Advogado é investigado por falsificar assinaturas e fraudar processos contra Comurg
Henrique Luiz dos Santos Neto ajuizou 76 ações contra a Comurg apenas em 2025. Um dos processos pede R$ 652 mil por danos morais
Um advogado é investigado suspeito de comandar um esquema de falsificação documental e processual em casos trabalhistas da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg). O profissional, conforme denúncia formalizada por funcionários da empresa e pela própria Comurg, figura como procurador em 76 ações ajuizadas no ano de 2025, nas quais servidores da companhia constam como partes. Apenas um dos processos pede indenização de R$ 652,5 mil por danos morais.
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De acordo com a Comurg, servidores ouvidos pela companhia afirmaram desconhecer o ajuizamento das referidas demandas e comunicaram formalmente à empresa que jamais outorgaram procuração ao advogado Henrique Luiz dos Santos Neto. A empresa afirmou que requereu a realização de perícia grafotécnica, cujo resultado preliminar reforçou a hipótese de falsificação documental. O Mais Goiás entrou em contato com o advogado para que se posicionasse, mas não obteve retorno.
“Quando nos deparamos com os primeiros indícios, determinei uma apuração criteriosa de forma interna e, agora, com os laudos, tivemos condições de formalizar uma denúncia para que a situação seja investigada”, informou o presidente da Comurg, Cleber Aparecido Santos.
A Comurg denunciou o advogado à Corregedoria do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-GO). O caso também é investigado pela Polícia Civil (PC). A principal suspeita é de que a empresa tenha sido alvo de ações judiciais em que os servidores teriam tido documentos vazados por meio de acesso externo ao sistema de gestão de pessoas.
A companhia tomou conhecimento do esquema após uma servidora ser convocada pela corregedoria, a fim de esclarecer a então denúncia contra a empresa. A mulher foi pega de surpresa, visto que não tinha contato com o advogado e nem solicitado seus serviços. Ela teve a assinatura falsificada.
Conforme a Comurg, existe uma ação que pode ter o mesmo modus operandi em trâmite no Tribunal Superior do Trabalho (TST), a maior esfera judicial do trabalho do Brasil. O processo tem o mesmo jurista como procurador de um funcionário da Comurg e pode configurar mais um dos casos sob apuração por possível prática de fraude.
“Qualquer tipo de situação que possa ser um possível desvio de conduta é apurado com o máximo rigor e garantido o amplo direito de defesa e contraditório. A minha primeira determinação dentro da Comurg foi para moralizar a empresa e acabar com esquemas ilegais”, afirmou o prefeito Sandro Mabel.