12h de estudo por dia: Goiano conta como conquistou o 2º lugar em IA, um dos cursos mais disputados do Brasil
“Foram 3 anos de muito foco e dedicação ao longo do meu ensino médio”, conta estudante que alcançou a vaga pretendida
O curso de Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (UFG) ganhou destaque nacional nos últimos anos ao se tornar um dos mais concorridos do país, superando, inclusive, a tradicional disputa por Medicina. Em meio a milhares de candidatos, o estudante Davi de Pina alcançou o segundo lugar geral, resultado de uma preparação longa, estratégica e marcada por dedicação intensa ao longo do ensino médio. Segundo ele, a rotina incluía cerca de 12h de estudos por dia.
A escolha pela área da tecnologia não foi repentina. Segundo Davi, o interesse pela computação sempre esteve presente, mas ganhou forma com os avanços recentes da Inteligência Artificial. “Minha vontade sempre foi trabalhar na área da computação. Nesses últimos anos, o avanço impressionante da IA me fez interessar muito pela área e, consequentemente, querer seguir carreira no ramo”, afirma.
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A decisão pela UFG veio após pesquisa e conversas com docentes e estudantes do curso. “Depois de conversar com professores e alunos do curso de IA da UFG, me pareceu a melhor opção, principalmente pelos grandes investimentos que o curso está tendo ultimamente.”
Disciplina e constância
A preparação para disputar uma vaga tão concorrida começou cedo e se estendeu por três anos. “Foram 3 anos de muito foco e dedicação ao longo do meu ensino médio”, conta. No primeiro ano, o contato com olimpíadas científicas despertou um novo olhar para os estudos. “Comecei a me interessar por olimpíadas científicas, o que me fez aprofundar em algumas matérias e a criar gosto pelo estudo.”
Foi no segundo ano que a preparação ganhou um direcionamento claro para os vestibulares. “Sempre assistia às aulas com muito foco e, à tarde, passei a fazer exercícios sobre as matérias que eu havia tido aula naquele dia e a resolver provas antigas dos vestibulares que eu prestaria”, relata. O método, recomendado pelos professores, rapidamente se tornou eficaz. “Sem sombra de dúvidas, me fez evoluir muito rapidamente.” Ainda nesse período, Davi começou a prestar vestibulares como forma de adquirir experiência e já colheu resultados expressivos: “No final do ano, consegui ser aprovado em 3º lugar para Engenharia Elétrica na Unesp.”

O terceiro ano do ensino médio foi, segundo ele, o mais intenso. “Sem sombra de dúvidas foi o ano em que eu mais me dediquei na minha vida.” Com uma rotina totalmente estruturada pelos professores, Davi manteve uma carga horária rigorosa. “No terceiro ano, eu tinha aula das 7h10 às 13h05 e, depois, estudava das 14h30 às 20h30, em média.” Aos sábados, o ritmo seguia firme, com aulas pela manhã e simulados à tarde.
“Caminho leve”
Apesar do cansaço, o suporte emocional foi decisivo para manter o equilíbrio. “Apesar da rotina exaustiva, meus professores, meus familiares e meus amigos fizeram com que eu conseguisse trilhar esse caminho com mais leveza, o que foi essencial para que eu conseguisse me preparar o ano todo sem me esgotar antes da hora.” O esforço resultou em múltiplas aprovações. “Concluí o ensino médio aprovado na UFU, na Unesp, na EsPCEx e, enfim, na UFG, que era meu foco.”
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Ao receber a notícia do segundo lugar em um dos cursos mais disputados do país, o sentimento foi de realização. “Foi uma sensação incrível ver que, após todo esse esforço, eu havia conquistado tudo aquilo que eu almejava e mais um pouco”, descreve. “O momento foi definido em alegria, em alívio e, acima de tudo, no sentimento de dever cumprido.”
Otimista quanto ao futuro da área, Davi enxerga a Inteligência Artificial como um campo ainda em expansão. “Atualmente, vejo como uma área que, apesar do desenvolvimento exorbitante dos últimos anos, ainda tem muito a ser explorada e que, de fato, é o que moldará nosso futuro.”
Para ele, o cenário em Goiás reforça essa perspectiva. “Atualmente, Goiás é a capital da Inteligência Artificial no país”, afirma, destacando o trabalho desenvolvido na UFG e no CEIA. “Não tenho dúvidas de que essa é a melhor opção para quem quer entrar de cabeça no ramo mais promissor da atualidade.”
Disputa acirrada
O curso de IA da UFG mais uma vez esteve entre os mais concorridos do país. Conforme mostrado pela reportagem do Mais Goiás a disputa por uma vaga registrou o segundo maior ponto de corte do Sisu 2026. Com nota mínima de 846,72 pontos na ampla concorrência, a graduação ficou atrás apenas de Medicina da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira.
Além da ampla concorrência, o curso de Inteligência Artificial da UFG também aparece entre os mais concorridos na modalidade de escola pública, com nota de corte de 827,11 pontos, reforçando o alto interesse pela graduação em diferentes perfis de candidatos.
“Conseguir emprego é facil”
A reportagem do Mais Goiás também conversou recentemente com ex-alunos do curso. Agora formados, os profissionais da área atestaram que o mercado de trabalho oferece diferentes oportunidades. Heloisy Rodrigues, que hoje atua em IA na área financeira, disse que quando o aluno pega o diploma, o emprego é “algo natural”. “Falta profissional, então você não passa por aquele desespero do ‘me formei, e agora?'”, relata.
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De acordo com Heloisy, muitos alunos já saem da universidade com uma vaga encaminhada ou com projetos próprios. “Às vezes você já tem um trabalho engatilhado, só esperando colar grau para assumir. E também tem muito incentivo ao empreendedorismo”, diz. Ela mesma seguiu esse caminho: “Eu saí da faculdade empreendendo, montei uma startup com colegas”.
“Se você é um bom profissional, certamente terá acesso a muitas vagas de trabalho”, considera. Um diferencial muito importante, segundo ela, passa pelo domínio do inglês. “Se você sabe, você consegue trabalhar remoto para empresas estrangeiras e ganhar bem mais”. De acordo com a profissional, todos os colegas da primeira turma saíram empregados. “Ninguém ficou parado depois de formado”, encerra.