DESPEDIDA

Funeral de pets em Goiânia pode ter desde chuva de pétalas até transformar cinzas em diamante

Empresas privadas oferecem recolhimento do corpo, ritual funerário, cremação e homenagens

gato e cachorro
Funeral de luxo para pets em Goiânia; saiba onde e quanto custa se despedir do seu animal (Foto: Freepik)

O luto pela perda de um animal de estimação tem ganhado, em Goiânia, rituais cada vez mais sofisticados e respeitosos, semelhantes aos oferecidos a humanos. Com a consolidação do conceito de família multiespécie, empresas especializadas, como a PaxDominiPET e o Cemitério Vale do Cerrado, passaram a oferecer serviços completos de despedida, que vão desde velórios simbólicos com chuva de pétalas até a possibilidade de transformação das cinzas em diamantes.

Há dois anos, a PaxDominiPET atende tutores que buscam por um momento e espaço acolhedor para dizer adeus aos seus animais de estimação. Atualmente, o serviço é restrito a cães e gatos.

O atendimento especializado tem início com o recolhimento do corpo do animal, procedimento que exige o reconhecimento formal do tutor na presença de um agente funerário. Segundo a empresa, o processo é conduzido de forma humanizada desde o primeiro contato. “É um momento de respeito absoluto. Nós buscamos o animal e preparamos todo o ambiente para que a família possa começar a elaborar o luto”, explica Omar Layunta, representante da PaxDominiPET.

Apesar de não existir um protocolo oficial ou ritual funerário específico para pets no Brasil, a empresa afirma ter desenvolvido um conceito próprio de rito funerário animal. A despedida começa ainda no local do recolhimento do corpo, com a acomodação do pet em uma urna específica e um momento reservado para que o tutor se despeça.

O “velório” é breve e, em geral, dura cerca de 15 minutos, tempo definido pelo próprio tutor. A limitação ocorre por critérios técnicos e sanitários, já que os corpos dos animais não passam por processos de conservação, como a tanatopraxia aplicada em humanos. Após esse momento, a urna é acomodada de forma cerimonial no carro funerário e encaminhada ao crematório, sem a presença da família.

A cremação é realizada em forno exclusivo para pets. Concluído o processo, o tutor é contatado por telefone ou WhatsApp para o agendamento da cerimônia de entrega das cinzas, que ocorre na Casa de Velório PaxDomini, em uma sala de homenagem.

A cerimônia de entrega das cinzas acontece em ambiente privado, climatizado e personalizado de acordo com o perfil do animal. O espaço conta com musicoterapia, aromaterapia e iluminação planejada para promover acolhimento emocional. Durante o ritual, uma cerimonialista conduz a despedida, com a leitura de uma anamnese que resgata a história e a importância do pet na vida da família. O momento é finalizado com uma chuva de pétalas.

Após a cremação, os tutores podem optar por diferentes formas de memorialização, como urnas personalizadas e pingentes memoriais, que permitem armazenar uma pequena quantidade das cinzas. Também existe a possibilidade de encaminhamento do material para empresas especializadas na transformação das cinzas em diamantes, serviço realizado fora de Goiânia, com unidades em Anápolis (GO) e Santos (SP). O valor médio do procedimento gira em torno de R$ 5 mil.

Há ainda opções voltadas à sustentabilidade. Uma das urnas, no valor aproximado de R$ 1.300, possibilita o plantio de uma árvore, utilizando as cinzas como substrato. Já a urna biodegradável, uma das mais procuradas, custa cerca de R$ 1.000. De acordo com a PaxDominiPET, a empresa realiza, em média, duas cremações por dia.

Mortes de pets podem levar a luto mais intenso do que de parentes, diz pesquisa

Vale do Cerrado

No Cemitério Vale do Cerrado, o serviço funerário para animais de estimação é voltado exclusivamente à cremação. Diferentemente do que ocorre em alguns empreendimentos espalhados pelo país, o local não possui área destinada ao sepultamento de pets.

Segundo Guilherme Santana, CEO do Complexo do Vale do Cerrado, não há restrição quanto à espécie do animal atendido. A única limitação existente está relacionada à capacidade do forno crematório, que suporta animais de até 100 kg. “Já tivemos experiências com pássaros, répteis, coelhos, hamsters e roedores em geral. Apesar disso, cerca de 99% das cremações ainda são de cães e gatos”, explica.

De acordo com Guilherme, a ausência do sepultamento está ligada a fatores culturais e econômicos. Ele afirma que a prática ainda não é culturalmente consolidada no Brasil e que os cemitérios cobram taxas de manutenção dos jazigos. “Em geral, os tutores não estão dispostos a arcar com esse custo, até porque muitos têm mais de um pet, considerando também a menor expectativa de vida dos animais”, pontua.

O processo funerário tem início com a retirada e o acolhimento do corpo do animal por um agente funerário especializado, que pode realizar o serviço tanto em clínicas veterinárias quanto na residência do tutor. Em seguida, o animal é levado ao complexo, onde passa por preparação para a despedida — quando a família opta por esse momento — e, depois, é encaminhado à câmara fria até a realização da cremação.

Antes do procedimento, as famílias podem realizar o que o Vale do Cerrado denomina como “despedida”, em uma sala reservada dentro do próprio cemitério. “A média é de até duas horas, mas o tempo é definido pela família. Não se trata de um velório no sentido tradicional, e sim de uma despedida”, explica Guilherme.

Segundo ele, a cultura do velório prolongado, comum em funerais humanos, não se aplica aos animais de estimação. “Não há visitações externas. Geralmente participam apenas os tutores e pessoas muito próximas. Não existe aquele fluxo de pessoas como ocorre nos velórios humanos”, detalha.

O espaço é ambientado pela equipe do cemitério, que oferece água, café e prepara o corpo do animal de forma respeitosa. “Às vezes o pet vem da clínica veterinária após procedimentos. Então fazemos uma higienização, escovamos, penteamos e acomodamos o corpo em uma cesta, para que ele esteja mais apresentável para a família”, relata.

Após a cremação, as cinzas são recolhidas e entregues à família em uma urna cinerária padrão, acompanhadas de certificado de cremação e mensagem de condolências. Os tutores também podem optar por urnas especiais, semijoias para guarda das cinzas e itens personalizados de homenagem, como placas de acrílico ou cerâmica com foto e informações do animal. Além disso, o Vale do Cerrado oferece o serviço de espargimento das cinzas em áreas com jardim dentro do próprio cemitério, com registro em vídeo enviado à família.

Gato não reconhece tutora após retorno de viagem e reação viraliza

Urnas e cinzas transformadas em diamantes; veja valores

Os valores das urnas variam entre R$ 300 e R$ 3 mil. Há ainda opções de urnas biodegradáveis, que podem ser enterradas e se decompõem com o tempo. Segundo o Vale do Cerrado, não há distinção entre urnas para humanos e para pets, exceto aquelas que possuem formatos específicos de animais.

O Vale do Cerrado também informa sobre a possibilidade de transformação das cinzas em diamantes, serviço realizado por empresas especializadas fora de Goiânia. O processo consiste na submissão do material carbônico das cinzas a altas temperaturas e pressões, reproduzindo artificialmente as condições naturais de formação de um diamante. Os valores variam de acordo com o tamanho e a pureza da pedra, com preços que vão de R$ 4 mil a R$ 50 mil.

‘Ninguém deixa carro ou bens para trás, mas os animais, sim’, diz protetora de animais