Novas drogas para apimentar o sexo caem no gosto popular, mas podem matar; conheça
Prática conhecida como chemsex se espalha e impulsiona o consumo de drogas sintéticas
Casos recentes mostram como novas drogas para apimentar o sexo têm se popularizado, mas também revelam riscos graves. Um exemplo é o do turista russo Denis Kopanev, de 33 anos, encontrado morto em uma trilha no Horto, na Zona Sul do Rio, após meses desaparecido. Com ele, a polícia encontrou GHB, substância frequentemente associada ao chemsex, prática que mistura sexo e drogas e que tem crescido no Brasil.
Segundo autoridades e especialistas, essas substâncias prometem intensificar o prazer, mas podem causar overdose, colapso cardiovascular e morte, sobretudo quando combinadas entre si ou com álcool.
GHB/GBL: prazer rápido e alto risco
O GHB, também conhecido como “droga do estupro”, provoca relaxamento, desinibição e aumento da sensibilidade corporal. O problema é que a diferença entre a dose considerada “recreativa” e a overdose é mínima. A substância pode causar perda de consciência, convulsões, depressão respiratória e morte, especialmente quando misturada com álcool ou outras drogas.
No caso do turista russo, a polícia aponta o uso de GHB, metanfetamina e cocaína como possível causa do óbito.
Metanfetamina (‘tina’): energia extrema e dependência
Conhecida como tina ou “crack dos ricos”, a metanfetamina é uma das drogas mais usadas no contexto do chemsex. Ela aumenta energia, libido e resistência física, mas está associada a dependência severa, surtos psicóticos, arritmias cardíacas e comportamento sexual de alto risco.
Segundo o Relatório Global sobre Drogas da ONU, os estimulantes do tipo anfetamina (ATS), como a metanfetamina, responderam por quase metade das apreensões globais de drogas sintéticas em 2023, um recorde histórico.
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‘Cocaína rosa’ (tusi): mistura imprevisível
A chamada cocaína rosa, ou tusi, ganhou espaço em festas e eventos de alto padrão. Apesar do nome, não é cocaína. Trata-se de uma mistura que pode conter cetamina, MDMA, metanfetamina e outras substâncias, variando conforme o fabricante.
Os efeitos incluem taquicardia, aumento da pressão arterial, confusão mental e risco de infarto. O preço elevado — que pode ultrapassar R$ 1 mil por grama — não reduz o perigo. Pelo contrário: especialistas alertam que a composição imprevisível aumenta o risco de intoxicação grave.
Mefedrona e catinonas sintéticas
A mefedrona, classificada como catinona sintética, também é comum no chemsex. Ela atua nos sistemas de dopamina, serotonina e noradrenalina, gerando euforia intensa. Entre os riscos estão ansiedade extrema, paranoia, colapso cardiovascular e perda de consciência.
Essas drogas fazem parte de um mercado ilícito em expansão, com variedade cada vez maior de combinações químicas.
Medicamentos para ereção e misturas perigosas
O uso de remédios como sildenafila (Viagra) e tadalafila, quando combinado com drogas estimulantes ou vasodilatadoras, pode provocar queda abrupta da pressão arterial, infarto e AVC. Especialistas alertam que essas misturas são comuns no chemsex e ampliam significativamente o risco de morte.
Aumento de atendimentos e alerta das autoridades
Dados da Secretaria Municipal de Saúde do Rio mostram crescimento nos atendimentos relacionados ao uso de álcool e drogas: 13.789 pacientes em 2024, alta de mais de 53% em relação ao ano anterior. Em 2025, até agora, 14.956 pessoas já passaram por acompanhamento na rede pública.
Especialistas reforçam que o chemsex está associado ao aumento de ISTs, dependência química, depressão, isolamento social e overdoses fatais. A orientação é buscar informação, evitar misturas de substâncias e procurar ajuda médica ou psicológica ao identificar sinais de uso abusivo.