Sexta-feira, 24 de Julho de 2026
meio ambiente

Espuma no rio Meia Ponte vem de estação de tratamento de esgoto

Investigação acerca da espuma vista no rio Meia Ponte começou no dia 26 de agosto e incluiu reunião com Saneago

Por - Goiânia, GO
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Espuma no rio Meia Ponte vem de estação de tratamento de esgoto (Foto: Divulgação)

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) identificou que a espuma visível no Rio Meia Ponte, registrada em trechos próximos ao Goiânia 2 e ao Setor Jaó, tem origem na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Hélio Seixo de Brito, operada pela Saneago.

A vistoria foi realizada em 26 de agosto de 2025, após denúncias da população e registros na imprensa local. Durante a fiscalização, técnicos da Semad percorreram quatro pontos do rio, coletaram amostras de água, produziram fotos e vídeos, e mediram parâmetros de qualidade com o uso de uma sonda multiparamétrica.

Os resultados preliminares mostraram a presença de espuma principalmente nos pontos a jusante da ETE. Além disso, os níveis de oxigênio dissolvido (OD) ficaram abaixo do mínimo exigido pela Resolução nº 357/2005 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) em dois pontos: 3,9 mg/L e 3,6 mg/L, quando o valor mínimo aceitável para rios de Classe 3 é 4 mg/L. Nos demais pontos, os valores registrados foram 7,7 mg/L e 5,1 mg/L.

As evidências coletadas incluíram registros fotográficos que mostram a formação intensa de espuma no interior da própria ETE, reforçando a relação entre o lançamento e a alteração observada no rio.

No dia seguinte à vistoria, em 27 de agosto de 2025, o corpo técnico da Semad reuniu-se com a Saneago. Na ocasião, a companhia confirmou que a espuma estava sendo gerada na estação de tratamento e explicou que o fenômeno ocorreu em função da entrada em operação do novo sistema secundário de tratamento de esgoto, implantado em julho de 2025.

Segundo a Saneago, esse sistema utiliza lodo ativado, processo biológico que aumenta a eficiência do tratamento de esgoto de cerca de 50% para até 92%, quando totalmente estabilizado. A espuma, informou a empresa, decorre da ação das bactérias nesse novo reservatório e da presença de substâncias conhecidas como surfactantes (comuns em detergentes e produtos de limpeza). O efeito visual é intensificado pelo turbilhonamento da água no trecho urbano do rio e pela baixa vazão típica do período de estiagem.

A companhia destacou que não há uso de produtos químicos adicionais no processo, sendo a ativação do lodo feita apenas pela injeção de oxigênio, e que a tendência é de redução da espuma à medida que o sistema se estabilizar.

Diante dos fatos, a Semad determinou:

Estudos específicos sobre a concentração de surfactantes lançados no rio, para verificar se estão dentro dos limites estabelecidos pelo Conama;

Análises laboratoriais adicionais das amostras coletadas;

Novas vistorias no Rio Meia Ponte ao longo das próximas semanas para acompanhar a evolução da situação.

“A Semad seguirá acompanhando a situação de perto, com monitoramentos e fiscalizações, garantindo que a operação da ETE esteja em conformidade com os padrões ambientais e assegurando a qualidade da água do Rio Meia Ponte, essencial para a população goiana”, reforçou a equipe técnica responsável.

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