Anápolis vai espalhar ovos de Aedes pela cidade para combater a dengue; entenda a estratégia
Método Wolbachia já é utilizado em outras cidades brasileiras
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Anápolis começou nesta segunda-feira (5) a implantação de uma estratégia que usa o próprio Aedes aegypti para tentar reduzir a transmissão de dengue, Zika e chikungunya. Mais de 5 mil pontos da cidade foram mapeados para receber recipientes com ovos de mosquitos que carregam a bactéria Wolbachia, que dificulta o desenvolvimento dos vírus dentro do inseto.
A iniciativa faz parte do Método Wolbachia, conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com o Ministério da Saúde e operado pela Wolbito do Brasil. A implantação em Anápolis foi oficialmente iniciada em evento no Teatro Municipal, com representantes das instituições envolvidas e do Governo de Goiás.
Apesar de a estratégia envolver a presença de mais mosquitos no ambiente, a proposta é justamente diminuir a capacidade de transmissão das arboviroses. Os chamados “Wolbitos” são Aedes aegypti que carregam a Wolbachia. Quando eles se reproduzem com os mosquitos que já vivem na cidade, a bactéria passa para as novas gerações.
O método deve alcançar inicialmente cerca de 45 a 46 bairros. Mais de 398 mil moradores estão previstos na área contemplada pelo projeto.
Dispositivo de Liberação de Ovos (DLO)
Em Anápolis, os mosquitos não serão simplesmente soltos pelas ruas. A cidade utilizará os chamados Dispositivos de Liberação de Ovos (DLOs), recipientes instalados em locais previamente definidos e que contêm ovos de Aedes aegypti com Wolbachia. Depois que os dispositivos são instalados, os ovos eclodem e os mosquitos passam pelas fases de desenvolvimento até chegar à idade adulta. Quando estão prontos, os Wolbitos deixam os recipientes e passam a circular pelo ambiente.
A partir daí, eles se reproduzem com os Aedes aegypti que já existem na cidade. A Wolbachia é transmitida para as gerações seguintes e dificulta a multiplicação dos vírus da dengue, Zika e chikungunya dentro do mosquito, reduzindo sua capacidade de transmitir as doenças.
A estratégia depende justamente dessa reprodução ao longo do tempo. A ideia é que a quantidade de mosquitos com Wolbachia aumente gradualmente até que a bactéria consiga permanecer na população de Aedes da região.
Resultados demoram
A redução no número de casos de dengue não acontece tão rapidamente. Segundo a Prefeitura de Anápolis, a previsão é que os primeiros resultados da implantação comecem a aparecer em pelo menos dois anos. Enquanto isso, o município fará o monitoramento dos mosquitos para verificar a presença da Wolbachia e acompanhar a evolução da estratégia.
Antes do início da implantação, Anápolis passou por etapas de preparação, como capacitação de profissionais, ações de orientação aos moradores, definição dos pontos de instalação e colocação de armadilhas para acompanhar a presença e a quantidade de Aedes aegypti.
O Método Wolbachia já é utilizado em outras cidades brasileiras. O Ministério da Saúde incluiu Anápolis entre os municípios selecionados para a expansão da estratégia no ciclo de implementação de 2025 e 2026.
Cuidados com água parada devem ser mantidos
A chegada dos Wolbitos não significa que os moradores podem deixar de tomar os cuidados tradicionais contra o Aedes aegypti. A orientação continua sendo eliminar recipientes que possam acumular água, manter caixas-d’água fechadas, limpar calhas e quintais e evitar qualquer situação que favoreça a formação de criadouros.
O próprio Ministério da Saúde trata o Método Wolbachia como uma estratégia complementar de controle do mosquito, que deve ser integrada às demais ações de vigilância e combate às arboviroses.
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