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Investigada no caso Deolane movimentou milhões, mas recebeu Bolsa Família

Mulher é sócia de empresa que movimentou milhões, supostamente para o crime organizado

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Foto: reprodução

(DA FOLHAPRESS) Elidiane Saldanha Lopes Lemos, apontada pelo Ministério Público como um dos elos entre o PCC e a influenciadora Deolane Bezerra, recebeu repasses do Bolsa Família mesmo sendo sócia de uma empresa que movimentou milhões, supostamente para o crime organizado. A informação foi divulgada pelo colunista do UOL Josmar Jozino em 2022 e consta no inquérito da investigação que prendeu Deolane na quinta-feira (21/5).

A investigada se cadastrou como beneficiária em 2013 e recebeu o Bolsa Família até 2017, mesmo tendo aberto, em 2015, uma empresa com capital inicial de R$ 150 mil. A empresa em questão era a Lopes Lemos Transportes, que movimentou R$ 20 milhões em quatro anos. Além do investimento de Elidiane, o marido dela, Ciro Cesar Lemos, sócio da empresa, também colocou R$ 150 mil no negócio.

Ela recebeu entre R$ 140 e R$ 212 mensais nos quatro anos em que foi beneficiária do programa. Na conta da mulher, que teve o sigilo bancário quebrado entre 2015 e 2019, mais de R$ 1 milhão foi movimentado, segundo a investigação do Ministério Público de São Paulo. Pouco mais de R$ 265 mil estavam na poupança e outros R$ 765 mil na conta corrente.

Elidiane publicava fotos viajando para a Europa e para os Estados Unidos nos anos em que foi investigada. “Bora trabalhar, que nasci linda, e não rica”, diz uma das publicações feitas por ela no Instagram em 2019, no Aeroporto de Miami.

As investigações apontam que ela e Ciro seriam laranjas para Marcos Herbas Camacho, o Marcola, e Alejandro Camacho (Gordão), membros do PCC e verdadeiros donos da empresa. Os valores recebidos e as despesas da transportadora chamaram atenção das autoridades por não serem compatíveis e, quatro anos após ser aberta, a companhia passou a valer R$ 1,8 milhão, mais de quatro vezes o investimento inicial do casal. 7

A transportadora ficava ao lado do presídio de Presidente Venceslau e tinha o nome fantasia de “Lado a Lado”. A suspeita do MP-SP é de que os chefes da facção tenham constituído a empresa como forma de lavar dinheiro do tráfico de drogas.

Foi uma troca de mensagens entre o marido de Elidiane e Everton de Souza, apontado como articulador do PCC, que levou a polícia até Deolane. As mensagens mostram Everton, suposto articulador financeiro de Marcola, orientando que o dono da transportadora fizesse depósitos nas contas da influenciadora, com uma espécie de balancete mensal. Everton também foi preso na quinta-feira.

Mesmo condenados pela Justiça, Ciro e Elidiane estão foragidos. A Justiça de São Paulo emitiu, em setembro de 2025, mandados de prisão contra eles, que não foram cumpridos até o momento.

A reportagem entrou em contato com a advogada que representou Elidiane após o primeiro indiciamento dela, em 2022. O espaço será atualizado se houver posicionamento da defesa.