“A greve é legal e começa amanhã”, diz presidente do Sintego após liminar; entenda
Sindicato diz que, apesar da decisão, sempre manteve 70% do efetivo em atividade durante os movimentos grevistas
A presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), Ludmylla Morais, usou as redes sociais para reforçar o início da greve da Rede Municipal de Educação de Goiânia, previsto para esta terça-feira (12). Em vídeo divulgado após decisão liminar da Justiça, a dirigente afirmou: “Não se intimide. A greve é legal e começa amanhã.”
A manifestação ocorre depois que o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) determinou que o sindicato mantenha ao menos 70% dos servidores administrativos em atividade durante a paralisação. A decisão foi proferida na noite de sábado (9) pelo desembargador Maurício Porfírio Rosa, em ação movida pela prefeitura de Goiânia.
Ao comentar o assunto, Ludmylla sustentou que o movimento está respaldado na legislação e que sempre cumpriu o que determina a liminar. “Tem muita gente perguntando sobre essa liminar. Ela diz que a greve é legal e que precisaremos garantir um percentual que nós sempre garantimos. A legislação prevê a manutenção de um percentual mínimo de atendimento, compromisso que o Sintego sempre garantiu durante os movimentos grevistas. Esse percentual é da rede e não da sua unidade educacional. Então feche sua escola, pare todos. Esteja lá amanhã [terça-feira, 12] para tratarmos juntos do calendário de greve”, disse.
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Em seguida, a presidente convocou toda a classe para o encontro, que terá início às 8h, em frente ao Cepal do Setor Sul. A reunião marcará o primeiro dia de mobilização grevista da categoria. Nela será definido o calendário de paralisação, movimento já aprovado em Assembleia Geral da categoria. No dia 7 de maio, vale lembrar, os profissionais deliberaram greve por tempo indeterminado em Goiânia.
A dirigente do sindicato também aproveitou a gravação para lembrar que o movimento é legítimo e respaldado pela Lei de Greve (Lei nº 7.783/1989), que assegura o direito constitucional de paralisação quando as negociações não avançam.
Tudo começou, segundo o Sintgeo, pela “falta de avanços nas negociações com a administração municipal e da ausência de respostas concretas para as pautas da categoria”. Entre as principais reivindicações estão o plano de carreira dos administrativos, o pagamento das progressões, o reajuste do piso salarial dos professores, a data-base e a aplicação das leis do descongela e do enquadramento.
ASSISTA O VÍDEO:
Na decisão liminar proferia no último sábado, o magistrado determinou prioridade para a preservação das unidades de educação infantil e dos serviços de alimentação escolar. O Sintego também deverá apresentar, em até 24 horas, um plano mínimo de continuidade das atividades educacionais. Em caso de descumprimento, o sindicato poderá ser multado em R$ 5 mil por dia, com limite inicial de R$ 50 mil. Leia mais sobre a decisão aqui.
Nas redes sociais, servidores de diferentes regiões da capital manifestam apoio ao movimento e relatam a situação enfrentada no dia a dia das escolas. “Muitas unidades atualmente funcionam abaixo dos 70% desdeo início do ano”, relatou a seguidora Elida Escorcio.
E continuou: “Na unidade em que trabalho, estamos há meses atuando com apenas 60% da equipe necessária,, porque 40% das vagas seguem sem lotação”. Para ela, a preocupação com a continuidade do atendimento às crianças “não pode aparecer apenas durante a greve. Ela precisa existir também no cotidiano das unidades”, pontuou.