Davi Passamani pede para reassumir Igreja Casa e acusa gestão de desviar royalties da Casa Worship
Defesa da igreja atribui queda de receita à prisão do fundador por escândalos de assédio e justifica criação de nova pessoa jurídica para desvincular imagem
O pastor e cantor gospel Davi Vieira Passamani pediu à Justiça de Goiânia o afastamento da atual diretoria da Casa Ministério Cristão e a nomeação dele como administrador provisório da igreja por 12 meses, inicialmente. Conforme a peça, a atual gestão teria esvaziado financeiramente a entidade e deslocado receitas milionárias ligadas aos royalties da banda Casa Worship para fora da contabilidade. O processo foi protocolado em 25 de junho de 2026 e tramita na 4ª UPJ das Varas Cíveis e Ambientais da capital.
Davi afirma na petição ser o fundador da Casa Ministério Cristão e diz que presidiu a entidade de setembro de 2017 a dezembro de 2023. Ele alega que a renúncia ocorreu devido a um contexto familiar conturbado. Contudo, reforça que não abriu mão da condição de membro, fundador e liderança espiritual da entidade.
Ele ainda diz na ação que, com a saída dele, ocorreu uma reorganização interna que resultou na concentração da administração da igreja em um núcleo familiar ligado à sua ex-esposa, Giovanna Lovaglio. Conforme a petição, a filha dela, Mariana, assumiu a presidência da Casa Ministério Cristão. Desta forma, o marido da presidente, Áthila, passou a ocupar a tesouraria.
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A disputa judicial foca, principalmente, nos direitos econômicos da Casa Worship, grupo musical ligado à igreja. Na peça, Davi diz que, em dezembro de 2024, uma sentença arbitral reconheceu a Casa Ministério Cristão como titular da marca e dos direitos econômicos de exploração do catálogo da banda.
Segundo os advogados do pastor, os valores gerados pelo catálogo teriam sido deslocados para fora da contabilidade da igreja. Ele alega que a receita operacional bruta da Casa Ministério Cristão caiu de R$ 5.585.624,98 em 2023 para R$ 2.025.328,71 em 2024 e, em seguida, para R$ 288.462,52 em 2025.
Além disso, relatórios da ADA/Warner, que são apontados na ação, afirmam que o catálogo Casa Worship gerou R$ 1.345.633,94 líquidos em royalties entre janeiro e agosto de 2025. Davi não acredita que a queda na receita da igreja tenha relação com a oscilação financeira. Na petição, os advogados usam o termo “esvaziamento econômico deliberado da Igreja e do deslocamento das receitas para a empresa CW Produções LTDA”, controlada por Giovanna. Ainda segundo a petição, uma nova empresa jurídica (Igreja Casa) foi aberta em outubro de 2024 com o mesmo endereço da Casa Ministério Cristão.

Cita, ainda, execuções judiciais, tentativas de penhora, dívidas e ação de despejo, colocando a instituição em risco de colapso financeiro. Isto, porque a Casa Ministério Cristão teria encerrado 2025 sem caixa, com déficit e passivo superior a R$ 1 milhão, informa a peça.
Assim, Davi pede à Justiça o afastamento da atual diretoria, a suspensão dos poderes de gestão dos administradores e a nomeação dele como administrador provisório da Casa Ministério Cristão e da Igreja Casa por 12 meses, como mencionado. As demandas incluem, ainda, a prestação de contas, restituição de valores e envio de ofícios às empresas ligadas à distribuição musical para informar contratos, royalties, repasses, além de eventual transferência de direitos relacionados à Casa Worship. Ainda não há decisão ao pedido.
Posições
Em nota ao Mais Goiás, a defesa de Davi afirmou que “que a ação judicial ajuizada perante a Justiça do Estado de Goiás decorre da existência de fortes indícios de confusão patrimonial, suspeitas de desvio de recursos pertencentes à instituição religiosa, superendividamento e venda dos direitos do Casa Worship sem os devidos repasses”. Os advogados Tana Paula e Diogo Procópio afirmam que “todas as irregularidades narradas na ação constituem suspeitas que serão apuradas pelo Poder Judiciário, razão pela qual a defesa evita qualquer julgamento antecipado”. Além disso, reforçam que o processo não tramita em segredo de Justiça.
Davi, por sua vez, disse que falaria por meio de seus advogados.
O portal também procurou Giovanna e Mariana para comentarem a ação. Em nota, os advogados informaram que a Igreja “se encontra plenamente respaldada por documentos e provas robustas, os quais serão apresentados no momento processual oportuno, no âmbito do processo judicial competente, demonstrando, de forma cabal, que as acusações veiculadas não passam de alegações infundadas, desprovidas de qualquer fundamento fático ou jurídico”.
