JUDICIÁRIO

Vorcaro quer ser transferido para presídio onde Bolsonaro ficou

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, está preso na superintendência da PF desde 19 de março e teve delação premiada negada

Vorcaro quer ser transferido para presídio onde Bolsonaro ficou (Foto: Reprodução)
Vorcaro quer ser transferido para presídio onde Bolsonaro ficou (Foto: Reprodução)

(Folhapress) A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, pediu ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), para que ele seja transferido para o 19º Batalhão de Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido popularmente como Papudinha.

O apelo dos advogados ocorre após Vorcaro ser transferido para uma cela comum da superintendência da Polícia Federal, na segunda-feira (18). Até então, ele estava num espaço preparado para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente em prisão domiciliar.

O ex-banqueiro está preso no local desde 19 de março, quando indicou ao ministro a intenção de assinar um acordo de delação premiada, que acabou sendo rejeitado pela PF.

Papudinha (Foto: Reprodução)

No fim do mês passado, a PF pediu a Mendonça que Vorcaro fosse levado de volta para o Presídio Federal de Brasília, na área do Complexo Penitenciário da Papuda.

Nesta quarta-feira (20), a PF rejeitou o acordo de delação oferecido por Vorcaro, sob a justificativa de que as informações apresentadas por ele eram insuficientes e pouco acrescentaram na investigação do caso.

Formalmente, Vorcaro pode apresentar fatos novos à própria Polícia Federal ou buscar um acordo apenas com a PGR (Procuradoria-Geral da República), na tentativa de convencê-los a aceitar um acordo. Autoridades que acompanham o caso, no entanto, afirmam ser pouco provável que ele tenha sucesso.

Ministro André Mendonça, do STF (Foto: Divulgação)

O ex-banqueiro vinha negociando um acordo conjunto com a PF e a PGR. Uma pessoa diretamente envolvida no caso aponta, de forma reservada, que Vorcaro não admitiu nos anexos entregues aos órgãos fatos que constam em seus próprios telefones celulares, apreendidos em fases da operação Compliance Zero.

Também há o diagnóstico de que Vorcaro não cumpriu os requisitos de boa-fé exigidos em acordos de colaboração. Segundo investigadores, ele teria tentado justificar os crimes que cometeu, enquanto as regras da delação premiada preveem que o delator precisa admitir todos os ilícitos dos quais participou e de que tem conhecimento.

A defesa de Vorcaro sinalizou a investigadores que tentará uma negociação direta com a PGR, deixando a PF de lado. Para isso, porém, os procuradores precisariam dar aval às informações que já foram rejeitadas pela PF. Seria necessário ainda obter a aprovação do ministro André Mendonça.