Bombeiro que matou Brutus não sabe se foi mordido, confirma defesa
Militar foi afastado pela corporação e teve o porte de arma suspendo. O caso é investigado pela Polícia Civil
O bombeiro que atirou e matou o cachorro comunitário Brutus não sabe se foi mordido ou arranhado pelo cão. Ele também não consegue atestar qual animal teria sido responsável por lesões presentes em uma de suas pernas. A informação, confirmada ao Mais Goiás pela defesa do militar, consta em depoimento prestado por ele, cujo nome é mantido em sigilo, ao Grupo de Proteção Animal (GPA) da Polícia Civil.
A declaração contradiz o depoimento inicial, no qual ele afirmou ter sido mordido antes de disparar contra o animal. A primeira versão foi registrada em boletim de ocorrência protocolado na presença de um tenente-coronel e de um capitão da corporação no último domingo. O militar foi afastado da corporação neste sábado (11/4).
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Advogado do Bombeiro, Eduardo Moura, reforça que, a respeito da lesão, não há divergências. “Não há contradição, a perna dele tem lesões. Se essas lesões foram provocadas pelo dente ou pela unha, ele não sabe dizer. Ele estava tenso, quem viu a perna dele sangrando foram os colegas da corporação. Não dá para saber se ele foi mordido ou arranhado e por qual dos cachorros”, disse ao Mais Goiás.
Suposto ataque no Serra Dourada
O suposto ataque teria ocorrido enquanto o soldado estava praticando exercícios no estacionamento do Estádio Serra Dourada, em Goiânia. Em depoimento no dia 8, o militar contou que cinco cachorros deixaram um local abandonado próximo ao local e avançaram contra ele. O número de animais também contradiz o primeiro depoimento do militar, que disse ter sido atacado por uma matilha de cerca de seis cães.
Segundo ele, ao ver os cães se aproximando, passou a correr de costas e chegou a acertar um dos animais com o celular para evitar um possível ataque. O militar contou que estava atordoado quando viu Brutus se aproximar, momento em que sacou a pistola e realizou o disparo.
À PC, o soldado disse ainda que não tinha a intenção de ferir Brutus, mas de afugentar os cães com o disparo. O cachorro comunitário chegou a ser socorrido e encaminhado ao quartel da corporação, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no local.