Cavalgada de Porangatu é cancelada após exigências do MP; polêmica envolve prefeitura e sindicato
Decisão gerou manifestações da prefeitura e de moradores da cidade; entenda
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A Cavalgada da 53ª Exponorte, uma das principais tradições de Porangatu, no norte de Goiás, foi cancelada na tarde desta terça-feira (4). A decisão foi anunciada pelo Sindicato Rural após uma reunião realizada na sede da entidade, na qual foi discutido um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) proposto pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO). O evento estava previsto para ocorrer no próximo dia 15 de agosto.
Segundo o Sindicato Rural, as exigências apresentadas pelo Ministério Público são consideradas excessivas e a entidade não possui estrutura técnica, mão de obra especializada, suporte operacional e condições financeiras para cumprir todas as determinações.
Sindicato Rural explica cancelamento
Após a reunião, a presidente do Sindicato Rural de Porangatu, Ana Amélia Paulino, divulgou um vídeo para explicar a decisão. Ela afirmou que a entidade respeita a atuação do Ministério Público, mas não teria condições de assumir as responsabilidades previstas no documento.
“A entidade recebeu algumas condicionantes estabelecidas pelo Ministério Público do nosso município, as quais não temos suporte institucional, financeiro e operacional para cumprir. […] infelizmente não temos condições de realizar a cavalgada da 53ª Exponorte”, afirmou.
Em comunicado oficial, o sindicato declarou que as exigências poderiam transferir à entidade responsabilidades que extrapolariam sua finalidade institucional e sua capacidade operacional. A diretoria também afirmou que não poderia expor a instituição, seus dirigentes e participantes a riscos jurídicos e administrativos.
A presidente lamentou o cancelamento e lembrou que a cavalgada só deixou de ocorrer durante o período da pandemia de Covid-19.
“É um sentimento de dor e de muita perda da nossa tradição, mas infelizmente o Sindicato Rural de Porangatu não tem apoio para realizar a cavalgada”, disse.
Prefeitura e sindicato trocam críticas
O cancelamento também provocou manifestações envolvendo o Sindicato Rural e a Prefeitura de Porangatu. Em declaração, a prefeitura afirmou que “reafirma seu compromisso em colaborar, dentro da legalidade, para buscar soluções e preservar uma tradição tão importante para a nossa cidade”.
A presidente do sindicato, por sua vez, respondeu a uma declaração da prefeita Vanuza Valadares, que teria classificado o cancelamento como um ato de irresponsabilidade.
“Tratar como irresponsabilidade o sindicato, não se trata de irresponsabilidade, trata de segurança jurídica e de responsabilidade com a cadeia dos produtores rurais que devolvem imensamente ao município de Porangatu”, afirmou Ana Amélia.
Nas redes sociais, moradores também comentaram o episódio. Um internauta criticou a falta de diálogo entre a prefeitura e o sindicato e defendeu que o município apoiasse a realização da festa, destacando que a cavalgada é uma das poucas festividades tradicionais que ainda ocorrem na cidade.
Influenciadora critica cancelamento
A influenciadora e locutora Raytta Fernandes também publicou um vídeo sobre o caso. Ela lamentou a interrupção da tradição e afirmou que eventuais disputas entre os envolvidos não deveriam se sobrepor ao interesse da população.
“Quando interesses particulares interferem em algo assim, ninguém vence de verdade, perde quem trabalha e empreende”, afirmou.
Raytta também pediu menos divisão e mais diálogo entre os envolvidos. “Quando a política é mais importante que as pessoas, quem você acha que perde?”, questionou.
O Sindicato Rural encerrou o comunicado afirmando que pretende trabalhar para que a cavalgada possa voltar a ser realizada em futuras edições da Exponorte, dentro de condições legais e seguras.