SAÚDE

Após um ano de espera, família descobre que cirurgia cardíaca não foi realizada por falta de equipamento no hospital

Com diagnóstico de angina instável, mulher já perdeu 12 quilos e precisou ir três vezes ao pronto-socorro por falta de ar em uma semana

Santa Casa de Goiânia (Foto: Reprodução)

Após mais de um ano de espera por uma cirurgia cardíaca, a família de Marina Pires da Costa Gomes, de 59 anos, descobriu que o procedimento não havia sido realizado por falta de um equipamento necessário na Santa Casa de Misericórdia de Goiânia. Enquanto aguardava na fila, a paciente teve piora no quadro de saúde, perdeu 12 quilos e precisou ser levada diversas vezes ao pronto-socorro com falta de ar.

O pedido para a cirurgia foi encaminhado à Santa Casa em maio de 2025. Desde então, segundo a família, todas as respostas recebidas eram apenas para que continuassem aguardando o chamado.

“Durante todo esse tempo, quando a gente ligava ou mandava mensagem, eles só falavam para esperar. Depois de tanta reclamação que eu fiz no SAC da Santa Casa, conseguiram marcar uma consulta. Foi aí que o médico informou que não tinha o Balão Intra-Aórtico, equipamento que precisava para fazer a cirurgia. Estamos há mais de um ano esperando e não sabíamos disso”, afirmou a filha, Geysiane Gomes Costa, de 28 anos.

A descoberta aumentou a preocupação da família, principalmente porque o quadro clínico de Marina tem piorado nos últimos meses. De acordo com a filha, a paciente já perdeu cerca de 12 quilos, sofre com falta de ar constante e tem dificuldades para dormir.

“Minha mãe sempre foi uma pessoa alegre, dormia bem, comia bem. Hoje ela passa noites sem conseguir dormir porque sente falta de ar quando deita. Ela emagreceu muito e está cada dia mais debilitada”, contou.

Três idas ao pronto-socorro em uma semana

Sem conseguir realizar a cirurgia, Marina tem recorrido frequentemente às unidades de saúde quando os sintomas se agravam. Apenas na última semana, segundo a família, ela precisou ser levada três vezes ao pronto-socorro.

“A gente leva todos os exames e os médicos sempre falam a mesma coisa: que o caso dela é cirúrgico. Eles medicam, passam remédios para diminuir o inchaço e mandam ela para casa”, afirmou a filha.

Ainda segundo Geysiane, os tornozelos da mãe permanecem inchados e os episódios de falta de ar têm se tornado cada vez mais frequentes.

“Muitas vezes ela não consegue descansar. O coração não está bombeando sangue de forma adequada para os outros órgãos e a tendência é piorar cada vez mais”, relatou.

Risco de infarto

Os primeiros sinais da doença apareceram em novembro de 2024, quando Marina passou mal durante o trabalho. Inicialmente, segundo a família, os sintomas foram associados ao estresse.

“Ela passou mal no trabalho e levamos ao pronto-socorro. Falavam que era estresse. Como já tínhamos histórico de problemas cardíacos na família, eu resolvi procurar um cardiologista”, relatou Geysiane.

Após uma série de exames, um cateterismo identificou uma obstrução de 70% em uma artéria coronária.

“O médico explicou que ela corria risco constante de sofrer um infarto. Foi aí que começou toda a busca pela cirurgia”, disse.

Documentos enviados ao Mais Goiás mostram que Marina possui solicitação para cirurgia cardiovascular com diagnóstico de angina instável, condição considerada grave e associada ao aumento do risco de complicações cardíacas.

Família tenta alternativas

Após descobrir que a cirurgia não estaria sendo realizada por falta do equipamento, a família buscou informações sobre a possibilidade de transferir o procedimento para outra unidade hospitalar.

“Eu procurei saber se poderíamos retirar o pedido da Santa Casa e mandar de volta para a regulação para ver se outro hospital chamava ela. Mas me disseram que esse pedido não pode sair de lá. Minha mãe está esperando há mais de 12 meses. A gente não tem condições de pagar essa cirurgia particular. Se tivesse, já teria feito há muito tempo”, disse.

Sem encontrar uma solução até o momento, a família avalia buscar apoio jurídico para tentar acelerar o atendimento.

O Mais Goiás solicitou um posicionamento para a Santa Casa de Misericórdia de Goiânia e para a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS), mas não obteve retorno até o fechamento da reportagem. O espaço permanece aberto para manifestação.

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