Dona de pamonharia pensa em desistir do negócio em Anápolis, mas encontro inesperado muda planos: ‘Foi como uma resposta para mim’
Mari conta como um encontro com um fornecedor aconteceu quando ela pensava em fechar a pamonharia e relembra a trajetória da Seleta
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A empreendedora Mari Ribeiro, de 33 anos, decidiu abrir a Pamonharia Seleta em Anápolis depois que o marido sugeriu que os dois começassem um novo negócio. Até então, ela nunca havia imaginado trabalhar com alimentação. Meses depois, Mari passou por uma crise financeira que fez com que ela pensasse em fechar as portas.
Em entrevista ao Mais Goiás, Mari contou que já havia tentado empreender em outros segmentos antes de chegar à alimentação. Ela vendeu trufas, trabalhou com perfumaria, produtos de autocuidado e também tentou negócios com semijoias, lingerie e produtos de sex shop.
As experiências anteriores acabaram sendo interrompidas por falta de dinheiro para continuar investindo. Mari voltou ao trabalho formal e só decidiu empreender novamente depois que precisou deixar o emprego.
A mudança aconteceu quando a mãe do marido passou a morar com a família por causa de problemas de saúde. O marido, então, começou a pensar em uma nova fonte de renda e sugeriu a abertura de uma pamonharia. A ideia também permitiria que a mãe dele tivesse uma atividade para ocupar a rotina. Mari não gostou da proposta de primeira.
“Comida não, é muito difícil. Normalmente eu preciso trabalhar o fim de semana inteiro, então não”, lembra.
Mesmo com a resistência inicial, ela resolveu aceitar o desafio. Mas, desde o começo, estabeleceu que a Seleta não seria apenas mais uma pamonharia.
“Se for para montar uma pamonharia, eu quero algo diferente, eu quero oferecer uma experiência diferente das pamonharias tradicionais de Anápolis”, afirma.
A partir daí, Mari começou a pesquisar, pensar no ambiente e desenvolver receitas próprias. O projeto avançou rapidamente e, em apenas 20 dias, ela conseguiu tirar a ideia do papel. A Pamonharia Seleta foi inaugurada em dezembro de 2025, em Anápolis.
Foi também nessa etapa que ela montou o cardápio. Mari criou receitas próprias, como a panelinha de pamonha e a chica na palha. A casa também oferece pamonhas tradicionais de sal e doce, além de sabores como carne de sol, carne de sol com jiló, linguiça suína, linguiça com jiló e Romeu e Julieta.
As panelinhas são preparadas com combinações como carne de sol com bacon, linguiça suína com bacon, frango com catupiry e frango com bacon, além da versão doce. Os mesmos sabores também são preparados na chica, que conta ainda com a opção Romeu e Julieta.
O cardápio inclui ainda açaí, cural, bolo de milho e bolinho frito. A Seleta também oferece caldos, como o de frango com milho e o de frango com mandioca.
Como o marido continuava trabalhando em outra atividade, Mari ficou responsável pela maior parte da preparação do espaço. Ela pintou, decorou e comprou os itens necessários para colocar a empresa em funcionamento.
Do primeiro ponto à crise financeira
A primeira unidade da Pamonharia Seleta funcionou na Avenida Presidente Kennedy, em Anápolis. O espaço foi pensado para ser acolhedor e familiar, com atenção ao atendimento e à qualidade dos produtos.
O problema estava no custo para manter o endereço. O aluguel ficava em torno de R$ 3,8 mil por mês. Para começar a operação com mais segurança, Mari pagou três meses antecipadamente.
Com o passar do tempo, as vendas não foram suficientes para acompanhar o valor do aluguel e as outras despesas da empresa. Ela tentou negociar com o proprietário, mas não conseguiu reduzir o custo.
A solução foi procurar um espaço menor. No fim de abril, a Seleta mudou para a Avenida Tiradentes, em Anápolis.
O novo endereço tinha um aluguel mais barato, mas o movimento também caiu. O período de férias e o calor contribuíram para deixar as vendas ainda mais fracas.