Entre os pontos abordados na nota completa, a entidade afirma não possuir finalidade lucrativa, mas social e religiosa. Desta forma, “sua receita não decorre de atividade empresarial ou comercial, mas exclusivamente da liberalidade dos fiéis, por meio de doações e ofertas voluntárias”. Conforme a defesa, os escândalos envolvendo Davi foram responsáveis pela queda de receita.
Quanto ao “eventual despejo”, afirma que a igreja está em tratativas com o locador, buscando um acordo para a permanência no imóvel e adimplemento dos valores devidos. “Quanto às alegações envolvendo suposto desvio de royalties, informa-se que a matéria já é objeto de processo judicial autônomo, no qual a Igreja apresentará todos os documentos e provas necessários para demonstrar, de forma inequívoca, que o alegado desvio jamais ocorreu. Trata-se de acusação infundada, que será integralmente esclarecida perante o juízo competente.”
Confira a nota na íntegra no fim da matéria.
Acusação
Em abril de 2024, Davi Passamani foi alvo de uma investigação por crimes sexuais em Goiás e chegou a ficar preso por 20 dias. De acordo com as apurações, o pastor aproveitava do estado de vulnerabilidade emocional das fiéis para assediá-las. Segundo a Polícia, Passamani usava versículos bíblicos durante a abordagem às mulheres. Uma semana após ser denunciado, ele disse que se afastaria da A Casa.
Também em nota ao Mais Goiás, a defesa do religioso afirmou que, “embora seu nome tenha sido amplamente associado a acusações de assédio ao longo dos últimos anos, Davi Passamani foi inocentado das acusações e não possui nenhuma condenação criminal relacionada às acusações que lhe foram imputadas. É imprescindível que os fatos sejam analisados à luz da Constituição Federal e do Estado Democrático de Direito, e não por narrativas construídas no ambiente midiático. A defesa respeita todas as pessoas envolvidas e reconhece a importância de que eventuais denúncias sejam apuradas com seriedade pelas autoridades competentes”.
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Nota dos advogados de Davi sobre a ação:
Em respeito à imprensa, aos membros da comunidade religiosa e à sociedade, a defesa de Davi Vieira Passamani esclarece que a ação judicial ajuizada perante a Justiça do Estado de Goiás decorre da existência de fortes indícios de confusão patrimonial, suspeitas de desvio de recursos pertencentes à instituição religiosa, superendividamento e venda dos direitos do Casa Worship sem os devidos repasses.
É importante destacar que todas as irregularidades narradas na ação constituem suspeitas que serão apuradas pelo Poder Judiciário, razão pela qual a defesa evita qualquer julgamento antecipado.
O processo não tramita em segredo de justiça, sendo público e acessível para consulta.
Davi Vieira Passamani recebe esse momento com profunda tristeza. Como fundador da instituição, jamais imaginou que seria necessário recorrer ao Judiciário para buscar esclarecimentos sobre a administração da igreja na qual foi fundador. O sentimento é de decepção diante das circunstâncias que motivaram o ajuizamento da ação.
Apesar disso, mantém absoluta confiança na Justiça brasileira e acredita que todos os fatos serão rigorosamente apurados. Caso as suspeitas sejam confirmadas no curso do processo, espera que os responsáveis sejam responsabilizados na forma da lei. Da mesma forma, respeitará integralmente o resultado da instrução processual e das decisões judiciais.
Nesta oportunidade, a defesa não levantará debates por redes sociais e imprensa, limitando-se a prestar os esclarecimentos necessários por meio dos autos do processo.”
Escritório DIOGO PROCÓPIO (OAB/GO 52.358)
Nota oficial dos advogados da Igreja:
“Esclarecimentos públicos sobre acusações veiculadas contra a Igreja
A Igreja, por meio de sua atual Diretoria e de sua assessoria jurídica, vem a público, de forma formal e respeitosa, manifestar-se sobre as recentes acusações veiculadas na imprensa e em outros meios de comunicação, as quais reputa como infundadas, descontextualizadas e desprovidas de qualquer lastro probatório idôneo.
Preliminarmente, é preciso registrar, com a seriedade que o tema exige, que a Instituição rechaça veementemente todas as alegações que lhe foram atribuídas. Trata-se de imputações que não correspondem à realidade dos fatos e que, à luz dos elementos já reunidos por esta Instituição, parecem revestir-se de nítido caráter de vingança e ressentimento pessoal, movidas por interesses que em nada se relacionam com a busca da verdade ou com o zelo pela transparência institucional. A Igreja não hesitará em adotar todas as medidas judiciais cabíveis para a devida responsabilização de quem quer que tenha, de má-fé, propagado informações inverídicas com o único propósito de lhe causar prejuízo moral e institucional.
1. Da alegada queda nas receitas entre 2023 e 2025
É fundamental esclarecer que a Igreja não possui finalidade lucrativa, mas sim função eminentemente social e religiosa. Sua receita não decorre de atividade empresarial ou comercial, mas exclusivamente da liberalidade dos fiéis, por meio de doações e ofertas voluntárias — fonte de receita que, por sua própria natureza, é instável e dependente da boa vontade e da generosidade espontânea daqueles que participam da comunidade religiosa.
