Filhotes de pato viram atração entre crianças em parque de Goiânia; entenda os riscos
O contato direto pode trazer riscos tanto para os animais quanto para as pessoas
Uma pata e seus filhotes têm chamado a atenção de frequentadores do Parque Cascavel, em Goiânia. A presença dos animais à beira do lago, especialmente nos finais de semana, virou atração para crianças, que se aproximam para observar e, em alguns casos, entram na água na tentativa de interagir com os filhotes. Imagens gravadas na última terça-feira (17) por um morador da região mostram os pequenos dentro do lago tentando brincar com os animais.
Apesar da cena considerada “fofa” por muitos visitantes, o contato direto pode trazer riscos tanto para os animais quanto para as pessoas. A médica-veterinária Ângela Graciely Carvalho, explicou ao Mais Goiás que a interação inadequada pode provocar estresse e prejudicar a saúde das aves.
“Pode gerar estresse tanto comportamental quanto alimentar. A questão do estresse alimentar é o maior problema, porque, na grande maioria das vezes, são oferecidos alimentos que esses animais não podem e não devem ingerir no dia a dia. Alimentos ricos em sais, açúcares, amidos e fermentos impactam diretamente na saúde deles”, afirmou.
Segundo a especialista, além da alimentação inadequada, a convivência frequente com humanos também altera o comportamento natural das aves. “Por residirem em ambientes com trânsito e contato constante com pessoas, esses animais acabam se tornando mais ‘dóceis’ e até dependentes de humanos, mesmo que indiretamente, para sobreviver”, explicou.
Ela alerta, no entanto, que o contato pode trazer riscos também para a população. Há relatos de pessoas que são atacadas quando os animais as veem com alimento nas mãos. Também existe a possibilidade de transmissão de doenças. Mesmo sendo considerados domésticos, por estarem soltos na natureza podem transmitir enfermidades como salmonela, gripe aviária, clamídia e até piolhos.
Segundo a Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), a abordagem nesses casos é inicialmente educativa, com advertência e esclarecimento sobre os riscos envolvidos. A responsabilidade pelas crianças é dos responsáveis legais e, em situações de reincidência, resistência ou maus-tratos, pode haver autuação administrativa.
Se necessário, a Secretaria Municipal de Eficiência (Sefic) pode ser acionada para avaliar infração ambiental, assim como a Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema), em casos que configurem crime ambiental.