Na época, Mari contava com a ajuda da sogra e do filho, que tinha 15 anos. O adolescente deixou o negócio para trabalhar com fotografia, e ela precisou contratar uma funcionária.
Pouco depois, a sogra também decidiu voltar para a cidade onde morava. Com mais despesas e menos pessoas para ajudar na operação, a situação financeira ficou ainda mais difícil.
Mari chegou a ter dias em que preparava cerca de 20 pamonhas e vendia oito ou menos. Em algumas ocasiões, as vendas não chegavam a R$ 150.
O problema passou a afetar até a compra dos ingredientes para o dia seguinte. Segundo ela, houve momentos em que não sabia se teria dinheiro para continuar produzindo.
No mês mais difícil, a pamonharia fechou as contas no vermelho. Mari explicou a situação para a funcionária e precisou dispensá-la. O marido também passou a assumir parte das despesas do negócio, incluindo parcelas do empréstimo feito para a abertura.
Foi então que ela começou a considerar a possibilidade de fechar a Seleta.
Um pedido de ajuda e uma virada nas redes sociais
Antes de desistir, Mari decidiu fazer uma última tentativa para movimentar o negócio. Procurou um casal de influenciadores para divulgar a pamonharia. O valor inicialmente cobrado estava acima do que ela podia pagar, mas, depois de explicar a situação, conseguiu que o preço fosse reduzido pela metade.
Enquanto aguardava a publicação do conteúdo, a situação continuava complicada. Em um dos dias, as vendas ficaram abaixo de R$ 150.
No dia seguinte, Mari precisava comprar milho para continuar a produção, mas só tinha dinheiro para uma mão. Como os fornecedores habituais estavam sem o produto, procurou outro estabelecimento.
Ela se apresentou como responsável pela Pamonharia Seleta e foi conversar com o homem que estava no local. Durante a conversa, ele perguntou se ela estava pensando em vender o negócio. Mari ficou surpresa porque não havia contado a ninguém sobre aquela decisão, além do marido.
Segundo ela, o homem disse que sentia que precisava falar com ela e pediu que não desistisse. Também se ofereceu para ajudá-la com milho ou outros recursos, caso fosse necessário.
“Deus tá me incomodando de falar algo para você sobre você não desistir. Porque assim, você não tá sozinha”, teria dito.
Ele ainda afirmou que não queria comprar a pamonharia, mas ajudá-la a continuar. A conversa aconteceu um dia depois de Mari ter feito uma oração pedindo uma resposta sobre o futuro da empresa.
Emocionada, ela saiu do local chorando e contou o episódio nas redes sociais. Uma cliente e amiga viu os stories e sugeriu que Mari transformasse o relato em um Reels.
A empreendedora publicou o vídeo dois dias depois, sem planejamento e sem imaginar a repercussão que teria. O conteúdo começou a alcançar outras pessoas justamente quando ela também recebia a divulgação feita pelo casal de influenciadores.
O movimento da Seleta mudou nos dias seguintes. Segundo Mari, a pamonharia, que vinha registrando cerca de R$ 150 em vendas em alguns dias, chegou a alcançar entre R$ 1,8 mil e R$ 2 mil.
“Para a maioria dos negócios pode ser normal vender isso diariamente, mas para mim nunca aconteceu. Então, é muito novo e eu não consigo ver de outra forma, a não ser como o cuidado de Deus mesmo”, afirma.
Mari diz que ainda precisa reorganizar as finanças e que a melhora nas vendas não significa que todos os problemas estejam resolvidos. Mesmo assim, o novo movimento trouxe fôlego para continuar com a Seleta. Para ela, a repercussão aconteceu justamente quando já estava no limite.
“Eu tava no meu limite, e um vídeo que surgiu ali de apenas um compartilhar do que eu estava sentindo, sem nenhuma intenção, sem nenhum planejamento, teve uma repercussão, né? E que até agora eu ainda não entendo”, relata.
A Pamonharia Seleta fica na Avenida Tiradentes, nº 968, no Centro de Anápolis, em frente à Amar Pet. O estabelecimento funciona de segunda a sexta-feira, das 15h às 22h, e aos sábados, das 17h às 22h.
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