Barbeiros mais que dobram em Goiânia, e um já tinha parasita da doença de Chagas
Capital encontrou 29 insetos entre janeiro e setembro de 2026, contra 20 em todo o ano passado. Casos crônicos da doença também cresceram, mas diagnósticos não significam necessariamente infecções recentes na cidade
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O número de barbeiros encontrados em Goiânia mais que dobrou em 2026, e um dos insetos identificados neste ano estava infectado pelo parasita causador da doença de Chagas. Entre janeiro e setembro, foram localizados 29 insetos na capital. Em abril, o Laboratório Estadual de Saúde Pública (Lacen-GO) confirmou a presença do Trypanosoma cruzi em um deles. Apesar do alerta, a descoberta de um inseto contaminado não significa que moradores da região tenham contraído a doença.
Em todo o ano de 2025, foram encontrados 20 barbeiros no município. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) atribui parte da aproximação desses insetos das áreas residenciais a mudanças no ambiente, como expansão urbana, desmatamento e alterações climáticas.
“A expansão urbana pode provocar desmatamento, derrubar árvores que servem de abrigo e reduzir as fontes de alimentação desses insetos. As alterações climáticas também podem influenciar a dispersão e a distribuição desses vetores”, explica o médico veterinário da Vigilância em Zoonoses, Bruno Sérgio.
Diagnósticos da doença também aumentaram
Além do crescimento no número de barbeiros encontrados, Goiânia registrou aumento nos diagnósticos da forma crônica da doença de Chagas. Foram 362 registros em 2026, contra 255 em 2025, segundo os dados divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde. No mesmo período de comparação anual, os óbitos associados à forma crônica caíram de seis para três.
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Vale ressaltar que a doença pode permanecer sem sintomas por muitos anos, e a confirmação do diagnóstico pode ocorrer décadas depois da infecção. Por isso, uma pessoa diagnosticada em Goiânia pode ter contraído o parasita quando vivia em outra cidade ou em uma área rural.
A forma crônica é confirmada por exames específicos, com dois testes de metodologias diferentes, conforme a Vigilância Epidemiológica municipal. Nem sempre é possível identificar exatamente onde aconteceu a transmissão.
Como ocorre a transmissão?
A doença de Chagas é causada pelo parasita Trypanosoma cruzi. No caso da transmissão pelo barbeiro, o risco ocorre principalmente quando as fezes de um inseto infectado entram em contato com ferimentos na pele ou com mucosas, como os olhos e a boca.
A infecção também pode ocorrer por consumo de alimentos contaminados e a transmissão da gestante para o bebê durante a gravidez ou o parto. Casos relacionados a transfusões de sangue e transplantes de órgãos são mais raros.
Na fase aguda, logo após a infecção, a doença pode provocar febre prolongada, dor de cabeça, mal-estar e inchaço. Em alguns casos, não há sintomas evidentes. Anos depois, parte dos pacientes pode desenvolver problemas no coração e no sistema digestivo.
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O que fazer ao encontrar um barbeiro?
A orientação da Vigilância em Zoonoses é não esmagar o inseto nem pegá-lo diretamente com as mãos. O ideal é proteger os dedos com luvas ou um saco plástico, recolher o animal com cuidado e colocar ele em um recipiente com tampa, preferencialmente o mantendo vivo.
O morador deve entrar em contato com a Diretoria de Vigilância em Zoonoses pelo telefone (62) 99152-2545. A equipe pode recolher o inseto, identificar a espécie e investigar a área onde ele foi encontrado. Quando as condições permitem, também é feito um exame para verificar se há presença do parasita.
Se houver suspeita de picada ou contato que possa representar risco de transmissão, a recomendação é procurar orientação de um serviço de saúde. Dúvidas sobre a doença em pessoas podem ser encaminhadas à Diretoria de Vigilância Epidemiológica pelo telefone (62) 3030-2534.
Como reduzir o risco dentro de casa?
Algumas medidas ajudam a diminuir as condições que favorecem a presença dos barbeiros perto das residências:
- Manter quintais limpos e evitar o acúmulo de entulho, madeira e outros materiais que possam servir de abrigo.
- Deixar galinheiros, currais e criações de animais afastados da casa.
- Instalar telas nas janelas e vedar frestas nas portas.
- Quando possível, manter as janelas fechadas durante a noite.
- Utilizar mosquiteiros e repelentes como medidas complementares de proteção.
A aplicação de inseticidas para combater barbeiros deve ser feita apenas em situações específicas e com orientação dos serviços de vigilância.