Saúde mental

Tipo específico de ansiedade pode reduzir risco de morte em 35%, diz pesquisa

Perfi Eris está ligado a hábitos mais saudáveis, desvenda ciência

Tipo específico de ansiedade, o perfil Eris, pode contribuir com menor risco de morte
Tipo específico de ansiedade, o perfil Eris, pode contribuir com menor risco de morte (Foto: Magnific)

Um tipo específico de ansiedade pode reduzir em 35% o risco de morte, segundo um estudo publicado na revista científica Science Bulletin. A pesquisa, conduzida por cientistas da Academia Chinesa de Ciências e da Universidade Normal de Pequim, analisou dados de personalidade de mais de 400 mil pessoas.

Os pesquisadores identificaram um perfil chamado Eris, sigla para “Reatividade Emocional e Estabilidade Interna”. Segundo o estudo, pessoas com esse perfil costumam apresentar altos níveis de preocupação e ansiedade, mas sem oscilações bruscas de humor ou crises emocionais frequentes.

Ansiedade e risco de morte

De acordo com os cientistas, participantes com alto índice de Eris apresentaram taxas mais baixas de doenças relacionadas ao estilo de vida e maior tendência a adotar hábitos considerados saudáveis.

Entre os comportamentos observados estão menor probabilidade de fumar, maior chance de abandonar o cigarro, prática mais frequente de exercícios moderados e maior procura por cuidados médicos preventivos.

Para os pesquisadores, esse padrão pode ajudar a explicar a redução no risco de morte identificada durante o estudo.

O cérebro de pessoas ansiosas

Os exames cerebrais realizados durante a pesquisa mostraram maior atividade em regiões ligadas à percepção de ameaças e respostas de defesa, como amígdala, hipocampo, tálamo e cerebelo.

Segundo os cientistas, isso pode indicar que esse perfil de ansiedade atua como mecanismo de proteção diante de riscos evitáveis.

Além do Perfil Eris

Além do perfil ERIS, os pesquisadores identificaram um segundo tipo de neuroticismo considerado mais prejudicial à saúde emocional. Diferentemente do grupo associado à preocupação estável, esse perfil apresenta maior instabilidade de humor e mais dificuldade para controlar emoções negativas.

Segundo o estudo, pessoas com esse tipo de neuroticismo tendem a apresentar oscilações emocionais mais intensas, crises emocionais e maior sensibilidade ao estresse.

Os exames cerebrais mostraram que esses indivíduos possuem maior atividade em áreas do cérebro ligadas à regulação emocional e ao automonitoramento. Para os cientistas, isso pode indicar que esses mecanismos são menos eficientes no controle de emoções negativas persistentes.

Os pesquisadores afirmam que os resultados ajudam a mostrar que o neuroticismo não funciona da mesma forma em todas as pessoas e que determinados padrões de ansiedade podem produzir efeitos diferentes sobre saúde, comportamento e risco de mortalidade.

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