Quarta-feira, 28 de Outubro de 2026
INVESTIGAÇÃO

PF indicia Daniel Vorcaro e ex-presidente do BRB sob suspeita de crimes financeiros no Master

Defesas de ex-banqueiro e de Paulo Henrique Costa ainda não se manifestaram

Da Redação
Por - Goiânia, GO
Publicado em:
vorcaro

BRASÍLIA (FOLHAPRESS) – A Polícia Federal concluiu o primeiro inquérito sobre suspeitas relacionadas ao Banco Master e indiciou Daniel Vorcaro e outras 14 pessoas por suspeitas de crimes financeiros na venda de carteiras de crédito ao BRB (Banco de Brasília).

Entre os indiciados estão Paulo Henrique Costa (ex-presidente do BRB) e Augusto Lima (ex-sócio de Vorcaro).

Procuradas pela reportagem, as defesas de Vorcaro, de Paulo Henrique e de Augusto ainda não se manifestaram.

“Sob a perspectiva jurídico-penal, os elementos são compatíveis, em tese, com participação em atos de gestão fraudulenta do BRB, na medida em que as sucessivas aprovações contribuíram para manter e ampliar operações bilionárias mediante postergação, flexibilização ou esvaziamento dos controles internos”, diz o relatório da PF, entregue ao STF (Supremo Tribunal Federal), de 700 páginas.

A conclusão do órgão, diz o texto assinado por quatro delegados, “considera individualmente o conteúdo entregue antes de cada votação, o tempo disponível para análise, as atribuições funcionais de cada diretor, as manifestações eventualmente produzidas fora das atas e o grau de consciência sobre a insuficiência dos ativos.”

A PF afirma que entre julho de 2024 e outubro de 2025 o Master cedeu ao BRB ativos de crédito de aproximadamente R$ 17,5 bilhões e que, desse total, “ao menos R$ 12,2 bilhões correspondem a créditos comercializados sem a devida comprovação da sua existência”

As carteiras haviam sido adquiridas pelo Master da consultoria Tirreno e teriam origem em operações de empréstimo consignado firmadas por meio de associações de servidores públicos da Bahia.

Desde o ano passado, investigações do Banco Central, do MPF (Ministério Público Federal) e da PF apontaram suspeitas de que os créditos haviam sido forjados e foram utilizados para inflar o balanço do banco de Vorcaro, que repassou a carteira ao BRB num momento em que a instituição enfrentava dificuldades de liquidez.

Segundo o relatório, créditos fictícios foram montados em planilhas de Excel, transformados em cédulas de crédito bancário e registrados na bolsa de valores.

A perícia aponta que a Tirreno é oriunda de uma empresa de prateleira e não tinha estrutura, empregados nem patrimônio.

No BRB, a PF diz que as compras foram aprovadas em parcelas de R$ 750 milhões e ficavam sob responsabilidade da diretoria colegiada.

A Polícia Federal pede ainda que o inquérito seja prorrogado por mais 60 dias, com o objetivo de concluir exames periciais e outas análises complementares.

“A apuração abrange acentuada quantidade de contratos celebrados, cédulas de créditos bancário emitidas, múltiplos agentes e sucessivas operações financeiras, societárias e negociais, além de volumoso conjunto de documentos, dados bancários, registros contábeis e elementos telemáticos”, dizem os delegados.

Eles argumentam que “a adequada compreensão desse acervo demanda exame técnico especializado e análise integrada das diversas fontes probatórias”.

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