Saída de médicos causa desespero entre mães no CAPS Girassol
Fim do contrato acende alerta de descontinuidade do atendimento de crianças atípicas
O clima é de desespero entre mães e responsáveis por crianças que dependem do atendimento do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Girassol, unidade que atende toda a região Noroeste de Goiânia. A possível saída de profissionais que acompanham pacientes há anos acendeu um alerta sobre a descontinuidade de tratamentos, especialmente daqueles com transtornos do neurodesenvolvimento.
É o caso de Kátiana Pires, mãe solo de dois meninos diagnosticados com autismo e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Segundo ela, o médico que acompanha os filhos há três anos teve o contrato encerrado, o que colocou a família em uma situação de extrema insegurança. “Eu estou desesperada. Meus filhos precisam desses medicamentos. São remédios controlados, só consigo comprar com receita. Sem isso, é impossível manter meu filho na sala de aula, é impossível manter meu filho convivendo em sociedade”, desabafa Kátiana.
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Sem condições financeiras para arcar com um acompanhamento particular, ela teme um retrocesso no desenvolvimento das crianças. “Eu sou mãe solo. Não tenho condições de pagar um neuropsiquiatra. A gente luta por um direito básico, que é o tratamento. Não pode simplesmente interromper assim”, afirma.
A preocupação se repete entre outras mães atendidas pelo CAPS Girassol. Hayelle Jhulya Sousa, também mãe solo de crianças com necessidades especiais, relata situações extremas vividas quando o tratamento não é garantido. “Sem medicação, meu filho já tentou se machucar. É muito preocupante. A gente se sente abandonada”, relata.
Para essas famílias, o medo vai além da troca de profissionais. A principal angústia é a interrupção do tratamento, a dificuldade em conseguir receitas médicas, a falta de acompanhamento contínuo e o impacto direto no desenvolvimento das crianças. “Nossos filhos precisam desse tratamento para viver com dignidade. A gente clama por socorro”, reforça Hayelle.

A situação também aflige Irailda Cardoso, que diz ter sido informada diretamente pela médica de que o atendimento não poderá continuar. “Eu cheguei aqui e a médica disse que futuramente não vai mais poder atender. E aí, como eu faço? Eu não tenho condições de pagar particular”, questiona.
As mães cobram a renovação dos contratos dos profissionais e afirmam que o problema afeta não apenas a região Noroeste, mas também outras áreas da capital. “A gente luta pelo atendimento, luta por tudo. Não dá pra aceitar que o tratamento dos nossos filhos seja interrompido”, afirma Irailda.
O que diz a Secretaria Municipal de Saúde
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que está com edital de credenciamento médico em aberto para a contratação de profissionais que irão atuar em toda a rede municipal. Segundo a pasta, não há impedimento para que médicos que já atuam nos Centros de Atenção Psicossocial se inscrevam. A secretaria também reforçou que os processos de credenciamento seguem critérios técnicos e legais.
Confira a íntegra da comunicação:
Nota da Secretaria Municipal de Saúde
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informa que está com edital de credenciamento médico em aberto para a contratação de profissionais que irão atuar em toda a rede municipal de saúde.
De acordo com a pasta, os médicos que desejam continuar atuando nas unidades do município precisam participar do processo de credenciamento, conforme previsto no edital. A SMS ressalta que não há qualquer impedimento para que os profissionais que atualmente atendem nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) se inscrevam e participem do processo.
A Secretaria reforça que o credenciamento segue critérios técnicos e legais e tem como objetivo garantir a continuidade e a regularidade dos atendimentos prestados à população.
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