Opinião: “O que importa é que quem quer morar em um país decente está aprendendo que tem voz”
As manifestações deste domingo levaram mais de 700 mil pessoas às ruas do Brasil
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Foram manifestações lindas. A insatisfação correu pelo Brasil e foi colocada para fora tanto em 15/03, quanto em 12/04. E se uma foi maior que a outra, não importa. O que importa é que quem quer morar em um país decente está aprendendo que tem voz, e que pode usá-la. Isto tem nome e ele é bonito: é a consciência da cidadania.
De novo ouço críticas. Faltaria pauta, faltaria foco, faltaria resultado útil, não há propostas objetivas, insatisfação se resolve nas urnas. Ledo engano.
A pauta é um Brasil que aproveite, a favor exclusivo de seus cidadãos, todas as suas potencialidades; o foco é a exigência de que haja excelência na gerência do País, e há sim resultado útil, e ele é o fortalecimento não só do povo, mas também e principalmente das instituições que respaldam o surgimento desta desejada nova era para todos os brasileiros. Que virá.
Propostas objetivas? Não cabe a mim, cidadã, ensinar o que eles devem fazer: eu pago e pago regiamente para que eles façam o que deve ser feito. Posso até dar algumas ideias – p.e., corrupção e incompetência, de jeito algum – mas este é o trabalho DELES, não o meu.
Não tenho que dar soluções, tenho só que cobrar minha própria satisfação. E finalmente, quanto a se resolver nas urnas, eu diria “também”, mas não só: urnas são sim importantíssimas, vitais, mas entre uma e outra pode e deve haver correção de rumos. Não tenho que esperar quatro anos para mudar. Não está bom? Pois que façam diferente, e isto eu posso exigir.
Já passei por uma ditadura brutal, amigos próximos desapareceram, morreram, mas houve as Diretas Já e agora eu vivo em uma democracia plena, onde posso pensar, falar, protestar.
O Collor foi apeado do poder, aprendi que tenho este instrumento nas mãos, o impeachment. E agora, finalmente, eu e mais muitos, muitos brasileiros estamos insatisfeitos e achamos que é preciso parar com os desmandos, a roubalheira, a incompetência, o cinismo. Você está satisfeito? Fique em casa. Se não está, alguma coisa tem que ser feita. Há alguma ideia melhor? Outra solução? Porque não, estar infeliz e se conformar simplesmente, não é aceitável. Eu estou nas ruas. E vou continuar.