Sábado, 18 de Julho de 2026
SAÚDE

Exclusivo: presidente do IMAS admite que instituto poderá ser extinto se reestruturação não der resultado

Em entrevista exclusiva ao Mais Goiás, Gardene Fernandes afirma que IMAS atende 70 mil usuários, acumula dívida histórica de R$ 226 milhões e garante que atendimento não será interrompido durante a modernização

Fernanda Cappellesso
Por - Goiânia, GO
Publicado em:
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A presidente do Instituto Municipal de Assistência à Saúde dos Servidores de Goiânia (IMAS), Gardene Fernandes, afirmou em entrevista exclusiva ao Mais Goiás, que a Prefeitura de Goiânia considera a possibilidade de extinguir o instituto caso o atual processo de reestruturação não alcance os resultados esperados. Segundo ela, a medida é tratada como uma última alternativa diante dos problemas estruturais e financeiros acumulados ao longo de décadas.

A declaração reforça o posicionamento manifestado recentemente pelo prefeito Sandro Mabel, que classificou a reformulação do IMAS como decisiva para o futuro da autarquia. Questionada sobre o significado da fala do prefeito, Gardene explicou que o instituto enfrenta dificuldades históricas e que a administração municipal entende que o modelo atual precisa ser profundamente reformulado.

“O IMAS já sofre há muitos anos com várias reformulações erradas. Quando ele fala em acabar, é porque já não temos mais o que fazer. Ou a gente reformula ele por completo, ou não dá para continuar oferecendo um serviço ineficiente para o usuário”” detalhou. 

A presidente confirmou que a possibilidade de extinção é considerada pela Prefeitura caso a reestruturação não produza os resultados esperados. Segundo ela, nesse cenário, o município estudaria um novo modelo de assistência aos servidores, com aporte financeiro para que cada titular pudesse contratar um plano de saúde privado. “O valor exato ainda não foi definido. Esse estudo ainda precisaria ser realizado”, afirmou.

Dívida chega a R$ 226 milhões

Durante a entrevista, Gardene Fernandes revelou que o IMAS acumula atualmente uma dívida histórica estimada em R$ 226 milhões. Segundo ela, o passivo foi construído ao longo de diversas gestões e representa um dos principais desafios para a sustentabilidade financeira do instituto.

Apesar disso, a presidente afirmou que a atual administração conseguiu reduzir significativamente os déficits mensais registrados anteriormente. “Em 2024 teve mês que teve mais de R$ 6 milhões de déficit. Hoje não temos um déficit enorme igual era. Estamos trabalhando justamente para garantir a sustentabilidade do instituto”, pontuou. 

Ela destacou que todas as medidas adotadas pela gestão têm como foco preservar a assistência prestada aos servidores municipais. “Nosso compromisso é com os nossos 70 mil usuários. Todas as medidas que estamos adotando são para melhorar o atendimento, modernizar o instituto e garantir a sustentabilidade da assistência ao servidor”, pontuou. 

Atendimento continuará normalmente

Uma das maiores preocupações dos beneficiários é a continuidade dos serviços durante a implantação do novo modelo operacional. Segundo Gardene Fernandes, não existe previsão de interrupção de consultas, exames, cirurgias ou internações. “O atendimento não será interrompido. Estruturamos todo o processo justamente para garantir a continuidade da assistência”, disse ao Mais Goiás. 

Ela afirmou que a expectativa da administração é melhorar os serviços oferecidos aos beneficiários. “A previsão é melhorar bastante, porque hoje ainda temos uma estrutura muito arcaica. Muita coisa ainda é feita manualmente”, declarou. 

Déficit de servidores

A presidente atribui parte das dificuldades do IMAS à falta de servidores e à baixa modernização administrativa. Segundo ela, diversos procedimentos ainda dependem de processos manuais, o que compromete a eficiência do atendimento. “O instituto tem déficit de pessoal e muitos processos ainda são feitos manualmente. Precisamos modernizar toda essa estrutura”, revelou.

De acordo com Gardene, a contratação de uma empresa especializada busca justamente oferecer apoio operacional e tecnológico para tornar o funcionamento do IMAS mais eficiente.

Gestão continuará com o IMAS

A presidente fez questão de esclarecer que a futura empresa não assumirá a administração do instituto. Segundo ela, as decisões administrativas, a fiscalização dos contratos, o controle dos recursos públicos e toda a gestão institucional continuarão sendo responsabilidade do IMAS e da Prefeitura de Goiânia. A atuação da empresa ficará concentrada no suporte operacional e na modernização dos processos internos.

A contratação da empresa ainda depende da análise do Tribunal de Contas. Segundo Gardene Fernandes, o processo encontra-se sob avaliação do órgão de controle e não existe previsão para conclusão do julgamento. “Estamos aguardando o Tribunal de Contas. O cronograma depende do prazo do próprio Tribunal”, disse ao ser questionada sobre prazos.  Até que haja uma decisão, a estrutura atual do IMAS continuará funcionando normalmente.

Futuro dependerá da reestruturação

Ao longo da entrevista, Gardene Fernandes reforçou que o objetivo da Prefeitura não é extinguir o instituto, mas garantir sua continuidade por meio de uma ampla modernização administrativa.

Ela afirmou que a reestruturação busca aumentar a eficiência operacional, reduzir custos, melhorar os processos internos e assegurar a sustentabilidade financeira da assistência médica oferecida aos servidores municipais.

Caso o modelo alcance os resultados esperados, o IMAS continuará funcionando normalmente. Se as mudanças não forem suficientes para recuperar o instituto, a administração municipal admite discutir alternativas para assegurar a continuidade da assistência à saúde dos servidores de Goiânia.

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