Disputa

Entidades e ambientalistas exigem veto de Caiado a lei que flexibiliza fiscalização ambiental em Goiás

O texto dos ambientalistas aponta que o projeto anula trechos considerados importantes em leis de proteção ambiental em Goiás

Ação do Ministério Público pode barrar planos de mineração na Chapada dos Veadeiros Governo de Goiás diz manejo que autoriza mineração
(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Associações de proteção do Meio Ambiente e ambientalistas em Goiás assinaram carta enviada ao governador Ronaldo Caiado (UB) para exigir veto ao projeto de lei que altera diversas regras para a relação entre produtores rurais e a fiscalização estadual. A secretária estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), Andrea Vulcanis, rebate a iniciativa.

O texto dos ambientalistas aponta que o projeto anula trechos considerados importantes em leis de proteção ambiental em Goiás. Além disso, as mudanças abrem a possibilidade de anistia de desmatadores, que cometeram crimes até o ano de 2019.

Os ambientalistas apontam ainda que o texto flexibiliza exigências de reparação para delitos ambientais e amplia as possibilidades de desmatamento, ao retirar proteção das nascentes, por exemplo.

Em audiência pública realizada na Assembleia Legislativa, no final de maio, ambientalistas já haviam apontado o que consideram a flexibilização das leis ambientais em Goiás. A pesquisadora da Universidade Federal de Goiás (UFG) Eliane Barbosa mostrou, com dados do Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (Lapig), que embora haja 35% do Cerrado nativo de pé, a vegetação é fragmentada em Goiás. O que não permite a sustentação da riqueza de fauna, flora e hídrica do Cerrado.

Secretária

Em vídeo publicado nas redes sociais, Andrea Vulcanis, por outro lado, taxou de “fake news nas redes sociais” as críticas sobre o projeto de lei. Ela cita que, por exemplo, que o órgão ambiental irá recusar a autorização em casos de passagem de fauna.

Vulcanis rebate também críticas à implementação de um Cadastro Ambiental Rural (CAR) próprio em Goiás. Os ambientalistas alegam que essa modalidade inviabilizaria a gestão integrada, por retirar a gestão estadual do Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (Sicar), gerido pelo governo federal.

A secretária aponta que a operação já é feita por técnicos estudais. Ela argumenta que nos últimos 4 anos [sem citar o governo Jair Bolsonaro] o Sicar foi desqualificado. “Entre 2021 e 2022, o sistema ficou 8 meses fora do ar e o governo federal não nos atendia, não nos dava resposta. É um sistema que está sem operação”, argumenta.

“O que esse projeto está fazendo é dizer que não tem licenciamento corretivo. Tem é Declaração Ambiental do Imóvel, termo de compromisso, que tem caráter de título executivo. O que significa o seguinte: um proprietário que tem passivo vai lá e assina um termo de compromisso. Se ele não cumprir, aquilo vai direto para a execução judicial. Não fica se alongando aí na Justiça por anos e anos”, continua a secretária.