Equatorial fez 43,7 mil notificações em Goiânia, mas não comprovou correções, aponta CEI
Desde 2024, a Equatorial Goiás informou ter emitido 43.789 notificações por irregularidades na ocupação de postes da capital. A CEI dos Fios Soltos apontou que faltam documentos para demonstrar quantas situações foram efetivamente corrigidas
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A Equatorial Goiás realizou 43.789 notificações relacionadas a irregularidades na ocupação dos postes de Goiânia desde 2024, mas não demonstrou quantas situações foram efetivamente corrigidas. A informação integra os dados apresentados durante a investigação da Comissão Especial de Inquérito (CEI) dos Fios Soltos da Câmara Municipal, cujo relatório final foi aprovado em 30 de setembro de 2026.
Esta diferença entre comunicar uma irregularidade e comprovar sua solução se tornou um dos pontos centrais da investigação parlamentar. Os vereadores questionaram a efetividade dos procedimentos adotados para fiscalizar fios de telefonia e internet instalados em postes administrados pela distribuidora de energia.
A comissão também recomendou a apuração de responsabilidades da Equatorial Goiás e de seu diretor-presidente, Lener Silva Jayme, por possíveis omissões relacionadas à fiscalização e à manutenção da infraestrutura compartilhada.
Milhares de notificações não significam problemas resolvidos
As notificações registradas pela Equatorial indicam a identificação de irregularidades na rede aérea da capital. Entretanto, o número de comunicados enviados às empresas não representa, necessariamente, a quantidade de cabos retirados, regularizados ou substituídos.
Para a CEI, a concessionária dispõe de instrumentos para fiscalizar a ocupação dos postes, identificar instalações irregulares e exigir providências das empresas responsáveis.
A investigação apontou que esses mecanismos não teriam sido utilizados de maneira suficiente para impedir a permanência de cabos abandonados, clandestinos ou sem identificação.
O relatório também identificou dificuldades na participação das empresas de telecomunicações. Das 112 cadastradas em Goiânia, apenas sete participavam efetivamente dos programas de manutenção e alinhamento da fiação, conforme os dados apresentados aos vereadores.
Goiânia aplicou quase R$ 6 milhões em multas
O problema também aparece nos registros da fiscalização municipal.
Dados divulgados pela Secretaria Municipal de Eficiência em junho de 2026 apontaram 332 autos de infração por irregularidades na fiação aérea, com multas que somavam aproximadamente R$ 6 milhões.
As autuações foram aplicadas entre junho e outubro de 2025.
Os números mostram a dimensão das infrações identificadas, mas não permitem concluir que todos os problemas foram solucionados. A aplicação de uma multa também não significa, automaticamente, que o valor tenha sido arrecadado ou que o responsável tenha regularizado a instalação.
A fiscalização municipal e os procedimentos da Equatorial possuem atribuições distintas. Por isso, os dados não podem ser somados como se representassem ocorrências diferentes ou correções realizadas.
Morte de adolescente motivou investigação
A CEI também analisou acidentes provocados pela fiação irregular nas ruas de Goiânia.
Entre os casos está a morte de Nathaly Rodrigues do Nascimento, de 17 anos, em setembro de 2025, após contato com um cabo elétrico rompido no Centro da capital.
A comissão recebeu o nome da adolescente e encaminhou recomendações para a apuração das responsabilidades relacionadas ao acidente.
O documento final, com mais de 100 páginas, recomenda o envio das informações à Polícia Civil e ao Ministério Público de Goiás, além de representações à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
A recomendação parlamentar de indiciamento não representa condenação nem substitui a investigação das autoridades competentes.
Equatorial reconheceu poder para retirar cabos irregulares
Durante depoimento prestado à comissão em 31 de março, o presidente da Equatorial Goiás, Lener Silva Jayme, reconheceu que a concessionária possui autonomia para retirar cabeamentos irregulares.
O dirigente, entretanto, argumentou que a retirada indiscriminada poderia interromper serviços de empresas regulares, inclusive conexões utilizadas por hospitais, escolas e outros estabelecimentos.
A declaração apresentou uma das dificuldades operacionais apontadas pela companhia: a ausência de identificação adequada de parte dos cabos instalados nos postes.
Para os vereadores, contudo, essas dificuldades não eliminam a necessidade de fiscalização e adoção de providências para impedir situações de risco.
Relatório propõe novas regras e multas de até R$ 40 mil
Além de pedir a apuração de responsabilidades, a CEI apresentou uma proposta de Código Municipal de Gestão da Infraestrutura Aérea Urbana.
O texto prevê regras para instalação, identificação, manutenção e retirada de cabos, além de multas que poderão chegar a R$ 40 mil em caso de descumprimento.
Os parlamentares também recomendaram a criação de uma força-tarefa permanente com participação de órgãos municipais para identificar pontos críticos e acompanhar as correções.
Segundo informações divulgadas pelo Ministério Público de Goiás e reproduzidas pela Câmara, o Programa Cidade Segura havia regularizado 2.745 postes até maio de 2026, em aproximadamente 77,65 quilômetros de vias, com retirada de cerca de 90 toneladas de cabos e materiais sem utilização.
