Exclusivo: Ex-prefeito de Uruaçu forjou sequestro para pagar dívidas de farras e drogas, diz delegado
"Lourencinho" acumulou débitos com bebidas, entorpecentes e noitadas antes de armar o golpe; dupla teve a prisão convertida
O falso sequestro arquitetado pelo ex-prefeito de Uruaçu, Lourenço Pereira Filho, 55 anos, o “Lourencinho”, e seu comparsa Cláudio Eduardo Noronha, teve como real motivação o pagamento de dívidas acumuladas em dias consecutivos de festas, farras e consumo de drogas. A revelação foi feita ao Mais Goiás pelo delegado responsável pelo caso, Willian Bretz, titular da 4ª Delegacia Distrital de Polícia (4ª DP) de Goiânia, logo após a Justiça converter a prisão em flagrante da dupla em preventiva nesta terça-feira (19/05).
De acordo com o delegado, ao contrário do que o status político anterior poderia sugerir, o ex-gestor do município do norte goiano não ostenta uma vida financeira abastada. O falso sequestro foi a saída encontrada pela dupla para quitar os débitos dos excessos cometidos nos dias anteriores à prisão.
Dívidas
Bretz detalhou que a cobrança de R$ 4 mil feita à família — composta por pessoas idosas e vulneráveis — não passava de um golpe planejado para cobrir despesas de consumo pessoal dos suspeitos.
“A motivação por trás desse pedido nesse valor é, inclusive, uma quitação de dívidas contraídas nos dias anteriores envolvendo muitas festas e farras com bebidas, comidas, deslocamentos e consumo de substâncias entorpecentes, que gerou essa quantia”, afirmou o delegado.
Ainda segundo as investigações, a dupla se utilizou do “subterfúgio da fraude” para colocar os parentes do ex-prefeito em pânico. Desesperada com as mensagens que sugeriam risco à integridade física de Lourencinho, a família acionou o aparato de segurança do Estado.

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O falso cativeiro
A resolução do caso ocorreu após a denúncia do desaparecimento, registrado desde o dia 14 de maio. As equipes da 4ª DP rastrearam e interceptaram Cláudio Eduardo, o comparsa que realizava as ameaças e as exigências financeiras por mensagens de texto. Ao ser confrontado, ele indicou o paradeiro do suposto refém.
Ao chegarem ao endereço, no entanto, os investigadores constataram que não havia nenhuma restrição de liberdade. O ex-prefeito estava seguro e bem alimentado. “Na verdade, era apenas um local onde Lourenço pernoitava há alguns dias na companhia de uma mulher”, revelou o delegado, desmascarando o cativeiro fictício.
Justiça mantém dupla na cadeia
Diante dos novos fatos e do requinte de crueldade psicológica contra os parentes, o Poder Judiciário decidiu manter Lourencinho e Cláudio Eduardo presos. A decretação da prisão preventiva levou em conta o agravante de que os criminosos exploraram a boa-fé e a saúde debilitada dos familiares para extorquir o dinheiro.
Ambos permanecem custodiados no sistema prisional e vão responder pelo crime de extorsão majorada pelo concurso de agentes (artigo 158, § 1º, do Código Penal). As investigações continuam sob a coordenação da 4ª DP de Goiânia para alinhar os depoimentos e anexar as provas técnicas ao relatório final.
A reportagem não conseguiu localizar a defesa dos investigados para que se manifestassem sobre a decisão judicial e as declarações da Polícia Civil. O espaço permanece aberto para manifestações.
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