GO: Ex-membro da Segurança da República é preso por tráfico internacional de armas
Investigado pela Polícia Federal, ex-cabo do Exército seria o responsável por testar armas vendidas a facções do Rio de Janeiro e Bahia
Um ex-cabo do Exército Brasileiro e do Gabinete de Segurança Institucional da República (GSI) foi preso pela Polícia Federal (PF) durante operação contra um grupo suspeito de atuar no tráfico internacional de armas de grosso calibre. O investigado é apontado como responsável por testar armas da organização em um clube de tiro de Minas Gerais.
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Segundo a PF, o grupo trazia armas e munições de alta capacidade lesiva do Paraguai para o estado mineiro e Goiás, onde eram armazenadas e depois revendidas para integrantes de organizações criminosas em estados como Rio de Janeiro e Bahia. Ao todo, a operação cumpriu 13 mandados judiciais na região, sendo 11 de busca e apreensão e dois de prisão temporária. As ordens foram expedidas pela Justiça Federal, no âmbito da terceira fase da Operação Scutum 3.
O esquema, conforme PF, utilizava uma logística estruturada para trazer armamentos do Paraguai ao Brasil e também fazia uso de empresas de fachada para esconder o dinheiro obtido com a atividade criminosa. A suspeita é de que o grupo também utilizava postos de combustíveis, garagens de carros e até lojas de celulares em Uberlândia para lavar o dinheiro obtido com o tráfico internacional de armas.
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A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 66 milhões em bens e valores dos investigados, montante que, de acordo com a corporação, corresponde à movimentação financeira do grupo nos últimos cinco anos. Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, comércio ilegal de armas de fogo, tráfico internacional de armas de uso restrito ou proibido e lavagem de dinheiro.
Outras fases
A ação é um desdobramento de fases anteriores da investigação. Em fevereiro, a PF foi às ruas em uma segunda investida contra o grupo, quando foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão temporária na região. A primeira fase da operação foi realizada em outubro de 2024.
Na ocasião, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e cinco mandados de busca e apreensão nas cidades de Uberlândia (MG), Goiânia (GO) e Campo Alegre de Goiás (GO). As investigações apontaram que o grupo criminoso seria responsável por trazer armas de fogo de alta potência e longo alcance do Paraguai para revenda no Triângulo Mineiro, em cidades de Goiás e também em outros estados, como Rio de Janeiro e Bahia.
A análise do material apreendido na fase anterior, de acordo com a polícia, permitiu que os agentes federais descobrissem que o grupo de Uberlândia contava ainda com ramificações nas cidades mineiras de Ituiutaba e Patrocínio. Segundo a PF, a posição estratégica de Uberlândia, com diversas rotas de acesso a outras regiões do país, favorecia a atuação do grupo criminoso investigado.