Terça-feira, 22 de Setembro de 2026
Crise nas maternidades

Prefeitura de Goiânia pede distrato de convênios com gestora de maternidades após suspensão de serviços

Fundação nega que tenha sido feito pedido de distrato

Por - Goiânia, GO
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Foto SMS

A Prefeitura de Goiânia solicitou à Fundação Hospital das Clínicas da UFG (Fundahc) o distrato dos convênios de gestão dos Hospitais e Maternidades Célia Câmara e Dona Iris. A decisão foi tomada em reunião realizada na segunda-feira (24), após a entidade suspender cirurgias eletivas e outros procedimentos não-emergenciais nas unidades. Segundo a Fundação, a suspensão ocorreu devido à falta de insumos causada pelo atraso nos repasses financeiros, que deveriam ter sido feitos pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

Os hospitais e maternidades, que são administrados pela Fundahc, enfrentam problemas financeiros e operacionais. Usuários da rede pública relatam que os atendimentos de emergência e urgência também têm sido afetados pela falta de insumos básicos nas unidades de saúde.

Na última sexta-feira (21), o conselheiro Joaquim Alves de Castro Neto, do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás (TCM-GO), acatou pedido da vereadora Aava Santiago e determinou que a Prefeitura de Goiânia garantisse o pleno funcionamento das maternidades, incluindo a retomada dos serviços paralisados.

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) discute a formação de uma equipe de transição em conjunto com a Fundahc para buscar soluções para os problemas enfrentados pelas unidades de saúde.

Fundação afirma que não houve pedido de distrato de contrato

Em nota, a Fundahc informou que “não foi solicitado distrato à entidade, mas informado na reunião que foi uma determinação do prefeito” e que “cirurgias e procedimentos eletivos que necessitam de insumos continuam suspensos nas unidades, a não ser em casos específicos de urgência ou que há os insumos necessários em estoque”.

De acordo com a fundação, a dívida da SMS chega a R$ 67 milhões e envolve pagamentos que deveriam ter sido feitos desde 2021. O último repasse foi feito em 7 de julho deste ano e corresponde a menos de 50% do total devido pelo serviço prestado no mês de maio. Segundo a Fundahc, o valor foi utilizado para arcar com despesas de pessoal e algumas das atividades realizadas no mês de maio nas três unidades de saúde. 

A Fundahc informou que adotou todas as medidas possíveis para manter o serviço, mas que a falta de insumos básicos vão desde itens de higiene, alimentação, até equipamentos de proteção individual (EPI’s). A entidade diz que alguns itens foram tomados emprestados com outras unidades de saúde e a própria SMS providenciou alguns desses insumos, medidas consideradas paliativas pela fundação.

Segundo a Fundahc, seguindo os planos de trabalho vigentes, o custo mensal para funcionamento das três maternidades públicas de Goiânia é de R$20,2 milhões. Elas são responsáveis por mais de mil partos por mês, mais de 17 mil exames e cerca de 3,4 mil consultas, além de quase 6 mil atendimentos de urgência e emergência.

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