Sexta-feira, 11 de Setembro de 2026
CONDIÇÕES DE TRABALHO

Motoristas do Mercado Livre ameaçam paralisação em Goiás e DF

Categoria afirma que valores não são reajustados há mais de três anos e que volume das rotas aumentou. Motoristas dão prazo até 20 de setembro para negociação

Por - Goiânia,GO
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Motoristas que fazem entregas do Mercado Livre por meio de transportadoras em Goiás e no Distrito Federal podem paralisar as atividades no dia 25 de setembro caso não haja acordo sobre as condições de trabalho. A categoria afirma que os valores pagos pelas rotas não são reajustados há mais de três anos, enquanto a quantidade de paradas e pacotes teria mais que dobrado no período. Os trabalhadores estabeleceram o dia 20 de setembro como prazo para que as reivindicações sejam avaliadas e negociadas.

A possibilidade de paralisação foi apresentada em uma carta entregue aos responsáveis pela operação. Segundo Anderson Carlos Nazario, representante dos motoristas nas negociações, uma reunião com responsáveis pelas operações de Goiânia e Brasília ocorreu no último dia 4. Na ocasião, ficou definido o prazo para que as reivindicações fossem analisadas.

De acordo com Anderson, o pagamento das rotas é definido conforme o tipo de veículo utilizado. Atualmente, os motoristas recebem R$ 180 para carros de passeio, R$ 270 para utilitários e R$ 460 para os chamados VUCs, caminhões de pequeno porte. Ele afirma que esses valores permanecem sem reajuste há mais de três anos.

Ao mesmo tempo em que os pagamentos teriam permanecido iguais, o volume de trabalho teria aumentado. Segundo o representante, anteriormente as rotas tinham, em média, cerca de 40 paradas e aproximadamente 80 pacotes. Hoje, os motoristas chegam a sair para fazer mais de 100 paradas, levando mais de 150 pacotes.

Motorista registra rota com 133 paradas e 173 entregas, que, segundo ele, precisam ser concluídas em até oito horas (Foto: Arquivo Pessoal/Anderson Carlos)

A categoria afirma que o aumento da carga de trabalho, sem uma revisão dos valores, tem provocado desgaste entre os profissionais. Anderson relata que alguns motoristas não conseguiram continuar trabalhando nas condições atuais das rotas e decidiram deixar a atividade para buscar outras fontes de renda.

A revisão dos valores é um dos cinco pontos apresentados pelos trabalhadores. As mudanças recentes no sistema também estão entre as reclamações. Segundo os motoristas, o bloqueio de paradas e outras atualizações do aplicativo têm dificultado a execução das rotas. A categoria quer que essas alterações sejam discutidas com os profissionais que utilizam a ferramenta diariamente.

Outro pedido envolve os chamados PNRs, sigla para Pedido Não Recebido. Os trabalhadores afirmam que existem casos em que cobranças ou responsabilizações são atribuídas de forma indevida e pedem que cada ocorrência seja analisada antes de qualquer desconto ou cobrança.

Os trabalhadores ressaltam no documento que não têm como objetivo prejudicar a operação ou interromper as entregas. A paralisação, segundo a carta, seria uma possibilidade caso não haja avanço nas negociações.

O prazo estabelecido pelos motoristas para uma resposta é 20 de setembro. Caso as reivindicações consideradas prioritárias não sejam atendidas ou não haja uma negociação considerada satisfatória, a categoria afirma que poderá organizar uma paralisação geral no dia 25. Além de Goiás e do Distrito Federal, a carta menciona mobilizações de motoristas em São Paulo e Minas Gerais.

O Mais Goiás tentou contato com representantes do Mercado Livre, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestação.

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