PSB: não há acusação ‘digna de honesta consideração’
Em nota, o PSB afirma que a reportagem da revista Veja registra uma "referência solta" ao ex-presidenciável, Eduardo Campos, morto em acidente no último dia 13, sem ter tido acesso ao documento da delação.
Ir direto pra matériaO Partido Socialista Brasileiro (PSB) afirma que não há “acusação digna de honesta consideração” mas “apenas malícia” ao ex-governador Eduardo Campos no depoimento do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. A nota, assinada pelo presidente da legenda, Roberto Amaral, afirma que a reportagem da revista Veja registra uma “referência solta” ao ex-presidenciável, morto em acidente no último dia 13, sem ter tido acesso ao documento da delação.
O PSB também diz que Eduardo Campos defendeu, desde as primeiras denúncias de corrupção na Petrobras, a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar possíveis “negócios escusos” e orientou os parlamentares da sigla a incluir as obras da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, como um dos itens a serem investigados.
O partido afirma ainda que há um “esquema perverso engendrado para desgastar a imagem de Eduardo Campos que tem origem no espectro da derrota próxima daquelas forças que há 20 anos sustentam uma polarização política artificial, cujo único objetivo é assegurar o poder pelo poder, usufruído de forma indecorosa, como sabe a sociedade brasileira.”
Na nota, o PSB afirma ainda que, morto, Campos não pode se defender, mas que isso será feito pela legenda “em todos os níveis, políticos e judiciais, no cível e no criminal”. E informa que está requerendo acesso ao conteúdo integral do depoimento do “administrador da corrupção na Petrobras”.
O texto também diz que “os socialistas não conhecem o medo nem o recuo” e continuarão “fiéis defensores do monopólio estatal do petróleo, em defesa da Petrobrás e em defesa do pré-sal como elementos essenciais de nosso projeto de independência e soberania nacional”. “Continuaremos nossa campanha eleitoral que já se avizinha como vitoriosa – para o desespero dos muitos que não mais poderão explorar os recursos públicos em proveito pessoal e de projetos político-partidários”, diz a nota.
Segue a íntegra da nota:
“Nota Oficial do Partido Socialista Brasileiro
O Partido Socialista Brasileiro, desde as primeiras denúncias de corrupção na Petrobrás, defendeu, sob a liderança de seu então presidente, Eduardo Henrique Accioly Campos, a instalação de CPI para investigar as denúncias de negócios escusos envolvendo a maior empresa brasileira – fruto de luta de anos, na qual os socialistas estiveram sempre à frente, ombro a ombro com os trabalhadores e demais forças nacionalistas.
Eduardo, ainda em março deste ano, formulava fundadas críticas à administração anti-republicana de nossa maior estatal, de importância estratégica para qualquer projeto de desenvolvimento e soberania do nosso país.
A desmoralização da Petrobrás só interessa aos que ainda perseguem a desnacionalização do pré-sal.
Já como pré-candidato à presidência da República, Eduardo defendeu, e nesse sentido orientou nossos parlamentares, a inclusão das obras da refinaria Abreu e Lima como um dos itens a serem investigados pela CPI – para cuja constituição, aliás, contribuíram nossas bancadas.
O esquema perverso engendrado para desgastar a imagem de Eduardo Campos tem origem no espectro da derrota próxima daquelas forças que há 20 anos sustentam uma polarização política artificial, cujo único objetivo é assegurar o poder pelo poder, usufruído de forma indecorosa, como sabe a sociedade brasileira.
A imprensa desta data associa, ainda que de passagem, o nome de Eduardo a uma malta de velhas e conhecidas raposas da velha política, no esquema sujo de corrupção na Petrobrás, comandado e administrado pelo engenheiro Paulo Roberto Costa – nomeado por um consórcio constituído pelo PT, PMDB e PP – em busca do recurso da ‘delação premiada’ que, mediante acordo com o MP, poderá reduzir-lhe as penas de prisão de que não se livrará.
A reportagem de uma revista semanal registra, sem haver tido acesso ao conteúdo do depoimento, uma referência solta do depoente a Eduardo. Essa matéria, com pequenas variáveis, é reproduzida pelos demais veículos gráficos.
Não há acusação digna de honesta consideração.
Há, apenas, malícia.
Não soa à toa a ameaça feita, em 11 de abril de 2014, veiculada na imprensa escrita e depois amplificada em portais e blogs, do presidente do Senado, Renan Calheiros, de incitar os governistas a, segundo suas palavras, “usar a CPI da Petrobrás para desgastar o ex-governador Eduardo Campos, provável adversário de Dilma Rousseff em outubro”. É o que se vê hoje…
Morto, Eduardo Campos não pode se defender. Mas seu Partido o fará, em todos os níveis, políticos e judiciais, no cível e no criminal, e para esse efeito já está requerendo acesso ao conteúdo integral do depoimento do administrador da corrupção na Petrobrás.
Os socialistas não conhecem o medo nem o recuo. Continuaremos nossa campanha eleitoral que já se avizinha como vitoriosa – para o desespero dos muitos que não mais poderão explorar os recursos públicos em proveito pessoal e de projetos político-partidários. Permaneceremos, como sempre, fiéis defensores do monopólio estatal do petróleo, em defesa da Petrobrás e em defesa do pré-sal como elementos essenciais de nosso projeto de independência e soberania nacional. Mas não descuidaremos do combate à corrupção.
Não descansaremos enquanto a Petrobrás não se livrar dos que, por dentro dela, roubam-na para assim alimentarem a má política.
É a homenagem que devemos à memória de Eduardo Campos.
Roberto Amaral
Presidente Nacional do Partido Socialista Brasileiro”