Déficit de vagas deixa 35 mil crianças fora de creches e pré-escolas em municípios de Goiás
Estudo com base em dados do Ministério da Educação revela montante somado de R$ 1,6 bilhão para zerar filas de espera em mais de 120 municípios
O déficit de vagas em creches e pré-escolas em Goiás mantém 35.265 crianças de 0 a 5 anos fora da educação infantil em 126 municípios, segundo levantamento do Ministério Público de Contas de Goiás (MPC-GO). Os dados se baseiam na demanda autodeclarada pelas prefeituras no Sistema Integrado de Monitoramento, Execução e Controle do Ministério da Educação (Simec), no período entre 18 de agosto e 8 de outubro de 2025.
De acordo com o diagnóstico, para atender integralmente a demanda existente e zerar a fila de espera, seria necessário um investimento estimado em cerca de R$ 1,68 bilhão. A projeção foi elaborada com base no estudo Retrato da Educação Infantil 2025, do MEC, que fundamentou a análise técnica do MPC-GO.
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Solução para o déficit de vagas
Para suprir essa necessidade, a estimativa é de construção de 303 novas creches e a ampliação de 52 unidades já existentes, com custo total calculado em R$ 1.683.811.200,79. A estimativa considera os valores de construção praticados em 2025 e os modelos financiados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) no âmbito do Programa Proinfância.
O estudo leva em conta três tipos de unidades. Em 52 municípios, a solução seria a ampliação de módulo infantil com duas salas, ao custo médio de R$ 674 mil. Outros 31 municípios demandam a construção de creche Tipo 2, com cinco salas, estimada em R$ 3,34 milhões. Já 14 municípios precisam de creche Tipo 1, com dez salas, cujo valor médio é de R$ 5,84 milhões.
Há ainda mais de 29 municípios que necessitam de mais de uma nova unidade para atender à demanda, ou seja, precisam de mais de dez salas adicionais. Entre eles estão Goiânia, Aparecida de Goiânia, Anápolis, Caldas Novas, Rio Verde, Senador Canedo e Trindade.
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Demanda
Apesar do montante necessário para resolver o problema, o levantamento indica redução na demanda em comparação com 2024. O número de crianças na fila caiu de 45.976 para 35.265, uma diminuição de 10.711 vagas, equivalente a 23%. O custo estimado também recuou, de R$ 2,18 bilhões para R$ 1,68 bilhão, o que representa economia aproximada de R$ 495,5 milhões (-22,7%).
O relatório também destaca que, embora tenha aumentado o número de municípios com demanda declarada, de 109 para 126, houve queda na média de crianças à espera por município. Também foi constatada uma redução no número de novas unidades previstas (de 396 para 303) e maior foco na ampliação de estruturas já existentes, que passou de 23 para 52.
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