ENTENDA

‘Giro de leitos’ vai ampliar atendimentos do novo Hugo; entenda

Fluxos assistenciais, logística hospitalar e reorganização dos setores são apontados como fatores que devem ampliar a eficiência

Complexo hospitalar que abrigará o novo Hospital Estadual de Urgências de Goiânia (Hugo) terá mais de 500 leitos, centro cirúrgico ampliado e estrutura voltada ao atendimento de urgência, emergência e alta complexidade. Crédito da foto: Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO).
Complexo hospitalar que abrigará o novo Hospital Estadual de Urgências de Goiânia (Hugo) terá mais de 500 leitos, centro cirúrgico ampliado e estrutura voltada ao atendimento de urgência, emergência e alta complexidade. Crédito da foto: Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO).

Quando o Governo de Goiás anunciou a aquisição do prédio que receberá o novo Hospital Estadual de Urgências de Goiás (Hugo), o aumento da capacidade de 342 para mais de 500 leitos chamou atenção. Mas, para a Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO), a principal transformação não estará apenas nos números.

Segundo o governador Daniel Vilela (MDB) e o secretário estadual da Saúde, Rasível Santos, o novo complexo em Goiânia permitirá reorganizar completamente o funcionamento do hospital, tornando a assistência mais eficiente por meio da melhoria dos fluxos internos, da ampliação da estrutura cirúrgica e da otimização do uso dos leitos. A expectativa é aumentar a capacidade operacional da principal unidade pública de urgência e emergência do Estado sem depender exclusivamente da expansão física.

“O principal ganho é exatamente a possibilidade de funcionar em um prédio moderno, construído para ser um hospital de referência. Hoje enfrentamos o desafio de reformar o Hugo mantendo o atendimento. As limitações estruturais impedem avanços mais significativos”, afirmou Daniel Vilela durante a apresentação do projeto. 

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O complexo hospitalar, localizado no Conjunto Fabiana, foi projetado originalmente para receber um hospital oncológico privado. Como o empreendimento não chegou a entrar em operação, o Estado iniciou as negociações para adquirir o imóvel e transformá-lo na nova sede do Hugo.

O problema não é apenas a quantidade de leitos

Na avaliação da Secretaria da Saúde, um hospital não amplia sua capacidade apenas construindo novos quartos de internação. Hoje, o Hugo possui 342 leitos, mas a eficiência da unidade é impactada pelas limitações de uma estrutura inaugurada em 1991 e que passou décadas sendo adaptada para atender uma demanda crescente.

Para Rasível Santos, a infraestrutura atual dificulta a organização dos processos assistenciais. “Sem uma boa estrutura, não é possível ter bons processos, bons fluxos e alcançar os melhores resultados. O hospital já presta um atendimento de excelência, mas precisava de uma estrutura compatível com a complexidade dos serviços que oferece”, afirmou. 

Segundo o secretário, a mudança permitirá reorganizar setores estratégicos do hospital, reduzindo deslocamentos internos e melhorando a integração entre pronto-socorro, centro cirúrgico, terapia intensiva e enfermarias.

Fluxos diferentes para pacientes diferentes

Uma das principais mudanças será a reorganização da circulação interna. O projeto prevê percursos distintos para pacientes que chegam caminhando e aqueles transportados por ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ou do Corpo de Bombeiros.

Na prática, pacientes classificados como “verticais” terão acesso diferente dos chamados pacientes “horizontais”, que normalmente chegam em estado grave e necessitam de atendimento imediato.

Segundo Rasível Santos, essa separação permitirá reduzir gargalos, melhorar a logística hospitalar e tornar o atendimento mais ágil. “Estamos analisando cada ambiente para adequar os fluxos. O paciente que chega caminhando terá um percurso diferente daquele que chega por ambulância. Isso melhora a organização do hospital e contribui para melhores resultados assistenciais”, explicou. 

Centro cirúrgico dobrará de tamanho

Outro fator considerado decisivo para ampliar a capacidade operacional será o aumento do centro cirúrgico.Atualmente, o Hugo conta com dez salas cirúrgicas. No novo complexo serão 20, permitindo ampliar a realização de procedimentos de alta complexidade e reduzir o tempo de permanência de pacientes que aguardam cirurgia.

A nova unidade também deverá ampliar os leitos de terapia intensiva, passando de 52 para 90 UTIs, além de possibilitar uma reorganização dos quartos de internação para otimizar a utilização dos espaços. 

Segundo Rasível Santos, o conceito utilizado pela Secretaria é ampliar o chamado “giro de leitos”, estratégia que busca reduzir o tempo de ocupação de cada vaga por meio de processos mais eficientes.

“Além de ampliar o número de leitos, queremos aumentar a utilização desses leitos. Com fluxos melhores e processos mais organizados, conseguimos ampliar a capacidade operacional do hospital”, destacou. 

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Poucas intervenções estruturais

Embora tenha sido concebido para um hospital oncológico, o prédio exigirá poucas adaptações para receber o Hugo. Segundo o secretário, o centro cirúrgico, a terapia intensiva e as áreas de internação já possuem estrutura compatível com um hospital de alta complexidade. As mudanças deverão se concentrar na reorganização dos ambientes, adequação dos fluxos internos e eventual redistribuição dos quartos para ampliar a oferta de vagas.

“Estamos fazendo uma análise andar por andar. Não serão muitas intervenções porque o prédio foi construído para ser hospital. Nosso objetivo é adaptá-lo para atender o perfil da urgência e emergência”, explicou. 

Mudança será gradual

A transferência da unidade ocorrerá por etapas.Primeiro será concluída a obra do complexo hospitalar. Depois, serão executadas as adaptações solicitadas pelo Estado e obtidas as licenças necessárias para funcionamento.

Na sequência, começará a migração dos equipamentos e serviços do atual Hugo. Segundo Rasível Santos, a Secretaria já iniciou a elaboração de um plano de transição para garantir que nenhum atendimento seja interrompido durante a mudança.

“A obra será entregue pronta. Depois faremos as adaptações necessárias e iniciaremos uma transição planejada dos equipamentos e dos serviços para que a população continue sendo atendida normalmente”, afirmou. A previsão do Governo de Goiás é que o novo Hugo entre em funcionamento no início de 2027.

Destino do prédio atual ainda será estudado

Com a mudança da unidade, o atual prédio do Hugo também deverá ganhar uma nova destinação. Segundo Daniel Vilela, o governo ainda não definiu qual será o uso do imóvel, decisão que dependerá de estudos técnicos e das necessidades da rede estadual de saúde.

“Esse é um debate que será feito mais à frente. Primeiro precisamos consolidar a transferência e compreender qual será a melhor utilização daquele patrimônio público”, afirmou. 

Para o governador, a aquisição do complexo representa uma oportunidade de acelerar a modernização da assistência pública sem aguardar os anos necessários para construir um hospital do zero. “O objetivo é oferecer aos goianos uma estrutura moderna, com mais qualidade, mais eficiência e capacidade para responder à crescente demanda da saúde pública. Queremos construir aqui uma referência nacional em atendimento hospitalar”, concluiu.