Nike é investigada por suposta discriminação contra funcionários brancos
Agência apura se a companhia violou leis antidiscriminatórias dos Estados Unidos
A Nike passou a ser alvo de uma investigação por suposta discriminação contra funcionários brancos, conduzida pela Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego dos Estados Unidos (EEOC). A apuração envolve metas de diversidade, equidade e inclusão (DEI) adotadas pela empresa em sua força de trabalho no país, que, segundo as alegações, teriam resultado em tratamento desigual a trabalhadores e candidatos brancos.
Investigação ocorre em meio a ofensiva contra políticas de diversidade
A investigação acontece em um momento em que grandes corporações dos Estados Unidos estão sob pressão de ações do governo do ex-presidente Donald Trump, que classificou determinadas políticas corporativas de DEI como “ilegais”. A iniciativa faz parte das prioridades do segundo mandato de Trump, que determinou que agências federais identifiquem e processem programas empresariais considerados discriminatórios contra trabalhadores brancos.
Diante desse cenário, diversas empresas passaram a recuar ou revisar metas relacionadas à diversidade racial e étnica, com receio de sanções legais.
Caso veio à tona em ação judicial
A existência da investigação contra a Nike foi revelada na quarta-feira em um processo protocolado em um tribunal federal do Missouri. No documento, a EEOC afirma que a empresa não forneceu informações suficientes para a condução da apuração, iniciada em 2024 e até então mantida sob sigilo.
O governo solicitou à Justiça que obrigue a companhia a cumprir uma intimação, fornecendo todos os dados solicitados pela agência.
O que diz a Nike
Em nota enviada à Bloomberg, a Nike afirmou que a medida representa uma escalada incomum no processo.
“Isso parece uma escalada surpreendente e incomum”, disse um porta-voz da empresa. Segundo a fabricante de artigos esportivos, a companhia tem colaborado “extensivamente e de boa-fé” com a investigação da EEOC.
A empresa também declarou que já compartilhou milhares de páginas de documentos e respostas detalhadas e que segue fornecendo informações adicionais solicitadas pela agência.
Metas de diversidade estão no centro da apuração
A investigação busca apurar se a Nike violou o Título VII da Lei dos Direitos Civis de 1964, que proíbe discriminação no ambiente de trabalho com base em raça, cor, religião, sexo ou origem nacional.
O foco está nas metas anunciadas pela empresa para aumentar a representatividade de minorias raciais e étnicas. Entre os objetivos divulgados, a Nike pretendia alcançar, até 2025, ao menos 30% de funcionários de minorias em cargos de diretoria ou superiores nos EUA e 35% do quadro corporativo total no país.
Alegação de tratamento desigual
De acordo com a EEOC, a Nike pode ter se envolvido em um padrão de tratamento desigual contra funcionários e candidatos brancos em decisões relacionadas a contratação, promoção, rebaixamento e desligamento, incluindo processos de demissão em massa.
A apuração também envolve programas de estágio, mentoria, desenvolvimento de liderança e capacitação profissional, que teriam favorecido determinados grupos raciais em detrimento de outros.
Origem da investigação
A investigação teve origem em uma acusação apresentada em maio de 2024 por Andrea Lucas, atual presidente da EEOC, que à época atuava como comissária republicana da agência. Pelas regras do órgão, comissários individuais têm autonomia para iniciar investigações próprias contra empresas.
Na quarta-feira, a EEOC afirmou que a Nike não cumpriu integralmente a intimação e pediu que a Justiça obrigue a companhia a entregar todas as informações requisitadas.
Mudanças no perfil de contratação
Dados analisados pela Bloomberg mostram que a Nike esteve entre as grandes empresas norte-americanas que registraram uma das maiores mudanças na contratação de trabalhadores não brancos entre 2020 e 2021, período marcado por forte pressão social e corporativa por diversidade após protestos antirracismo nos EUA.
O caso segue em análise pela Justiça americana e pode ter impacto direto nas políticas de diversidade corporativa adotadas por grandes empresas nos Estados Unidos.