Terça-feira, 13 de Outubro de 2026
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Mensagens apontam Vorcaro como sócio de agência que recrutava refugiadas para prostituição

UOL cita contrato de R$ 1,5 milhão e participação do banqueiro na seleção das mulheres; dono da agência nega que a negociação tenha avançado

Por - Goiânia, GO
Publicado em:
Ex-banqueiro Daniel Vorcaro

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é apontado como sócio oculto de uma agência de modelos usada para recrutar mulheres para prostituição, incluindo estrangeiras descritas nas conversas como refugiadas da guerra na Ucrânia. Mensagens e documentos divulgados pelo UOL nesta terça-feira (13) indicam que o banqueiro participava das decisões sobre contratações, pagamentos e permanência das mulheres no grupo.

Segundo a apuração, a estrutura funcionava desde 2023 e recebeu investimentos de pelo menos R$ 4,3 milhões. Intermediários organizavam a presença das mulheres em festas privadas com Vorcaro, amigos e autoridades, no Brasil e no exterior. Os diálogos atribuem ao empresário uma atuação que ia além da contratação de acompanhantes: ele escolhia quem seria chamada e autorizava despesas.

A Polícia Federal abriu um inquérito em maio para apurar possíveis irregularidades na contratação das estrangeiras. Procurada pela Agência Estado, a defesa de Vorcaro informou que não se manifestaria sobre o assunto.

Conversas citam ucraniana que não podia voltar para casa

Uma jovem ucraniana de 19 anos aparece nas mensagens trocadas entre Vorcaro e o promotor de eventos Diogo Batista. Ela passou a integrar o grupo em outubro de 2023, durante a organização de uma festa de Halloween. Em 7 de novembro, ao ser informado por Batista sobre a presença de três refugiadas ucranianas, o banqueiro respondeu: “Tem que sobrar alguma refugiada pra mim”.

Em dezembro, Batista relatou que a jovem não tinha para onde ir porque sua cidade estava sob ataque. “Estão bombardeando a cidade dela”, escreveu. O intermediário disse ainda que ela pretendia buscar refúgio na Itália e sugeriu incluí-la na agência. No mês seguinte, voltou a defender o uso da empresa e o aluguel de um imóvel para abrigar as mulheres.

Em abril de 2024, Vorcaro mandou dispensar mulheres da Ucrânia e da Rússia. Batista lembrou que o país da jovem continuava em guerra. O banqueiro respondeu que avaliaria pessoalmente quem permaneceria na agência.

Contrato previa compra de metade da agência

Entre os documentos descritos pelo UOL está um contrato enviado a Vorcaro em dezembro de 2023 para a aquisição de 50% da Allure Eventos, pertencente a Felipe Nisti Cataldo. O valor previsto era de R$ 1,5 milhão. Em janeiro de 2024, Batista informou ao banqueiro que o documento estava assinado.

A negociação previa três parcelas de R$ 500 mil. Segundo a reportagem, um comprovante encontrado no celular de Vorcaro registra uma transferência da Super Empreendimentos para Nisti. Ao longo daquele ano, o banqueiro também demonstrou incômodo com a circulação de informações sobre sua participação na Allure e reclamou com Batista de que um promotor de eventos comentava a compra.

Ouvido pelo UOL, Nisti confirmou o interesse de Vorcaro no negócio, mas negou que a tratativa tivesse avançado e contestou o acordo mencionado nas conversas. Sobre o recebimento dos R$ 500 mil, disse que precisaria verificar o motivo da transferência.

Intermediários organizavam viagens e pagamentos

Além de Batista, que recebia R$ 120 mil mensais de Vorcaro, segundo a apuração, as mensagens citam Leonardo Serrano, dono da SL Consulting, sediada na Flórida. Ele cuidava de passagens, hotéis, repasses de dinheiro e contatos com organizadores locais. A reportagem descreve eventos em São Paulo, Paris, Londres, Roma e Dubai.

Nos diálogos publicados, Vorcaro e Batista se referiam às mulheres como “escravas” e chamavam as mais jovens de “creche”. Batista e Serrano não responderam aos contatos do UOL.

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