Fotógrafo que morreu de dengue em Goiânia planejava viajar pelo mundo com a esposa
Casal planejava viajar pela América do Sul após o filho começar faculdade
O fotógrafo Marcelo Carvalho, de 52 anos, que morreu após complicações da dengue em Goiânia, planejava realizar um antigo sonho: viajar pelo mundo com a esposa. Casados há 20 anos, eles pretendiam aproveitar o fato de o filho ter ingressado na faculdade para conhecer alguns países. Segundo a companheira, a enfermeira aposentada Lillian Flávia, a ideia era percorrer a América do Sul, viajando do Ushuaia até o Peru.
Lillian conta que Marcelo sempre foi um grande companheiro. Durante a gestação, ela enfrentou complicações graves de saúde, incluindo o diagnóstico de uma doença crônica, além de dengue e eclâmpsia. Por causa do quadro, o filho do casal, Rodrigo, nasceu prematuro, e ela ficou com algumas sequelas. “Em meio a toda essa turbulência, ele sempre esteve ao meu lado, me ajudando”, disse.
Rodrigo completou 18 anos recentemente, foi aprovado em três universidades federais e escolheu cursar Engenharia Elétrica na Universidade Federal de Goiás (UFG).

Segundo Lillian, Marcelo era extremamente dedicado à família e se esforçava para garantir o sustento da casa. Além da fotografia, ele também trabalhava como vendedor de carros, profissão que exercia desde antes de conhecê-la.
Marcelo se apaixonou pela fotografia durante uma disciplina do curso de Administração, que acabou não concluindo. Para aperfeiçoar os conhecimentos, fez cursos na área e se dedicava à carreira. Aos finais de semana, ele registrava corridas de rua e eventos.
Diagnóstico de dengue e complicações
Segundo Lillian, os primeiros sintomas da doença começaram na segunda-feira de Carnaval, quando Marcelo passou a sentir mal-estar e dores no corpo. Ele apresentou febre de 38 °C e procurou atendimento médico dois dias depois.
Após exames, foi diagnosticado com dengue e apresentava queda nas plaquetas. Com a piora do quadro nos dias seguintes, ele retornou ao hospital e acabou sendo internado. Durante a investigação médica, exames também indicaram apendicite, o que levou à decisão de realizar uma cirurgia, mesmo com as plaquetas muito baixas.
Após o procedimento, Marcelo foi encaminhado para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Segundo a esposa, ele apresentou complicações como acúmulo de líquido no abdômen e derrame pleural.
Ele sofreu paradas cardiorrespiratórias e morreu no dia 22 de fevereiro. “Ele deixou um filho, uma esposa e uma família que ele tanto amou e que tanto é amado, um legado e alguns sonhos”, desabafou Lillian.