Estratégia

Entenda por que Lula não compareceu à assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia

A estratégia de isolar sua imagem como "fiador" do acordo entre blocos comerciais

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Encontro entre Lula e Von der Leyen visou ressaltar importância do presidente no acordo | Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por não viajar a Assunção para a cerimônia formal de assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia neste sábado (17). Em vez de dividir o palanque com outros líderes do bloco, como o argentino Javier Milei, Lula permaneceu em Brasília sem compromissos oficiais. A ausência é vista por interlocutores como uma manobra estratégica para consolidar sua imagem como o principal articulador do tratado, evitando que o protagonismo seja compartilhado em solo paraguaio.

A estratégia de isolar sua imagem como “fiador” do texto foi reforçada na sexta-feira (16), quando Lula recebeu a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no Rio de Janeiro. O encontro bilateral teve contornos de celebração antecipada, com direito a discursos sobre multilateralismo e a chamada “foto da vitória”. No evento, Von der Leyen elogiou pessoalmente o empenho do brasileiro, permitindo que o governo explore o registro como uma conquista diplomática pessoal em futuras campanhas.

Enquanto os demais mandatários do Mercosul participam do ato na capital paraguaia, o Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. A formalização do pacto ocorre agora sob a presidência pro tempore do Paraguai, após impasses internos na Europa terem impedido que a assinatura ocorresse em dezembro passado. À época, o Brasil, portanto Lula, liderava liderava o comando do Mercosul.

No campo econômico, o tratado prevê a eliminação gradual de tarifas em cerca de 90% das exportações entre as regiões nos próximos anos. Os setores de agronegócio e indústria brasileira despontam como os maiores beneficiários da medida. Atualmente, a balança comercial com o bloco europeu é robusta: apenas no ano passado, o Brasil exportou quase US$ 50 bilhões para a região, com o fluxo concentrado principalmente em mercados como Holanda, Espanha, Alemanha, Itália e Bélgica.