Gás de cozinha sobe até R$ 8 em Goiás com alta do diesel; veja por quê
Reajuste deve ser maior no interior, onde alta do diesel pressiona custos de transporte. Aumento na capital não deve superar os R$ 5,00
O preço do gás de cozinha pode subir até R$ 8 em Goiás a partir desta terça-feira (31/3). A elevação, que ocorre em razão da alta do diesel, deve atingir principalmente municípios do interior e estados vizinhos como Mato Grosso (MT) e Mato Grosso do Sul (MS). Em Goiânia, a estimativa de reajuste é mais moderada, com previsão de acréscimo de R$ 5 no valor final do botijão.
Conforme expõe o presidente do Sindicato das Empresas Revendedoras de Gás da Região Centro-Oeste (Sinergás), Zenildo Dias do Vale, o custo do diesel impacta diretamente o transporte e a distribuição do produto em regiões mais distantes. “Em algumas regiões do estado o diesel está sendo comercializado a R$ 9. Isso encarece muito o transporte do nosso produto”, explicou ao Mais Goiás.
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O botijão P13, vale lembrar, é um dos itens mais utilizados nas residências brasileiras. O produto é diretamente afetado variações de preço no petróleo, impactando o orçamento doméstico. Em Goiás, mais de 3,6 mil depósitos de gás estão associados ao sindicato e devem praticar o reajuste. Considerando também MT e MS também representados pelo Sinergás, o total chega a 7,5 mil estabelecimentos.
Preço do Gás x custo do diesel
Segundo ele, o reajuste é consequência direta do aumento nos custos operacionais. “Quando o diesel sobe, tudo sobe junto”, afirmou. Ele acrescenta que a decisão de repassar ou não o aumento cabe a cada empresário.
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“Ninguém é obrigado a subir o preço, mas cada empresário sabe sua realidade. Ao meu ver, quem não subir vai ter dificuldade. Se antes o custo para encher um tanque de um caminhão que transporta nosso gás era de R$ 500,00, hoje o empresário paga R$ 800,00”, complementou.

Cadeia de custos
A alta no preço dos combustíveis, em especial o diesel, no Brasil, está associada à Guerra no Oriente. A disparada tem como pano de fundo os conflitos entre EUA e Irã. Ataques ocidentais impactaram a produção e distribuição de barris no Estreito de Ormuz.
Atualmente, 30% do diesel consumido no Brasil é importado. A guerra afeta diretamente o processo de deslocamento e, consequentemente, importação desse insumo. A situação força o mercado a depender mais do fornecimento da Petrobrás. Com isso, o País enfrenta o risco de falta do produto ou de aumento de preço nas bombas. Dependendo da situação e do desenrolar da guerra, as duas coisas.
Por isso, Zenildo reforça que o aumento reflete uma cadeia de custos pressionada nos últimos meses. “O aumento do diesel e os fatores externos têm elevado os custos logísticos, o que acaba refletindo no preço final”, declarou.
O sindicato afirma que segue acompanhando o cenário e orienta consumidores e comerciantes a se planejarem diante da possibilidade de novas alterações nos preços.
Gás do povo
O reajuste do preço na região central do país vem na esteira da ampliação do programa Gás do Povo, que passou a passou a atender quase 15 milhões de famílias em todos os municípios do Brasil. A expansão, que começou na segunda-feira (23/3), contou com um investimento de R$ 957,2 milhões apenas no mês de março março. A política é voltada à população mais vulnerável e no apoio à segurança alimentar.
Nesta fase, cerca de 9,4 milhões novas famílias passam a receber o benefício, que garante a retirada gratuita do botijão de gás de 13 kg em revendas credenciadas. A política substituiu o modelo anterior de repasse em dinheiro pela entrega direta do gás, com o objetivo de aumentar a efetividade e garantir o acesso ao insumo essencial para o preparo de alimentos.
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