Sexta-feira, 31 de Julho de 2026
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Combustível está uma fortuna e país tem que definir papel da Petrobras

Empresa estatal tem dever social ou responde aos interesses do mercado?

Pablo Kossa
Por - Goiânia, GO - Mais Goiás
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Goiânia registrou hoje protestos por conta dos absurdos preços cobrados nas bombas de combustível. Os manifestantes são trabalhadores dos aplicativos de transporte de passageiros ou entrega de produtos. Eles sentem o impacto da carestia direto na pele, ops, no bolso. A pancada bate direto, sem rodeios. Subiu o preço, caiu a margem de lucro do cara.

Não quero entrar hoje em um tema que também merece atenção, que é a relação abusiva das multinacionais com esse pessoal. Carga horária desumana para garantir um salário longe do digno, horas e horas com o aplicativo ligado sem receber chamadas, falta de garantias básicas como direito a ficar doente, folga remunerada, férias ou direitos previdenciários. Tudo isso dá pano pra manga, mas não é a pauta desse texto. Hoje quero falar do papel da Petrobras.

O Brasil precisa definir o que quer efetivamente da empresa estatal. Como é de economia mista, devemos debater os caminhos da companhia. Se ela tem que servir ao mercado com as regras privadas, devemos ter claro que existe uma receita: pagar dividendos, maximizar lucros, promover cortes e não focar nas questões sociais. É a regra do jogo.

Por outro lado, se a sociedade compreender que o petróleo é nosso e seu dever é prioritariamente atender ao público interno, a visão e missão da companhia se alteram. O foco passa a ser entregar o produto em território nacional no menor preço possível, zelar do emprego, promover o desenvolvimento regional.

Os dois modelos são antagônicos e têm consequências que o Brasil já conhece bem. E, observe bem, nem estou entrando em minha opinião, no modelo que considero mais apropriado. O que estou colocando é que precisamos escolher qual modelo queremos.

O que não dá é para permanecer nessa esquizofrenia, de acender uma vela para Deus e outra para o diabo. Esse debate é fundamental e tem tudo a ver com a manifestação dos motoristas de aplicativo. Ficar no meio do caminho é que não dá mais.

@pablokossa/Mais Goiás | Foto: Jucimar de Sousa / Mais Goiás

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