Sexta-feira, 11 de Setembro de 2026
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Polícia Civil prende 11 por agiotagem no DF após feirante morrer por dívidas

Vídeos mostram a ostentação do dinheiro obtido com os empréstimos

Por - Goiânia, GO
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Polícia Civil prende 11 por agiotagem no DF após feirante morrer por dívidas Vídeos mostram a ostentação do dinheiro obtido

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu, nesta semana, 11 suspeitos de integrar uma organização criminosa especializada em agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro. Segundo as investigações, o grupo oferecia empréstimos com juros de até 20% ao mês e recorria a ameaças e violência para cobrar as dívidas.

Ao todo, foram cumpridos 47 mandados judiciais no Distrito Federal, em Goiás e no Tocantins: 12 de prisão preventiva, 18 de busca e apreensão e 17 de bloqueio financeiro. Um dos alvos ainda está foragido.

Entre os presos está José Luiz Silva Sá, sargento reformado da Polícia Militar de Goiás. Segundo a polícia, ele integrava o braço armado do grupo e utilizava armas de fogo para intimidar devedores.

Feirante morreu após pressão de agiotas

A investigação começou após um comerciante de 68 anos, conhecido por trabalhar na Feira dos Goianos, em Taguatinga, contrair um empréstimo com agiotas e não conseguir quitar a dívida.

De acordo com a Polícia Civil, o homem passou a sofrer intensa pressão psicológica por causa das cobranças. Semianalfabeto, ele utilizava o celular e a conta bancária de familiares para negociar as parcelas diárias e tentar manter o negócio da família.

Em março de 2025, o comerciante morreu após ser submetido ao que os investigadores descrevem como uma situação de extrema pressão causada pelas dívidas.

Após a morte do homem, segundo a polícia, os criminosos passaram a cobrar diretamente a filha dele. A jovem recebeu mensagens e áudios com ameaças graves e foi pressionada a assumir os débitos deixados pelo pai.

As apurações apontaram ainda que o comerciante havia sido alvo de dois núcleos criminosos. Um deles era formado por colombianos que atuavam nas cobranças e já havia sido alvo de uma operação policial no ano passado. A ação desta quinta-feira (10) teve como alvo o segundo grupo, formado por brasileiros que atuavam no Distrito Federal, Goiás e Tocantins.

Cheques, documentos e computador apreendidos com suspeitos de agiotagem no DF — Foto: PCDF

Grupo movimentou R$ 10 milhões em oito meses

Segundo os investigadores, a organização criminosa cobrava os empréstimos diariamente e aplicava juros abusivos. Em oito meses, o grupo teria movimentado R$ 10 milhões.

Para ocultar a origem dos valores, os investigados utilizavam contas bancárias de familiares e empresas, em uma tentativa de lavar o dinheiro obtido com os empréstimos e cobranças ilegais.

Durante a operação, os policiais apreenderam oito carros de luxo, celulares, dinheiro, 10 armas de fogo e grande quantidade de munições.

Áudios tinham ameaças de morte

A Polícia Civil também apreendeu áudios enviados por integrantes do grupo para pressionar os devedores. Duas mulheres seriam responsáveis pelo envio de parte das ameaças.

Em algumas das gravações, elas dizem frases como:

  • “Vou encher a sua cara de bala”;
  • “Hoje, eu só saio daqui com o meu dinheiro”;
  • “Estou te esperando aqui fora”.

A investigação também identificou vídeos que mostram a ostentação do dinheiro obtido com os empréstimos. Em uma das gravações, um dos presos aparece sentado em um sofá cercado por dinheiro e afirma que havia levado os valores em um saco.

“Antigamente, o dinheiro corria atrás de mim, e hoje sou eu que corro atrás do dinheiro”, diz Adailton Fernandes de Oliveira, identificado pela polícia como um dos integrantes do grupo.

Sargento reformado é apontado como braço armado

Segundo a Polícia Civil, o sargento reformado da Polícia Militar de Goiás José Luiz Silva Sá dava suporte à estrutura de intimidação do grupo. A investigação aponta que ele utilizava armas de fogo para ameaçar pessoas que não conseguiam pagar as dívidas.

Os investigadores afirmam que a organização tinha uma estrutura dividida entre integrantes responsáveis pela concessão dos empréstimos, cobrança e intimidação dos devedores.

Os presos são investigados por crimes como extorsão, organização criminosa armada e lavagem de dinheiro. Ao fim das investigações, caberá ao Ministério Público avaliar quais acusações serão incluídas em eventual denúncia à Justiça.

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