Sexta-feira, 24 de Julho de 2026
saúde

Pílula que se transforma em balão gástrico promete mesmos efeitos de bariátrica

Vídeo com o medicamento viralizou nas redes sociais. Médico explica a eficácia e riscos do método, que ainda não tem previsão de ser adotado no Brasil

Por - Goiânia, GO
Publicado em:

Para ser feita uma cirurgia bariátrica, indicada para pacientes com obesidade ou outras doenças paralelas, os médicos avaliam quatro critérios: idade, índice de massa corporal, outras doenças associadas e o tempo de doença. O ‘candidato à cirurgia’, deve ter entre 18 e 65 anos e índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 40 kg/m². Deve ter tido falha de tratamento clínico realizado por pelo menos dois anos. Além disso, a pessoa não pode apresentar algumas situações específicas, como limitação intelectual e distúrbios psiquiátricos.

A transformação estética de um paciente que realiza a cirurgia bariátrica é visível em pouco tempo. Por isso, muita gente que não precisaria fazer o procedimento tem a ilusão de que se ‘encaixaria’ nesses critérios médicos. Recentemente começou a circular um vídeo mostrando uma espécie de pílula que, ao ser ingerida, se transforma em balão gástrico. Os internautas ficaram empolgados com a possibilidade do método pouco invasivo.

A pílula-balão é uma alternativa para a cirurgia bariátrica, porém, para casos específicos. Ambos tem como finalidade o tratamento da obesidade, e tanto a cirurgia quanto o balão possuem particularidades que devem ser avaliadas individualmente. Esse balão se apresenta como uma alternativa, mas não substitui a cirurgia bariátrica em muitos casos.

Riscos

O médico Marcos Belotto, gastrocirurgião do Hospital Sírio Libanês, explicou questões a respeito da ‘pílula bariátrica’. “Por tratar-se de um método novo, os dados sobre sua segurança ainda são pouco conhecidos. Apesar disso, sabe-se que, por tratar-se de um corpo estranho no interior do estômago, o paciente pode apresentar desde náuseas e dor abdominal discreta, até o desenvolvimento de úlceras, sangramento gástrico e obstrução intestinal por migração do balão, quadros importantes e de risco à saúde do paciente, exigindo a retirada imediata dos balões”.  O médico informa que “quando o dispositivo é bem tolerado, porém, os estudos usados para sua aprovação e o fabricante relatam perda de peso variável, devendo ser associado à dieta e exercícios físicos, como ocorre na cirurgia bariátrica”.

Marcos Belotto conclui destacando que o paciente deve ser previamente esclarecido e preparado para adequações alimentares e de estilo de vida no pós-operatório. “Além de ser acompanhado por equipe multidisciplinar. É fundamental que ocorra adesão à dieta, realização de atividade física e outros cuidados, como tratamento de transtornos psiquiátricos, situações que frequentemente se associam com o retorno do sobrepeso”, conclui.

 

Categorias:
Brasil
Tags:
bariátrica Cirurgia saúde