Sexta-feira, 24 de Julho de 2026
HABEAS CORPUS

Justiça manda soltar advogada goiana presa na Bahia

Rina Campbell Pena é investigada por se apropriar de cerca de R$ 650 mil cobrados para falsos acordos de financiamentos imobiliários; defesa afirma que prisão era injusta

Por - Goiânia, GO
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Justiça manda soltar advogada goiana presa na Bahia

A advogada goiana Rina Campbell Pena, que foi presa preventivamente na quarta-feira (22) em um resort na Bahia, suspeita de se apropriar de dinheiro de clientes que a contrataram para atuar em ações de revisão de financiamentos imobiliários, foi solta na quinta-feira (23). Em nota ao O Popular, a defensora da investigada, Aline Pires, afirmou que a liberdade foi concedida “em total conformidade com a justiça e a realidade dos fatos”.

Conforme a decisão, Rina não poderá deixar Goiânia por mais de 15 dias sem autorização judicial. Além disso, ela está impedida de atuar como advogada até que o mérito do habeas corpus seja julgado.

Quanto ao caso, a Polícia Civil afirma que ao menos 17 pessoas foram identificadas como vítimas, com um prejuízo que chega a R$ 650 mil. Além da prisão, policiais civis cumpriram mandados de busca e apreensão no escritório da investigada, no Setor Oeste, em Goiânia.

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De acordo com as investigações, o esquema seria praticado desde 2014. A suspeita, segundo a polícia, concentrava a atuação em pessoas de baixa renda que haviam financiado imóveis de menor valor, como casas populares e lotes.

A estratégia consistia em oferecer ações revisionais de contratos de financiamento. Ela alegava às vítimas que os juros cobrados eram abusivos e que seria possível reduzir o valor das parcelas por meio de uma negociação judicial.

Após a assinatura dos contratos, porém, a advogada pedia que os clientes entregassem dinheiro sob a justificativa de que os recursos seriam utilizados para firmar acordos com as instituições financiadoras.

Enquanto acreditavam que as negociações estavam em andamento, as vítimas deixavam de pagar as prestações do financiamento. Com isso, as dívidas continuavam crescendo devido à incidência de juros e encargos, segundo a investigação.

Em entrevista à TV Anhanguera, o delegado Douglas Pedrosa, responsável pelo caso, afirmou que a suspeita conquistava novos clientes por meio de captadores e também por indicação de antigos atendimentos.

“Ela conseguia vítimas por meio de captadores e também no boca a boca. Estava há bastante tempo no mercado. Convencia esses clientes a entrarem com ações revisionais de contrato ou a fazerem acordos com imobiliárias onde possuíam dívidas. Depois disso, encontrava uma forma de se apropriar do dinheiro dessas vítimas”, afirmou.

Ainda conforme a Polícia Civil, a investigada costumava apresentar diferentes justificativas para evitar prestar informações aos clientes sobre o andamento dos processos. Entre as desculpas, alegava problemas de saúde e dizia, por exemplo, que estava internada.

Confira a nota da defesa na íntegra:

“A defesa de Rina de Oliveira Campbell Pena informa que foi restabelecida sua liberdade, em total conformidade com a justiça e a realidade dos fatos.

Desde o início, a defesa sustentou que a sua privação de liberdade era injusta e incompatível com os elementos efetivamente constantes dos autos, posição que agora encontra respaldo na decisão que determinou sua soltura.

Em respeito ao regular andamento do processo e ao compromisso com a verdade dos fatos, todos os esclarecimentos serão apresentados no momento oportuno, de forma técnica, responsável e devidamente fundamentada.

Na ocasião adequada, serão demonstradas as inconsistências das alegações que vêm sendo divulgadas até o momento, bem como restabelecida a correta compreensão dos fatos, preservando-se o direito de defesa, a presunção de inocência e o devido processo legal.

A defesa reafirma sua confiança na Justiça e informa que, por ora, não fará outras manifestações sobre o mérito da causa.”

Dra. Aline Pires, OAB/GO 30.701

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