Sábado, 12 de Setembro de 2026
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12 anos após crime, Justiça determina perda do cargo de PM ligado a grupo de extermínio

Thiago Marcelino foi condenado a 16 anos pela morte de Guilherme Vieira Camilo, em Anápolis. Policial também teve participação no assassinato de Fábio Escobar

Por - Goiânia,GO
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A Justiça de Goiás determinou que o policial militar Thiago Marcelino Machado deixe o cargo público que ocupa. Ele foi condenado a 16 anos e 4 meses de prisão pela morte de Guilherme Vieira Camilo, em Anápolis, em 2014. O crime foi investigado na Operação Malavita, que apurou a atuação de policiais suspeitos de integrar um grupo de extermínio. A decisão sobre a saída da Polícia Militar foi tomada cerca de 12 anos depois do homicídio, mas ainda pode ser contestada.

A decisão para que ele deixe a Polícia Militar veio depois que o Ministério Público apontou que a sentença anterior não havia tratado sobre a permanência dele no cargo. Ao analisar o pedido, o juiz Marcelo Alves Gomes entendeu que era necessário determinar também a saída do policial da corporação. Para o magistrado, a gravidade do crime e a maneira como ele aconteceu não combinam com o trabalho de um policial militar.

Thiago foi condenado pelo Tribunal do Júri pela morte de Guilherme, que foi cercado por homens armados e baleado em frente à uma pizzaria do bairro Boa Vista, em Anápolis, em 23 de outubro de 2014.

Guilherme Vieira Camilo foi baleado em frente à uma pizzaria, em Anápolis (Foto: Reprodução)

Segundo as provas analisadas no processo, Thiago e outros policiais eram apontados como integrantes de um grupo que buscava controlar atividades ligadas ao tráfico de drogas em Anápolis. A acusação também apontou que pessoas que não obedecessem as ordens do grupo poderiam ser mortas.

No caso de Guilherme, a acusação sustentou que ele havia sido marcado para morrer por uma suposta ligação com o tráfico de drogas.

Grupo de extermínio

O caso fez parte da Operação Malavita, realizada em 2014 pelo Ministério Público de Goiás com apoio das polícias Civil e Militar.

A investigação apontou a existência de um grupo suspeito de envolvimento em homicídios, extorsões, sequestros e tráfico de drogas. Segundo a apuração, policiais seriam responsáveis por ameaçar e matar pessoas que não seguissem as ordens do grupo.Na operação, foram expedidas 23 ordens de prisão, das quais 20 foram cumpridas.

O Ministério Público denunciou 19 pessoas sendo 13 policiais militares, quatro policiais civis e duas pessoas que não tinham cargos públicos.

Saída da PM ainda não é imediata

Apesar da decisão, Thiago não será retirado imediatamente da Polícia Militar. A saída só ocorrerá quando todos os recursos forem analisados e não houver mais possibilidade de contestar a decisão. A defesa já contestou a condenação, e o caso será analisado pelo Tribunal de Justiça de Goiás.

Antes de o processo chegar ao tribunal, a defesa vai apresentar seus argumentos, e o Ministério Público poderá responder. Depois disso, o caso será enviado para os desembargadores analisarem.

Enquanto essa etapa não terminar, Thiago permanece preso no Presídio Militar de Goiânia.

Fábio Escobar

Fábio Alves Escobar Cavalcante, que tinha 38 anos quando foi assassinado (Foto: Reprodução)

O policial também responde a outro processo relacionado ao assassinato do empresário Fábio Alves Escobar Cavalcante.

Em janeiro de 2026, a Justiça determinou que Thiago e outros quatro policiais fossem julgados pelo Tribunal do Júri por homicídios qualificados relacionados a esse caso.

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