“Cuidar dos animais como São Francisco nos ensinou”: padre Luiz Augusto rebate críticas após polêmica com cachorro
Segundo Luiz Augusto, cachorro vive com liberdade em propriedade rural e recebe cuidados veterinários e alimentação adequada
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Após um vídeo em que aparece segurando um cachorro pela coleira provocar críticas nas redes sociais, o padre Luiz Augusto, da Paróquia Santa Teresinha, em Aparecida de Goiânia, afirmou ao Mais Goiás que a gravação foi tirada de contexto e acabou gerando críticas politicas. “Apenas o segurei para que não sujasse a batina”, afirmou. O cachorro, chamado Branquinho, foi resgatado por ele ainda filhote, junto com dois irmãos, que acabaram sendo adotados por uma fiel. Por ser mais agitado, Branquinho permaneceu com o padre. “O cuidado e o respeito pelos animais fazem parte da minha vida e da minha missão”, disse com exclusividade ao portal.
Em vídeo publicado em janeiro deste ano, o padre compartilhou momentos do resgate de Branquinho e revelou que o tratamento conferido aos seres sencientes faz do ministério católico. “Cuidar dos animais como São Francisco nos ensinou”, disse o Padre, que chegou a cursar Medicina Veterinária antes de decidir por seguir caminho religioso.
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Convivência e polêmica com Branquinho
Sem contato com os irmãos, o Branquinho criou um forte vínculo com Luiz. O religioso decidiu então adotá-lo. O cão vive em uma propriedade ampla, onde tem espaço para correr e brincar. “Ele é muito brincalhão, corre, pula, vai atrás das galinhas”, contou.
Foi justamente essa agitação que, de acordo com o padre, levou à cena registrada no vídeo polêmico. Naquele dia, ele precisava sair para uma agenda de visitas a presídios e a casas onde realiza ações de acolhimento e assistência espiritual. Enquanto se preparava para deixar o local, Branquinho teria pulado em sua batina. “Eu precisava sair para fazer as visitas e ele estava pulando na minha batina. Aí eu segurei um pouco para ele parar”, explicou.
O religioso disse que a contenção foi momentânea e que não houve intenção de machucar o animal. O cachorro, segundo ele, recebe acompanhamento veterinário, alimentação adequada e permanece livre na propriedade. “Jamais eu estaria fazendo isso. Nunca, Deus me livre. Eu ainda mais cuido de gente, pessoas o tempo todo”, declarou.
Abalo e ‘críticas políticas’
Além da repercussão do vídeo, o religioso acredita que o episódio possa estar relacionado a uma publicação feita por ele na mesma terça-feira (15), intitulada “A Farra Politiqueira”. No texto, Luiz Augusto fez críticas a práticas que atribui ao cenário político, “Eu acho que é uma retaliação mesmo, alguma coisa aí.”, disse.
Luiz Augusto contou ainda que ficou abalado com a forma como o episódio repercutiu e relatou uma situação que, segundo ele, mostrou que as críticas ultrapassaram a gravação. Uma pessoa teria perguntado a uma fiel: “ ‘Ah, esse é o seu padre?’ Machucando as pessoas por uma atitude minha”. O religioso disse ter se sentido especialmente incomodado por perceber que essa situação poderia estar atingindo também pessoas próximas a ele.
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Caridade e acolhimento
O trabalho é desenvolvido em três instituições ligadas à comunidade: Mateus 25, Casa dos nossos Pais e Casas dos nossos dos Filhos. Os espaços recebem, conforme relato do padre, crianças, adultos e idosos em situação de abandono, além de pessoas doentes que precisam de cuidados.
Atualmente, há mais de 200 pedidos de acolhimento que não podem ser atendidos por falta de vagas, segundo Luiz Augusto. Ele também relatou dificuldades financeiras para manter as instituições e disse que a folha de pagamento se aproxima de R$ 400 mil. “Eu queria que vocês vissem esse tipo de miséria que as pessoas estão vivendo e que ninguém socorre e que ninguém quer fazer nada”, afirmou.
Além das casas de acolhimento, o padre mantém uma rotina de visitas a presídios e outros locais onde presta assistência espiritual e acompanha pessoas em situação de vulnerabilidade.
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Padre Luiz Augusto
Nascido no campo, Luiz Augusto estudou em Colégio Agrícola e chegou a cursar Medicina Veterinária na Universidade Federal de Goiás (UFG) antes de seguir a vida religiosa. Ele afirma ter uma relação antiga com os animais e diz guardar outros registros em que aparece cuidando e brincando com cães.
Muito querido pelos “filhos” da paróquia, o padre leva uma rotina simples e, segundo ele, usa um telefone que serve apenas para fazer e receber chamadas. Parte do dia a dia do religioso passou a ser registrada por um dos fiéis, que decidiu divulgar as imagens para ajudar na arrecadação de doações destinadas às casas de acolhimento mantidas por ele.
Com histórico dividido entre serviço religioso e polêmicas, o padre já foi acusado de ocupar cargo fantasma na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), em 2015. Ele negou as acusações.
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