Veja fotos da Viradouro, campeã do Carnaval do Rio 2026
Viradouro homenageou mestre Ciça, mestre de bateria que está em atividade no Carnaval do Rio de Janeiro há cerca de 40 anos
Com um enredo que homenageou Mestre Ciça, ícone do carnaval carioca, a Viradouro se sagrou campeã do carnaval do Rio de Janeiro de 2026. Mais cedo, a agremiação já havia conquistado o Estandarte de Ouro como melhor escola do desfile desse ano, numa votação promovida pelos jornais O Globo e Extra.
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Ciça, que hoje tem 69 anos, é o mestre de bateria mais longevo em atividade. Está na função há cerca de 40 anos e ingressou nesse universo como passista, em 1971, para depois tornar-se ritmista na São Carlos, onde tocou agogô de duas bocas. Após o primeiro casamento, em 1977, fez uma pausa na folia a pedido da então esposa, que não se conformava em ter de passar as madrugadas longe do marido. Não suportou a distância de sua outra paixão e acabou voltando para o samba em 1986, já na Estácio e ainda como ritmista.

Dois anos depois foi convidado para virar mestre de bateria. Estreou no novo posto no desfile seguinte, cujo enredo era “Um, dois, feijão com arroz”. Em 1992, a escola foi campeã, com “Pauliceia Desvairada”.
A escolha de transformar o mestre em tema não foi apenas afetiva. A Viradouro levou para a avenida uma narrativa que celebra a trajetória de Ciça como símbolo de disciplina, liderança e resistência do samba. O desfile percorre sua história desde o início na Estácio, berço onde cresceu, passando pelas passagens por União da Ilha do Governador, Acadêmicos do Grande Rio e Unidos da Tijuca, até os títulos conquistados — incluindo os campeonatos da própria Viradouro, em 2020 e 2024.

Na concentração, a cena ajudava a explicar o personagem que virou enredo. Nada de isolamento ou formalidades. Ciça chegou cedo, acompanhou a descarga dos instrumentos dos 282 ritmistas, jogou baralho, improvisou um churrasco e se sentou no meio-fio da Avenida Presidente Vargas para esperar a hora do desfile.
— Estou aqui porque gosto muito. Podia estar no hotel, porque sou enredo. Mas não vou mudar 38 anos de bateria — afirma.
Homenageado e operário da mesma escola, ele manteve o ritual simples: orientou componentes, posou para fotos, aprendeu a enviar localização pelo celular e admitiu um nervosismo discreto.
— Hoje estou um pouquinho mais — disse, antes de completar que faz apenas uma oração antes de entrar na avenida.






