POLÊMICA

Ministério Público desiste da ação contra Monark por fala sobre nazismo

Promotor entendeu que declaração se enquadrou dentro dos limites da liberdade de expressão

Ministério Público desiste da ação contra Monark por fala sobre nazismo
Influenciador Monark: de volta às redes sociais (Foto: Reprodução)

SÃO PAULO (FOLHAPRESS) – O Ministério Público de São Paulo desistiu de uma ação civil pública contra o influenciador digital Bruno Monteiro Aiub, mais conhecido como Monark, que havia sido acusado de antissemitismo por defender a existência de um partido nazista no Brasil reconhecido por lei.

A fala ocorreu há quatro anos, durante um dos episódios do podcast Flow, criado e apresentado à época por Monark e Igor Coelho. “A esquerda radical tem muito mais espaço que a direita radical, na minha opinião. Eu acho que o nazista tinha que ter o partido nazista reconhecido pela lei. Se o cara quiser ser um antijudeu, eu acho que ele tinha direito de ser”, disse Monark.

A Promotoria de Direitos Humanos pedia uma indenização de R$ 4 milhões por danos morais coletivos. A polêmica resultou na saída de Monark do Flow Podcast e ainda provocou uma investigação policial.

No fim de março, o promotor Marcelo Otavio Camargo Ramos manifestou-se, defendendo a improcedência da ação. O promotor iniciou a peça ressaltando a importância do combate ao antissemitismo, citando o contexto da guerra entre Israel e os demais países do Oriente Médio.

Concluiu, porém, que Monark não cometeu crime e afirmou que sua fala se enquadrou dentro dos limites da liberdade de expressão.

“Diversamente, defender a liberdade de convicção e de expressão de indivíduos que adiram a tal ideologia não importa adesão, endosso ou relativização de seu conteúdo, limitando se à afirmação abstrata de que, em um regime democrático, o Estado não deve reprimir ideias enquanto tais, ausente discurso de ódio, incitação concreta à violência ou prática de atos ilícitos.”

Para fundamentar a manifestação, o promotor lembrou que o próprio Monark condenou o nazismo, ao longo do debate no podcast (“O nazismo é errado, é de demônio.”; “Eu não estou defendendo o nazismo! “Um lixo.”)

Após o episódio, Monark justificou a sua declaração, alegando que estava sob efeito de bebida alcoólica. Sua defesa encamparia a tese de que seria necessário promover a liberdade de expressão radical, havendo também uma diferença entre discurso e ação. A polêmica suscitou manifestação até da Embaixada da Alemanha, que afastou o argumento usado pelos advogados de Monark.

Em 2023, ele foi viver nos Estados Unidos e regressou ao Brasil no ano passado. Na mesma época, recuperou o acesso às suas redes sociais.

O influenciador tinha sido banido das principais plataformas por decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, depois de falas questionando a Justiça Eleitoral.

Por ironia, o promotor do Ministério Público também citou um livro de Moraes, “Direito Constitucional”, em sua peça. No trecho, Moraes discorre sobre o significado da liberdade de expressão.

“O direito fundamental à liberdade de expressão, portanto, não se direciona somente a proteger as opiniões supostamente verdadeiras, admiráveis ou convencionais, mas também àquelas que são duvidosas, exageradas, condenáveis, satíricas, humorísticas, bem como as não compartilhadas pelas maiorias”, escreveu o ministro na obra.