“Agora ele tá comigo”: homem finge estar possuído após agredir esposa em Inhumas
Em áudio enviado para a mãe, Bruno Lopes afirma que a mulher ficou “toda arrebentada” e diz que uma entidade estaria no controle dele
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“Eu acabei com a vida do seu filho, eu consegui o que eu queria. Ele acabou de bater na mulher dele. Aquela mulher dele tá toda arrebentada, toda arrebentada.” É assim que começa um áudio enviado por Bruno Lopes Rodrigues para a própria mãe após agredir a esposa na madrugada de 4 de outubro, em Inhumas, na Região Metropolitana de Goiânia. Na gravação, ele afirma que uma entidade estaria no controle de seu corpo e diz que seria preso. A mulher sofreu ferimentos no rosto e na boca, precisou de atendimento médico e conseguiu medidas protetivas de urgência.
Na mesma mensagem, Bruno afirma que estaria tentando retomar o controle do próprio corpo, mas que não conseguia. “Seu filho vai preso, seu filho vai morrer na cadeia. Ele tá aqui lutando dentro de mim para tentar sair fora, só que não. Eu acabei com a vida dele. Agora ele tá comigo”, diz o áudio atribuído a ele.
A gravação termina com uma nova referência à suposta entidade: “Agorinha a polícia chega e vai levar ele preso, você não teve o tempo suficiente para se despedir dele? Se lascou, que agora ele é meu”. Ainda não há um mandado de prisão contra o homem.
Segundo o relato apresentado para a polícia, a agressão aconteceu depois que o casal voltou de uma confraternização na casa da mãe da vítima. Ela contou que a noite havia transcorrido sem discussões, mas que, ao chegarem em casa, o marido mudou de comportamento. Ele teria trancado a porta, puxado a mulher pelos cabelos, a derrubou no chão e deu socos na cabeça dela enquanto a ameaçava de morte.
Ainda conforme o relato, Bruno interrompeu as agressões dizendo que só não terminaria de matá-la porque ela estava sendo protegida pelo pai falecido. Depois, saiu da casa e não foi mais visto.
Homem também teria pedido perdão
Além do áudio enviado para a mãe, Bruno também mandou uma mensagem para a esposa na mesma noite pedindo desculpas. De acordo com a mulher, ele alegou que não era ele no controle das próprias atitudes e que estaria vendo o que acontecia, mas não conseguia fazer o próprio corpo voltar ao normal.
Um dia depois, segundo a vítima, ele também tentou contato pelo celular dos filhos do casal. Fez duas ligações e enviou a mensagem “oi, filho”, mas os familiares não perceberam as chamadas naquele momento e não responderam.
Após a agressão, a vítima procurou atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Ela relatou que ficou com os dois olhos muito inchados e sofreu cortes na parte interna da boca. Cerca de 20 dias após a violência, ela ainda apresenta inchaço na bochecha e sinais de infecção, além de precisar usar antibióticos e de uma drenagem.
Justiça concedeu medidas protetivas
A vítima registrou boletim de ocorrência e recebeu medidas protetivas de urgência. A decisão foi assinada em 7 de outubro pela juíza Vanessa Nogueira Antunes Ferreira, da Vara Criminal de Inhumas, com validade de 120 dias.
Bruno está proibido de se aproximar da esposa e dos familiares dela a menos de 300 metros, de manter contato por qualquer meio e de frequentar a residência e o local de trabalho da mulher. A decisão também encaminhou a vítima para avaliação de inclusão no programa Goiás Por Elas, voltado à proteção de mulheres em situação de violência.
O descumprimento das medidas pode resultar em multa de R$ 5 mil e na decretação da prisão preventiva. Até o fechamento da reportagem, não havia confirmação de que Bruno tivesse sido preso.

Depois da agressão, a mulher deixou a própria casa e passou a morar com a mãe, junto dos dois filhos do casal. Ela também procurou assistência social e aguarda uma resposta sobre a possibilidade de ingresso no programa Goiás Por Elas.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil.