“Ele não matou só minha filha e o próprio filho. Matou toda a minha família,” diz mãe de mulher assassinada por motorista
Família de São Paulo já encaminhou representantes a Goiânia, para reconhecimento e liberação de corpo, que deve ser encaminhado para velório em São Paulo
Ir direto pra matériaA notícia da prisão do motorista Aginaldo Viríssimo Cuelho, de 50 anos, chegou através de uma ligação da equipe do Mais Goiás à família. Doralice Ferreira, 67, é mãe de Denise Ferreira da Silva, 34, grávida de quatro meses que foi morta pelo pai da criança que gerava, na madrugada desta segunda-feira, 4, no Setor Caravelas. A família da vítima mora na Zona Norte de São Paulo-SP, e a mãe se sente aliviada, mas a sensação de impunidade é evidente, diante da realidade criminosa, que agora faz de vítima a filha que decidiu morar com o marido em Goiás.
Doralice, teve duas filhas, Denise e Juliane Ferreira de Souza, 32. Mãe cuidadosa, criou as duas sustentando a família por dias e noites em cima de uma máquina de costura. Religiosa, da Congregação Cristã do Brasil, sempre quis ter a família reunida, na Freguesia do Ó. “Mas Denise era independente, e quando colocava uma coisa na cabeça, era complicado tirar”, disse.
O homem que matou a própria esposa, antes de trazer Denise para morar com ele em Goiânia, chegou a ir à casa de Doralice. “Eu até disse a ele: ‘Não maltrata minha filha por favor, porque quando ela precisar, a minha casa é onde ela pode voltar’, e ele me disse que trataria ela muito bem”, disse.
Apesar de satisfeita com a prisão, e confortada da justiça ser feita em curto prazo, a mulher não esconde a sensação de impunidade. “Ele vai cumprir um terço da pena e depois vai ser colocado em liberdade.”

Denise Ferreira da Silva estava grávida de quatro meses quando foi morta a tiros pelo ex, em Goiânia: Filho de 6 anos viu crime (Foto: Arquivo Pessoal)
INDEPENDENTE
Denise era independente. Cursou Logística, pagou sozinha o curso, e tinha um filho de seis anos de um relacionamento anterior. Ela era encarregada de uma empresa de reparação de para-brisas de veículos de grandes portes (caminhões e ônibus), e foi na empresa que conheceu Aginaldo Veríssimo.
Ele era motorista de ônibus de uma dupla sertaneja que não era a mesma de hoje. Aginaldo teria ido à empresa que Denise trabalhava para arrumar um vidro do ônibus da dupla sertaneja que havia quebrado. Os dois namoraram à distância por quase dois anos. Há dois anos ela recebeu o convite para seguir com Aginaldo para Goiânia.
Denise tinha o próprio carro, um apartamento em São Paulo, mas seguiu o novo romance, e saiu do trabalho para viver com Aginaldo uma nova vida em Goiânia. Comprou a casa no condomínio fechado, e comprou os móveis em São Paulo para encaminhar em um caminhão de mudanças para a Capital de Goiás.

Os dois viveram dois anos um namoro à distância, segundo a família de Denise, antes de a paulista se mudar para Goiânia (Foto: Arquivo Pessoal)
Já morando em Goiânia, com Aginaldo, Denise descobriu em outubro passado que ele tinha uma vida dupla. Uma outra casa, na mesma região, era mantida com filhos e uma esposa. Denise, enfurecida, queria acabar com todo o relacionamento. Aginaldo abandonou a outra família, e prometeu oficializar a relação com a paulista: se casaram, mas as brigas eram constantes.
Há uma semana os dois estavam separados, e viviam de forma já independente. Na noite anterior, segundo a Polícia Civil, Aginaldo estaria na casa de um filho, no mesmo condomínio, quando decidiu ir até a casa de Denise. Os dois discutiram e, quando ela percebeu que ele estava armado, tentou correr para a rua. Denise foi atingida com um tiro na perna, segundo o delegado Ernani Cazer, que foi ao local do crime, e quando caiu, já na rua, na porta de casa, Aginaldo encostou a arma na cabeça da vítima, e deu o tiro fatal.
A perícia de local encontrou várias capsulas de arma de fogo dentro do carro de Aginaldo. Ele fugiu a pé, levando a arma do crime, segundo o delegado.
LIBERAÇÃO DO CORPO
Tia materna de Denise, a advogada Idivonete Ferreira Martins veio de São Paulo junto com o pai da criança, de 6 anos.
A intenção é proceder com a liberação do corpo do Instituto Médico Legal (IML) e fechar a casa de Denise, além de buscar a criança, que está sob os cuidados de uma vizinha. A intenção da família é fazer velório e sepultamento em São Paulo.
A prisão de Aginaldo aconteceu em Anápolis, por agentes da Delegacia de Investigação em Homicídios (DIH), e durante esta tarde o delegado Danilo Proto faz uma entrevista coletiva para informar à imprensa como os investigadores chegaram ao suspeito. Está prevista para esta terça-feira, 5, às 10 horas, uma entrevista coletiva, após a coleta do depoimento formal de Aginaldo Viríssimo.

Aginaldo foi preso em Anápolis, por agentes da Delegacia de Investigação em Homicídio (Foto: Polícia Civil)