Apesar das ações realizadas, o relatório considera necessário estabelecer fiscalização contínua, capaz de impedir o retorno das irregularidades.
A principal questão permanece: depois de milhares de notificações e milhões de reais em multas, quantos postes de Goiânia continuam com instalações que oferecem risco à população?
Equatorial Goiás se manifesta sobre relatório da CEI dos Fios Soltos e contesta interpretação de indiciamento
Distribuidora afirma que prestou esclarecimentos à Câmara de Goiânia, destaca responsabilidades das empresas de telecomunicações e cita laudo sobre morte de adolescente
A Equatorial Goiás se manifestou sobre o relatório final da Comissão Especial de Inquérito (CEI) dos Fios Soltos da Câmara Municipal de Goiânia, que apontou falhas na fiscalização da ocupação dos postes e recomendou o encaminhamento de informações às autoridades competentes para apuração de possíveis responsabilidades.
Em nota enviada à imprensa, a concessionária esclareceu que as recomendações dos vereadores não representam indiciamento criminal da empresa ou de seu diretor-presidente, Lener Silva Jayme, tampouco estabelecem responsabilidade pela prática de crimes.
O relatório da CEI, aprovado em 30 de setembro, analisou irregularidades na instalação e manutenção de cabos, os procedimentos de fiscalização e os riscos associados à infraestrutura aérea da capital.
Equatorial diz que colaborou com a investigação
A distribuidora informou que prestou esclarecimentos durante aproximadamente três horas de depoimento presencial e encaminhou respostas escritas e manifestações complementares à comissão.
A companhia também afirmou que analisará formalmente os fundamentos do relatório e continuará fornecendo informações técnicas aos órgãos responsáveis pelos encaminhamentos.
Sobre o compartilhamento de postes, a concessionária destacou que a regulamentação estabelece obrigações tanto para as distribuidoras de energia quanto para as empresas de telecomunicações, incluindo identificação, manutenção e regularização da fiação.
Empresa se manifesta sobre morte de adolescente
A Equatorial também abordou a morte de Nathaly Rodrigues, adolescente de 17 anos que sofreu um acidente envolvendo a rede elétrica no Centro de Goiânia, em setembro de 2025.
A companhia afirmou que o acidente apresenta circunstâncias diferentes das irregularidades relacionadas aos cabos de telecomunicações.
Segundo a concessionária, um laudo da Polícia Científica apontou que a ocorrência aconteceu durante um evento climático severo, caracterizado por ventos fortes e danos em diferentes regiões da capital.
A empresa informou que entregou às autoridades os esclarecimentos e documentos técnicos solicitados.
A manifestação da Equatorial apresenta a posição da companhia sobre as conclusões da CEI. As recomendações parlamentares e a eventual responsabilização dos envolvidos dependem da análise dos órgãos competentes.
Confira a nota da Equatorial Goiás na íntegra
NOTA À IMPRENSA
A Equatorial Goiás informa que prestou esclarecimentos à Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara Municipal de Goiânia em oitiva presencial, com duração de aproximadamente três horas, e por meio de respostas escritas e manifestações complementares encaminhadas aos autos, de forma técnica, transparente e colaborativa.
A companhia esclarece que o documento não formaliza indiciamento criminal da distribuidora ou de seu diretor-presidente, nem estabelece responsabilidade pela prática de qualquer crime. A recomendação é somente para encaminhamentos aos órgãos competentes para apuração e condiciona eventual indiciamento à comprovação de condutas individuais. Essas recomendações não equivalem a indiciamento policial, denúncia criminal ou condenação.
A distribuidora analisará formalmente o relatório e seus fundamentos e continuará prestando esclarecimentos e disponibilizando as informações técnicas pertinentes a todos os órgãos destinatários dos encaminhamentos. A companhia apresentará suas manifestações nos procedimentos cabíveis, demonstrando as providências adotadas e a observância das obrigações legais e regulatórias aplicáveis.
Quanto ao compartilhamento de postes, a Equatorial Goiás reafirma que a regulamentação estabelece atribuições específicas para a distribuidora e para as empresas de telecomunicações, inclusive quanto à instalação, identificação, manutenção e regularização dos cabos. A companhia seguirá colaborando com os órgãos públicos e os demais agentes envolvidos nas ações relacionadas à infraestrutura.
Em relação ao acidente envolvendo Nathaly Rodrigues, a companhia ressalta que a ocorrência envolve a rede elétrica e possui dinâmica distinta das irregularidades em cabos de telecomunicações. O episódio foi submetido à apuração das autoridades competentes, às quais foram fornecidos esclarecimentos e informações técnicas. Conforme laudo elaborado pela Polícia Científica, o acidente ocorreu em contexto de evento climático severo que atingiu Goiânia, com fortes ventos e danos registrados em diferentes pontos da cidade.
A Equatorial Goiás reafirma seu compromisso com a segurança da população, a transparência e o cumprimento da regulamentação aplicável.
Assessoria de Imprensa da Equatorial Goiás