Projeto de leitura pode reduzir pena de 70 presos em Aparecida de Goiânia
Iniciativa realizou oito oficinas literárias na Casa de Prisão Provisória e encaminhou trabalhos à Justiça para análise do benefício
Ir direto pra matéria
Uma iniciativa de incentivo à leitura e à criação artística atendeu 70 presos da Casa de Prisão Provisória (CPP) de Aparecida de Goiânia e busca permitir a remição da pena por meio de atividades educacionais. O Projeto Entrelinhas oferece oficinas literárias como forma de estimular a leitura, a escrita e o acesso à cultura dentro da unidade prisional. A concessão do benefício, porém, depende da análise da Justiça.
Entre 14 de agosto e 27 de novembro de 2025, os participantes tiveram contato com obras literárias, debateram os conteúdos lidos e desenvolveram atividades escritas e artísticas. O projeto previa inicialmente 50 vagas, mas atendeu 20 pessoas a mais, com a substituição de internos que foram soltos, mudaram de bloco ou deixaram de participar. Ao todo, foram realizadas oito atividades presenciais.
Leia mais
- Condenados por violência doméstica em Catalão podem ter remição de pena por meio de projeto do MP
- Trabalho de presos cresce 61,4% em Goiás e passa de 6 mil pessoas, aponta anuário
Projeto aguarda análise da Justiça
Os trabalhos produzidos pelos participantes foram encaminhados à 1ª Vara de Execução Penal de Goiânia, que deverá avaliar a possibilidade de reconhecer as atividades como instrumento para a remição da pena pela leitura. Os livros utilizados nas oficinas também foram doados à biblioteca da CPP, para que outros internos tenham acesso às obras.
A avaliação do projeto reuniu respostas de 48 participantes. Desse total, 40 classificaram a experiência como excelente e oito como boa. Todos afirmaram ter se sentido respeitados e acolhidos durante as atividades, enquanto 39 relataram melhora nas habilidades de leitura ou escrita. Apenas 9 não responderam.
A iniciativa foi articulada por Lauro Machado Nogueira, então promotor em substituição na 25ª Promotoria de Justiça de Goiânia, em parceria com a Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) e a Diretoria-Geral de Polícia Penal (DGPP). O programa recebeu recursos do Destina, iniciativa de destinação articulada de acordos gerida pelo Centro de Autocomposição de Conflitos e Segurança Jurídica (Compor), do Ministério Público de Goiás (MPGO).
Leia também