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Quer comprar a casa própria? Veja dicas de como se preparar e evitar dores de cabeça

Entenda opções de financiamento, custos extras e quando vale mais a pena comprar ou alugar

Quer comprar a casa própria? Veja dicas de como se preparar opções de financiamento, custos extras e quando vale mais a pena comprar ou alugar
Imagem: IA/Reprodução

Comprar a casa própria é o sonho de grande parte dos brasileiros — inclusive entre os mais jovens —, pois representa segurança, estabilidade e qualidade de vida, além de ser visto como um investimento de longo prazo; no entanto, especialistas alertam que, apesar de ser uma decisão muitas vezes emocional, comprar ou alugar exige análise cuidadosa, planejamento financeiro e organização para que o sonho não vire um problema, tornando essencial ficar atento às dicas, entender as opções de financiamento disponíveis e avaliar os custos envolvidos de acordo com o perfil de imóvel que cabe no orçamento.

Defina o tipo de imóvel e a localização

O primeiro passo é decidir qual tipo de imóvel atende às suas necessidades: casa ou apartamento, novo ou usado, tamanho, número de quartos e vagas de garagem. Também é fundamental escolher a localização, levando em conta fatores como mobilidade urbana, infraestrutura do bairro, proximidade do trabalho ou da escola, além do potencial de valorização.

Outros custos devem entrar na conta, como condomínio, IPTU e despesas de manutenção. Com essas definições, é possível fazer simulações de financiamento e entender qual valor de imóvel é compatível com a sua renda.

Analise suas finanças com cuidado

Antes de assumir um financiamento, coloque no papel todas as receitas e despesas mensais. Identifique onde é possível economizar e estabeleça uma disciplina financeira, definindo:

  • Valor disponível para entrada
  • Capacidade de pagamento das parcelas
  • Reserva para custos extras, como ITBI, escritura e registro

Essas despesas adicionais podem representar até 10% do valor do imóvel, um fator decisivo na comparação entre comprar ou continuar no aluguel.

Financiamento imobiliário: quais são as opções?

O financiamento imobiliário é o caminho escolhido por cerca de 9 em cada 10 brasileiros. A renda familiar é determinante para definir a linha de crédito disponível, seja no financiamento tradicional ou em programas com incentivo do governo.

As parcelas, em geral, não podem ultrapassar 30% da renda familiar bruta, e o prazo máximo costuma ser de até 35 anos (420 meses).

Minha Casa, Minha Vida: quem pode participar?

O programa Minha Casa, Minha Vida atende famílias de diferentes faixas de renda, com condições que variam conforme o perfil e a região do país:

  • Renda familiar urbana: pode chegar a cerca de R$ 8 mil a R$ 12 mil, dependendo da faixa
  • Valor do imóvel: geralmente entre R$ 350 mil e R$ 500 mil, conforme a cidade
  • Taxas de juros: menores que as do mercado, podendo ficar abaixo de 8,5% ao ano

Mulheres chefes de família têm prioridade no programa, e trabalhadores autônomos também podem participar, desde que comprovem renda.

FGTS: como usar no financiamento?

O FGTS pode ser usado para:

  • Entrada do imóvel
  • Amortização ou quitação do saldo devedor
  • Pagamento de até 80% das parcelas, por até 12 meses consecutivos

Para isso, é necessário cumprir regras como:

  • Ter mínimo de três anos de trabalho com FGTS
  • Não possuir outro imóvel financiado pelo SFH
  • Usar o imóvel para moradia própria

No Minha Casa, Minha Vida, o comprador ainda pode ter acesso ao FGTS Futuro, que permite usar depósitos futuros do fundo para ajudar no pagamento das prestações.

SFH e SFI: entenda as diferenças

SFH – Sistema Financeiro de Habitação

  • Para imóveis de até R$ 1,5 milhão
  • Financiamento de até 80% do valor
  • Juros limitados a 12% ao ano + TR
  • Uso do FGTS permitido

SFI – Sistema Financeiro Imobiliário

  • Para imóveis acima de R$ 1,5 milhão
  • Sem limite de renda
  • Possibilidade de financiar até 100% do valor
  • Condições negociadas diretamente com o banco

Comprar imóvel na planta: vale a pena?

A compra de um imóvel na planta pode ser uma alternativa para diluir o pagamento durante o período de obras, que costuma durar cerca de três anos. Em muitos casos, o financiamento é feito diretamente com a construtora.

É importante considerar:

  • Parcelas semestrais antes da entrega
  • Valor maior na entrega das chaves
  • Risco de variação dos juros e da inflação da construção

Pesquisar o histórico da construtora e possíveis processos judiciais é essencial.

Consórcio imobiliário é uma boa opção?

O consórcio imobiliário voltou a ganhar força, principalmente entre pessoas de 36 a 45 anos. Não há cobrança de juros, apenas taxa de administração. Em contrapartida, não há garantia de quando o comprador será contemplado — o prazo pode chegar a até 20 anos.

É indicado para quem não tem pressa, não consegue dar entrada e busca planejamento de médio ou longo prazo.

Leilões e pagamento à vista

Imóveis em leilão costumam ter preços atrativos e, em alguns casos, permitem financiamento. Porém, se o imóvel estiver ocupado, a desocupação é responsabilidade do comprador.

Já o pagamento à vista pode garantir descontos significativos, pois aumenta o poder de negociação.

Aluguel ou imóvel próprio? Entenda a regra dos 200

A chamada regra dos 200 ajuda na decisão:

  • Multiplique o valor do aluguel mensal por 200
  • Compare com o preço do imóvel

Se o resultado for maior que o valor de compra, adquirir o imóvel tende a ser mais vantajoso. Caso contrário, o aluguel pode ser a opção mais econômica naquele momento.

Cenário econômico influencia a decisão

O mercado imobiliário foi impactado nos últimos anos pelo encarecimento do crédito e pela saída de recursos da poupança. Por outro lado, as quedas recentes da Selic e as mudanças no Minha Casa, Minha Vida trazem um cenário mais otimista para quem planeja comprar.

Além disso, fatores pessoais como urgência da mudança, planos familiares e possibilidade de trabalhar em outras cidades devem pesar na decisão.