A variação de receita registrada no período mencionado encontra explicação direta e evidente: devido a sucessão de vários escândalos de assédio sexual envolvendo o Sr. Davi e sua consequente prisão, ocorrida ao longo de 2023 e 2024 respectivamente, provocaram o afastamento de expressivo número de fiéis, o que, por óbvio, refletiu-se na redução das doações recebidas pela Instituição. Trata-se de consequência natural e previsível de um episódio que em nada se relaciona com a atual gestão.
Cumpre destacar, ainda, que a atual Diretoria, que assumiu a administração da Igreja após a renúncia do Sr. Davi ao final de 2023, vem trabalhando incansavelmente para honrar e quitar dívidas e obrigações junto a fornecedores — débitos esses contraídos durante a gestão anterior, sob a responsabilidade do próprio Sr. Davi. A atual administração tem atuado com transparência e responsabilidade para sanear a situação financeira herdada, em benefício da continuidade das atividades religiosas e sociais da Instituição.
2. Sobre a questão do eventual despejo
No que se refere às notícias sobre eventual despejo, esclarece-se que a Igreja se encontra em tratativas de boa-fé com o Locador, buscando a formalização de acordo que permita a sua permanência no imóvel e o regular adimplemento dos valores devidos. Trata-se de negociação conduzida com transparência, refletindo o compromisso institucional de honrar seus compromissos financeiros.
3. Da comprovação documental e da auditoria independente
A Igreja possui a integralidade dos documentos contábeis pertinentes — balanços e balancetes — que demonstram, de forma clara e objetiva, a destinação dos recursos financeiros da Instituição, evidenciando o pagamento de obrigações de interesse legítimo da Igreja, bem como das dívidas deixadas pelo Sr. Davi após sua renúncia.
Adicionalmente, encontra-se em curso auditoria independente, conduzida por empresa terceirizada especializada, abrangendo não somente o exercício da presidência da atual quanto também da presidência anterior, com o objetivo de corroborar, com ainda maior grau de segurança técnica, a regularidade da gestão financeira da Instituição. Toda a documentação e os resultados da referida auditoria serão oportunamente apresentados no âmbito do processo judicial competente, submetendo-se ao devido crivo do Poder Judiciário.
4. Da questão relativa aos royalties
Quanto às alegações envolvendo suposto desvio de royalties, informa-se que a matéria já é objeto de processo judicial autônomo, no qual a Igreja apresentará todos os documentos e provas necessários para demonstrar, de forma inequívoca, que o alegado desvio jamais ocorreu. Trata-se de acusação infundada, que será integralmente esclarecida perante o juízo competente.
5. Da constituição de novo CNPJ (Igreja Casa)
Em relação à criação de novo Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica sob a denominação “Igreja Casa”, esclarece-se que referida providência decorreu da legítima intenção da nova Diretoria de imprimir uma nova fase de renovação institucional, buscando dissociar a imagem da Instituição da grave crise decorrente da prisão e das condutas dos assédios sexuais praticadas pelo Sr. Davi. Trata-se de medida de gestão institucional, absolutamente lícita, voltada à reconstrução da credibilidade e da confiança dos fiéis, e não a qualquer finalidade escusa.
6. Do descumprimento de acordo judicial pelo Sr. Davi
Por fim, registra-se que o Sr. Davi vem descumprindo reiteradamente o acordo judicial firmado com a Pastora Giovanna, no âmbito de processo judicial criminal de violência a mulher (5139961-46.2024.8.09.0051), no qual restou expressamente pactuado que ele se absteria de mencionar, citar ou referenciar, direta ou indiretamente, o nome da Pastora Giovanna, bem como a Igreja à qual esta se encontra vinculada. Diante do flagrante descumprimento dessa obrigação, serão adotadas as medidas judiciais cabíveis para fazer valer o que foi legitimamente pactuado.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Igreja reafirma que se encontra plenamente respaldada por documentos e provas robustas, os quais serão apresentados no momento processual oportuno, no âmbito do processo judicial competente, demonstrando, de forma cabal, que as acusações veiculadas não passam de alegações infundadas, desprovidas de qualquer fundamento fático ou jurídico.
A Instituição permanece confiante na Justiça e seguirá atuando com transparência, responsabilidade e serenidade, reiterando seu compromisso com a verdade e com todos os seus fiéis, colaboradores e parceiros.
Goiânia, 02 de julho de 2026.
GABRIEL DIAS DA SILVA MOTA OAB/GO 67.634 (Assinado digitalmente)
JOEL DORNELAS DA COSTA OAB/GO 17.687 (Assinado digitalmente)
CASA MINISTÉRIO CRISTÃO CNPJ 29.312.198/0001-20
IGREJA CASA CNPJ 57.600.430/0001-61