Segunda-feira, 28 de Setembro de 2026
entenda

Anvisa investiga 13 casos de cegueira ligados ao uso de canetas emagrecedoras

"Avaliação depende da qualidade e da completude das informações clínicas disponíveis em cada caso", diz Anvisa

Por - Goiânia, GO
Publicado em:
Anvisa investiga 13 casos de cegueira ligados ao uso de canetas emagrecedoras Avaliação depende da qualidade Wegovy Ozempic Mounjaro

A Anvisa investiga 13 notificações de suspeita de Noiana (Neuropatia Óptica Isquêmica Anterior Não Arterítica) entre pessoas que usam canetas emagrecedoras. A doença é um evento adverso raro que pode provocar perda súbita e permanente da visão, mas a agência ressalta que os casos investigados não significam que os medicamentos tenham causado a doença.

Das notificações, cinco envolvem pessoas que usaram Ozempic, três Wegovy, duas Wegovy FlexTouch, duas Rybelsus e uma Mounjaro. Ozempic, Wegovy e Rybelsus são fabricados pela Novo Nordisk e têm a semaglutida como princípio ativo. Já o Mounjaro, da Eli Lilly, utiliza tirzepatida.

Segundo a Anvisa, a avaliação depende das informações clínicas disponíveis em cada caso, incluindo a confirmação do diagnóstico, o intervalo entre o uso do medicamento e o surgimento dos sintomas, outras condições de saúde, medicamentos utilizados e possíveis causas alternativas.

A Noiana ocorre quando há redução do fluxo sanguíneo para a parte anterior do nervo óptico. A doença é considerada multifatorial e pode estar associada a fatores como idade acima de 50 anos, hipertensão, diabetes, colesterol elevado, doenças cardiovasculares, tabagismo e, principalmente, apneia obstrutiva do sono.

Alerta para perda súbita da visão

Em junho de 2025, a Anvisa emitiu um alerta sobre a Noiana como evento adverso muito raro associado à semaglutida e determinou a inclusão do risco nas bulas dos medicamentos que contêm o princípio ativo.

A recomendação é que pessoas que utilizam esses medicamentos procurem atendimento médico imediatamente caso apresentem perda súbita ou piora rápida da visão.

Para Clayton Macedo, professor da Unifesp e diretor de comunicação da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), existe um sinal de associação entre os agonistas de GLP-1 e a Noiana, mas ainda não é possível estabelecer uma relação direta de causa e efeito.

Um estudo publicado na revista Diabetes Care, da Associação Americana de Diabetes, encontrou uma incidência de 18 casos de Noiana a cada 100 mil pessoas-ano entre usuários de medicamentos da classe dos GLP-1, contra 7,2 casos entre usuários de medicamentos da classe DPP-4.

Macedo afirma que, por se tratar de uma ocorrência muito rara, os dados não são motivo para desaconselhar de forma geral o uso das canetas em pacientes com diabetes ou obesidade. Segundo ele, a decisão deve considerar os riscos e benefícios de cada tratamento.

O que dizem as fabricantes

A Novo Nordisk afirmou que a segurança dos pacientes é uma prioridade e que acompanha continuamente os relatos de eventos adversos. A empresa contesta que as evidências disponíveis permitam estabelecer uma relação causal entre a semaglutida e a Noiana.

A farmacêutica citou uma análise de ensaios clínicos que reuniu mais de 83 mil pacientes-ano de observação. Segundo a empresa, foram identificados poucos casos confirmados por oftalmologistas e não houve aumento da incidência entre os participantes que receberam semaglutida.

A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, não havia respondido ao pedido de posicionamento até a publicação do levantamento.

Categorias:
Brasil Saúde
Tags:
Anvisa caneta emagrecedora Canetas emagrecedoras Doença Mounjaro Ozempic Wegovy