atender nossa família durante a temporada”, finaliza. 

Segundo ele, a viagem movimenta diversos profissionais da própria cidade, gerando oportunidades de trabalho temporário para moradores durante todo o mês de julho. Além dos imóveis para temporada, a alta estação beneficia hotéis, pousadas, restaurantes, supermercados, distribuidoras de bebidas, postos de combustíveis, comerciantes, ambulantes, piloteiros, guias turísticos e prestadores de serviços.

Temporada fortalece economia goiana

Embora não tenha litoral, Goiás consolidou uma das principais temporadas de turismo de água doce do país. Municípios como Aruanã, Britânia, Luiz Alves e São Miguel do Araguaia recebem milhares de visitantes durante julho, enquanto destinos como Caldas Novas, Rio Quente e Pirenópolis ampliam o fluxo de turistas durante as férias escolares.

Em São Miguel do Araguaia, a prefeitura estima a chegada de cerca de100 mil turistas ao longo da temporada, com expectativa de movimentar aproximadamente R$ 30 milhões na economia local. O período beneficia hotéis, pousadas, restaurantes, supermercados, distribuidoras de bebidas, postos de combustíveis, comerciantes, piloteiros, guias turísticos e trabalhadores temporários. 

Em Goiânia, o reflexo aparece na Região da 44. O polo confeccionista movimentou R$ 5,7 bilhões apenas no último trimestre de 2025, segundo levantamento da Associação Empresarial da Região da Rua 44 (AER44), consolidando-se como um dos principais centros atacadistas de moda do país. Durante julho, a procura por peças voltadas ao lazer e às viagens, especialmente moda praia, reforça esse desempenho e atrai compradores de diferentes estados.

O resultado é uma cadeia econômica integrada. A venda de biquínis, maiôs e roupas leves nas confecções de Goiânia impulsiona fabricantes, distribuidores e transportadoras. Nos destinos turísticos, o dinheiro continua circulando por meio da locação de imóveis, da hotelaria, da gastronomia, do comércio e dos serviços voltados aos visitantes. Com isso, a temporada de julho consolida-se como um dos períodos de maior impacto para a economia goiana, conectando a indústria da confecção ao turismo e à geração de emprego e renda em diferentes regiões do Estado.