Quinta-feira, 23 de Julho de 2026
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Novas gerações podem estar envelhecendo mais rápido em nível molecular, provocando cânceres precoces, diz estudo

Cientistas dizem que hipótese explicaria surgimento da doença em pessoas cada vez mais jovens

Por - Goiânia, GO
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Via O Globo – O câncer pode estar mais frequente não apenas devido ao aumento da expectativa de vida, mas porque os jovens talvez estejam envelhecendo mais depressa. Num momento em que algumas pessoas de 60 anos ou mais parecem mais novas e são mais ativas e produtivas que seus pais e avós quando tinham a mesma idade, essa hipótese parece contraintuitiva. Porém, o estudo que levantou essa possibilidade, publicado na Nature Medicine, não analisa aparência física, mas envelhecimento no nível molecular.

Os autores do trabalho enfatizam que se trata de hipótese, não de certeza. Mas ainda assim o artigo tem atraído atenção e polêmica. Isto porque levanta pistas teoricamente plausíveis para ajudar a decifrar o até agora inexplicável aumento de casos de câncer na juventude e meia-idade, observado em todo mundo.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), entre 1990 e 2019, os cânceres diagnosticados antes dos 50 anos aumentaram 24% em nível global.

E, desde os anos 90 do século passado, os cânceres de início precoce, diagnosticados em adultos frequentemente com menos de 50 ou 55 anos, se tornaram um desafio global. Fatores ligados ao estilo de vida como obesidade, sedentarismo, consumo elevado de ultraprocessados, estresse, tabagismo e exposição a poluentes têm sido apontados como possíveis culpados, mas nada foi ainda comprovado. Há também a melhora na captação dos dados e do diagnóstico, mas estes sozinhos não explicam o aumento observado mundialmente, dizem os pesquisadores.

O impacto é sobretudo nos chamados tumores sólidos, como os de pulmão, órgãos do sistema digestivo e útero.

Diferenças nos Millennials

Liderados pela epidemiologista molecular Yin Cao, da Universidade de Washington, os pesquisadores analisaram dados genéticos de 154.169 mil pessoas do Biobank, no Reino Unido. Eles descobriram que as discrepâncias entre as idades biológica e cronológica eram maiores em pessoas nascidas entre 1965 e 1974 do que naquelas nascidas entre 1950 e 1954.

Ou seja, as pessoas eram biologicamente mais velhas do que indicava seu documento de idade.

Resultado similar foi encontrado e validado em 10.262 pessoas com dados no Programa de Pesquisa All of Us dos Estados Unidos. E chama a atenção de que, nos EUA, dados dos nascidos entre 1990 e 1999, os millennials, da geração Y, apresentaram uma taxa de diferença entre a idade biológica e a cronológica 92% maior do que as pessoas nascidas entre 1965 e 1969.

Isso significa que eles exibiam sinais biológicos de envelhecimento mais avançado do que o normal para a idade cronológica do que a geração mais velha, quando esta tinha a mesma faixa etária.

Quase sempre são sinais sutis, mas que podem fazer diferença na resposta, por exemplo, do sistema imunológico a fatores de agressão, como inflamação associada ao excesso de peso e ao sedentarismo.

Novos fatores de risco

Os cientistas viram que ao longo de 15 anos, pessoas que envelheciam biologicamente mais rápido tiveram maior probabilidade de serem diagnosticadas, em idades mais precoces, com cânceres de pulmão, do trato gastrointestinal e do útero.

Uma explicação levantada pelo estudo é que os jovens estejam sendo expostos a novos fatores que causam câncer ou que nossas defesas estejam de alguma forma alteradas.

O estudo não contesta a influência de fatores ambientais. Ao contrário, indica caminhos pelos quais estes podem estar levando ao desenvolvimento precoce do câncer. Este é uma doença normalmente associada a falhas no funcionamento das células características do envelhecimento.

Os autores também observaram que a relação entre tumores e idade precoce não parece depender apenas da herança genética. Mesmo após ajustes para fatores hereditários ligados ao envelhecimento e ao câncer, a associação permaneceu. Isso sugere que mudanças no ambiente, no estilo de vida e nas exposições acumuladas ao longo da vida podem estar contribuindo para esse padrão.

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